Um tiro nas estrelas!, por Alexandre Sartori

Desanima pensar que para alcançarmos essas estrelas com um foguete comum, a combustão, apoiados por estilingues gravitacionais, demoraríamos em torno 14 mil anos para chegar lá.

Um tiro nas estrelas!

por Alexandre Sartori

Saudações terráqueos de 2020! Saibam que este ano, em que vocês vivem, foi um divisor de águas na exploração espacial, devido a primeira missão espacial tripulada privada da história e, ainda, a estreia do superfoguete espacial Starship, que possibilitou as construções de bases na lua, em Marte, em Phobos e em Titan. Mas a humanidade é audaciosa demais para conter-se apenas em nosso modesto Sistema Solar. Por isso, em 2016, o bilionário russo-israelense Yuri Milner, apoiado por Stephen Hawking e Mark Zuckerberg, lançou o projeto Breakthrough Starshot, com o objetivo de alcançar o sistema estelar mais próximo Alpha Centauri. Este sistema é composto por 3 estrelas unidas gravitacionalmente entre si, sendo Proxima Centauri (uma anã vermelha também chamada de Alpha Centauri C) a estrela mais próxima do nosso Sol (4,2 anos luz). As outras duas (Alpha Centauri A e B) se distanciam da primeira em até 35 UA (equivalente a distância entre o Sol e Plutão). Desanima pensar que para alcançarmos essas estrelas com um foguete comum, a combustão, apoiados por estilingues gravitacionais, demoraríamos em torno 14 mil anos para chegar lá. Mas calma lá, já podem voltar a sorrir, pois o Starshot já encontrou a solução! Eles elaboraram o conceito de uma mini espaçonave a vela denominada StarChip (qualquer semelhança com o Starship de Elon é mera coincidência). A idéia seria enviar naves espaciais superleves, produzidas por nanotecnologia, impulsionadas por velas solares e por feixes de lasers direcionáveis, com uma potência combinada de até 100 GW (é muita coisa, para comparação, o Dr. Emmett Brown, no filme “De Volta Para o Futuro”, usou 1.2GW para fazer sua viagem no tempo). Mesmo assim Milner estima um custo final entre 5 e 10 bilhões de dólares para completar a missão e espera que a primeira nave possa ser lançada por volta de 2036. Em janeiro de 2017, as Iniciativas Avançadas e o Observatório Europeu do Sul começaram a colaborar para a procura planetas habitáveis ​​no sistema estelar Alpha Centauri. Em 2022, apoiados pelo telescópio espacial James Webb, da NASA, além do conjunto de telescópios da ESO (VLT), localizados no Chile, descobriram atmosfera contendo água em um planeta potencialmente habitável chamado Próxima C. A descoberta impulsionou o projeto Starshot, que já conta com um financiamento de 6 bilhões de dólares. Os primeiros protótipos já estão em construção assim como o sistema de lazer que será instalado nos arredores da base lunar. Os feixes de lazer serão dispostos em um círculo de 1Km de diâmetro e direcionados para convergirem em um único feixe, apontados em direção a uma vela de grafeno dopado em lítio, contendo apenas 5 átomos de espessura, 5 metros de diâmetro e 3 gramas de peso. A nanoespaçonave acoplada a vela tem cerca de 1cm e pesa pouco mais de 1 grama. Ela contém 5 câmeras miniaturizadas, equipamentos de navegação, quatro microprocessadores, equipamentos de comunicação, propulsores no nível de laser de diodo de 1W, uma microbateria atômica alimentada por plutônio-238 e um transmissor de dados a laser. Um revestimento de grafeno-cobre-berílio vai proteger a nanoespaçonave de colisões por poeira espacial ou erosão por partículas atômicas de alta energia. A nanoespaçonave terá aceleração contínua até que passe por Plutão, onde já atingirá a velocidade proposta de aproximadamente 20% da velocidade da luz.  A partir dali a vela se dobra, em forma mais espessa, para se tornar fonte de energia durante o cruzeiro, pois as colisões com os átomos do meio interestelar podem fornecer cerca de 60 Watt /m2. A viagem até o sistema Alpha Centauri demorará de 20 a 30 anos e levará mais 4 anos para os dados coletados chegarem a Terra. Mas Milner, como todo bilionário, não vai apostar todos os ovos em uma galinha só. Ele incluiu no projeto o envio simultâneo de 1000 nanonaves a vela simulando uma grande regata espacial, donde apenas algumas centenas chegarão ao destino, desvendando os planetas de nossa vizinhança estelar e, quem sabe, descobrindo vida em um planeta habitável próximo. Por hoje é só, fiquem bem e lavem as mãos várias vezes ao dia, pois o futuro promete!

*Após uma implosão acidental, ocorrida no Brasil em 2013, foi catapultado através do horizonte de eventos para uma base marciana em 2025. Escreve de lá quinzenalmente para o GGN.

*Detalhes sobre as tecnologias citadas? Siga-me no tweeter @AlexandreSart13

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora