Socorro: abriram as portas do manicômio, por Izaías Almada

Há um limite para ignorarmos a realidade. Como haverá também um limite para enfrentá-la.

Socorro: abriram as portas do manicômio

por Izaías Almada

Penso que só agora, um século depois, começo a ser capaz de admirar e entender algumas das ideias do movimento surrealista nas artes.

Tenho alguns lampejos, algumas brechas por onde a razão consegue penetrar, mesmo sabendo que para alguns idealizadores e praticantes daquele movimento, a razão muitas vezes não era para ali chamada.

E também não estou pondo em causa a genialidade de seus participantes ao redor do mundo e nem o próprio movimento, que fique bem entendido. Quem sou eu para isso, não é mesmo?

Contudo, a não ser que me provem o contrário, é-me impossível olhar para um cavalo, por exemplo, e dizer que o animal que vejo é um elefante ou, melhor ainda, um gato selvagem. Há um limite para ignorarmos a realidade. Como haverá também um limite para enfrentá-la.

Assim como é difícil olhar para uma goiabeira e imaginar que Jesus Cristo quase caiu de uma aqui no Brasil. Ou imaginar que o “filósofo” (sic) Olavo de Carvalho, que aprendeu o mínimo para não ser considerado um idiota, mas tudo indica não ter conseguido, venha um dia a ver o sol de Ipanema nascer quadrado.

Ou ainda que os famosos Irmãos Metralha dos comics da Disney são fruto de uma genial sessão espírita dos anos 30 na Califórnia anunciando para noventa anos depois no Brasil a encarnação dos irmãos 0l, o 02 e o 03.

Ironias e brincadeiras à parte, não custa nada tentar imaginar como Miró e Picasso pintariam o Brasil de 2020. Ou como a mexicana Frida Kahlo usaria seus pincéis para dar traços à nossa assustadora realidade.

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Convidar o poeta Arthur Rimbaud para passar nas praias cariocas a sua “Estação no Inferno” ou mesmo caminhando pelo agreste nordestino.

Também o cinema de Buñuel tratando o discreto charme da burguesia brasileira seria bem visto. Ou uma peça teatral de Antonin Artaud, que morreu num hospício de Paris.

E quantos outros poderiam ser lembrados a dar uma contribuição às artes e ao atual surrealismo verde/amarelo, se vivos ainda fossem: Andre Breton, Trotsky, o português Alexandre O’Neill, os brasileiros Jorge de Lima e Cícero Dias.

Quando o que se passa ao nosso lado está além da realidade ou, em outras palavras, quando não conseguimos avaliar muito bem o que está acontecendo, nossa primeira reação é achar um bode expiatório.

No Brasil do Jair e de aloprados ministros militares e civis, o bode expiatório é que está tentando entender o que se passa à sua volta.

No Brasil da cloroquina a burrice tarda, mas não falha. É um verdadeiro A.B.Surdo.

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1 comentário

  1. Ignorância, burrice e picaretagem

    Na minha opinião, existe três tipos fundamentais de ignorantes: o tosco, que não domina nada de nada, mas que pelo menos fica calado numa banca de cerveja. São piores do que Bolsonaro em termos de ignorância, mas pelo menos não enchem o saco. São também burros por não reconhecerem o valor do conhecimento, e quando muito sabem gritar pelo gol do seu time predileto. Esses estão na base da pirâmide da estupidez e acreditam em tudo que ouvem e em tudo que que os pastores Silas Malafaia, Edir Macedo e Valdomiro vomitam.

    Aqueles ignorantes que não são de maneira nenhuma curiosos, pois nunca leram nem estudaram nada a respeito do que se propõem a discutir: são os achistas, que começam invariavelmente a frase com “eu acho isso, eu acho aquilo, eu acho que a Terra é plana. Além de ignorantes, eles tendem a ser burros por não reconhecerem a importância do saber científico e não se apropriarem dele, ainda que numa área específica, embora não abram mão de seus celulares. Eles têm uma inveja doentia de quem tem cultura e sabe das coisas.

    Porém, os ignorantes mais perigosos são aqueles que por saberem que a quantidade de imbecis em todos os lugares do mundo é muito grande, usam de um saber pseudo científico e filosófico para enganá-los. Esses ignorantes são também charlatões e picaretas e sabem que estão mentindo o tempo todo. Mas como são delirantes, acabam acreditado nas suas próprias mentiras. O exemplo mais notório desse tipo de picareta é o Olavo de Carvalho que defende, dentre outras asneiras, que as músicas dos Beatles foram composta por um sociólogo alemão.

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