Vamos mesmo reconstruir o Brasil?, por Izaías Almada

Na contramão de um velho adágio popular, a nossa elite, essa anomalia que no passado se chamava de classe dominante, come caviar e arrota salame.

Vamos mesmo reconstruir o Brasil?

por Izaías Almada

Golpe de Estado, período ditatorial, recuperação da democracia, curto período de vivência democrática, novo golpe de estado, novo período discricionário… E por aí segue a toada da política brasileira com os três poderes da republica sempre a tocarem o barco de qualquer jeito.

Essa toada vem praticamente desde a proclamação da república em 1889. De tantos em tantos anos temos ou a ruptura da chamada democracia representativa burguesa, seja lá o que isso signifique no Brasil republicano, ou a retomada dessa mesma democracia que ninguém sabe exatamente o que é.

Em outras palavras: o país vai mudando de acordo com as circunstâncias, mas deixando em seu caminho um rastro de pobreza civilizatória, entreguismo, dependência, um salve-se quem puder no velho e calhorda joguinho do “farinha pouca meu pirão primeiro”.

Na contramão de um velho adágio popular, a nossa elite, essa anomalia que no passado se chamava de classe dominante, come caviar e arrota salame.

Após o último golpe de estado, o de 2016, e de uma eleição fajuta, retomamos o caminho que conhecemos descrito acima e já se começa a falar em alianças as mais variadas, num coquetel de nomes e de partidos, todos patrioticamente defensores dos princípios democráticos e da necessidade de reconstruir o país.

Isso mesmo: reconstruir o país! Mas quem o destruiu? Foi o povo ou a sua maravilhosa elite entreguista?

A quem queremos enganar? A nós mesmos, é claro!

No dia a dia do país a ser reconstruído, os gigolôs da fé continuam a enganar, em nome de Nosso Senhor Jesus Cristo, a massa ignara e dócil e a enriquecer-se à custa do dízimo e de outras falcatruas religiosas.

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Corruptos de fraque e cartola ficam impunes enquanto aumenta o desemprego e a miséria. Os três poderes da república a bater cabeça e, a partir de suas “responsabilidades constitucionais” (deixem-me rir um pouquinho) digladiam-se a mostrar quem tem mais poder.

Decretos, votos e leis transformam-se em armas perigosas, mas vigiadas bem de perto por espadas e canhões.

É quando surge no horizonte uma pandemia, um insolente e perigoso vírus, confundido como sendo uma gripezinha, mas que joga muita merda no ventilador.

Nesse momento, não é por acaso, junta-se a fome com a vontade de comer e temos um caldeirão de boçalidades a ferver: o fascismo se une ao fundamentalismo religioso e, de mãos dadas com milicianos, mostra suas garras à direita e à esquerda.

O capital estrangula o trabalho. Aflita, a classe média procura tábuas de salvação. A esquerda sucumbe à sua própria desarticulação e às fake news.

A covardia, a arrogância, o ódio, a mentira e a hipocrisia tomam conta do Brasil. E agora José? A festa acabou? A luz apagou? O povo sumiu? A noite esfriou?

E agora José?

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