Viagem à Disneylandia, por Izaías Almada

Percorri o parque num trenzinho, entrei em túneis, andei por um submarino, comprei o chapéu do Mickey, comi pipoca e maçã caramelizada e pude, com imensa alegria, satisfazer um desejo que me consumia por dentro.

Para o leitor escutar enquanto lê o artigo

Viagem à Disneylandia

por Izaías Almada

Com o saltitar de uma criança embevecida diante dos meus heróis, fui à Disneylandia, numa viagem que tinha programado há anos, mas para a qual não surgiam as oportunidades.

Depois de aprontar mundos e fundos, chorando, esperneando, afinal consegui. Queria conhecer o Pato Donald e o rato Mickey.

Tão logo desci do avião fui para o hotel, encantado com a recepção à minha turma de meninos da escola em que estudava, todos muito bem comportados e que sabiam fazer direitinho o dever de casa…

Como eu havia sido eleito o chefe da minha turma, fiz um pequeno discurso e elogiei rapidamente o hotel cinco estrelas e pedi que me levassem para o Parque de Diversões infantis.

Fiquei boquiaberto, quase babando no uniforme da escola, quando, a dez metros de distância vi aparecerem o Mickey e a Minnie, bem como o Pato Donald e a Margarida… Minhas pernas bambearam e senti as mãos suadas.

Corri para abraçar meus mitos, eu que também era um… Segundo a opinião de alguns coleguinhas. Exigi que tirassem o maior número de fotos possíveis com seus celulares.

Quando pedi que tirassem uma em especial (sentado no colo do Pato Donald) eu fui desaconselhado a fazer, pois fatalmente apareceriam algumas pessoas maldosas e desrespeitosas a levantar suspeitas de patofilia. Sobretudo os meus patrícios que moravam nos Estados Unidos da América, gente desqualificada… Imigrantes, coitados.

Percorri o parque num trenzinho, entrei em túneis, andei por um submarino, comprei o chapéu do Mickey, comi pipoca e maçã caramelizada e pude, com imensa alegria, satisfazer um desejo que me consumia por dentro.

Tamanha a satisfação que meus anfitriões viam em meus olhos, nas minhas atitudes e nas coisas que eu dizia, que os donos do parque convidaram-me para um almoço num dos restaurates locais. Um de meus coleguinhas teve um ataque de choro porque não foi convidado e tive que consolá-lo comprando um daqueles pirulitos coloridos em forma de coração.

O duro foi ter que fazer um discurso de agradecimento no final do almoço, pois não sou muito bom de discursos, mas deu para enganar, claro.

No final do discurso fui surpreendido com a entrada de uma banda de meninas, todas de saiotes azuis e blusas brancas listadas de vermelho, marchando com ritmo e elegância enquanto tocavam uma das marchas mais conhecidas do repertório norte americano. Vieram-me lágrimas aos olhos. Perfilei-me e patrioticamente saudei a bandeira das estrelas e listas fazendo uma continência.

Por último recebi um pacote de presente, mas que só deveria abrir quando regressasse ao Brasil.

Todos vocês devem imaginar a emoção e a ansiedade que tomaram conta de mim na viagem de volta. Dentro do avião, não me contive e abri com extremo cuidado o meu presente: uma maravilhosa fantasia em cetim do Pateta, com uma máscara, para eu usar em algum baile infanto/juvenil no carnaval do ano que vem.

E o melhor de tudo: havia um cartão de visitas do Pato Donald com o seu telefone particular e dizia que eu poderia ligar à hora que quisesse…

Não fiquem aí com inveja, talquei?

 

4 comentários

  1. Mas claro que fiquei morrendo de inveja! Como assim ganhou fantasia do pateta e o telefone do pato Donald? Por que so você? Acho que toda a comitiva merecia… Pelo menos a fantasia de pateta….

  2. as elites brasileiras sonham em ir a disney pegar nas bolas do mickey.

    é assim na minha cidadela, toda a classe mérdia faz isso, ha anos!!

    mais rídiculo impossivel!

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