Vírus, por Rui Daher

Lembrando-me dos bons charutos, chamo o vírus de “Coroninha”. Antes consulto o “Dominó de Botequim Celestial”, se garantiriam meu desafio.

Vírus

por Rui Daher

Como estão chamando isso mesmo? Isolamento social? Entendi e aceiro, embora certo filhote do capitão tenha dito ser isso um feito chinês, por onde meus contatos não passam de inocentes hashis.

Mas, vamos lá, força da pressão de uma mídia que esperou uma pandemia para esquecer que nos impôs a catástrofe bolsonarista, família, amigos e privilegiados especialistas, encontro-me sem poder sair de casa e, segundo alguns familiares, mais catastrofistas radicais, não receber ninguém por dois anos. Ou seja, morri sem que, ao menos, o coronavírus fosse apresentado a mim.

Gostaria de ter uma conversa com ele. Por certo, Harmônica, matador serial, e Everaldo, segurança do BRD, estariam presentes.

Lembrando-me dos bons charutos, chamo o vírus de “Coroninha”. Antes consulto o “Dominó de Botequim Celestial”, se garantiriam meu desafio.

Nem precisava. Darcy, Ariano, Dr. Walther, Melô, Alfredinho e Beth, em uníssono, respondem: “Seu merda. Ponha-se a ouvir Dominguinhos e sempre estará protegido”.

– Certeza?

– Sim cagão. Nunca leu da história? Tivemos uma reunião com o Regente da Estação Inferno. Ele estava precisando mexer um pouco com a caretice de vocês aí na Terra.

– Conhecem, o que faço?

– Enfrente, encare, ponha Dominguinhos, Gonzaga, Trio Virgulino, o verdadeiro som nordestino e se proteja, como escreveu a sua experiência em Casa Nova (BA). Por que ainda não brindou aqui seus textos?

– Tanta gente de quem nunca ouvi falar. Feliz como lá ouvi.

– Isso tudo é seu! Nem vírus, família, amigos que ainda não o conhecem bem, irão demovê-lo de viver. Tirando nós, quando o protegem, pensam neles, não em você.

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– Porra, Darcy. Queria ficar um pouco mais por aqui.

– Fique, mas não sofra com merdas terrenas, que só o atingirão quando nós o permitimos.

– Bom! Mas sinto que estamos perdendo.

– De quem do bosta? Ele sabe ler? Indique Gilberto e Cascudo.

– Pegou leve, Darcy. E o Ariano?

– Eles achariam ser espetáculo circense.

– Tarso de Castro chega aqui com um uísque, cagamos de rir, nosso rebento.

– Abração a todos!

– Beba um pouco mais e vá dormir. Lemos seus textos para a CC e GGN. Cê tá cada vez melhor.

– Agradeço. Resolvo soltar um balão, para ser preso e fazê-los ouvir o que pensamos. Beijos.

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