A morte de Patrick McGoohan

Atualizado

Por Alessandro Pereira

Nassif,

Acabo de saber pela Folha on-line que faleceu o ator Patrick McGoohan, aos 80 anos. A reportagem menciona sua participação na série “O Prisioneiro”.

Esta série, de 1968, foi a coisa mais revolucionária que assisti em televisão. E olha que só a assisti no fim dos anos 90 pela TV à cabo. Sua relevância foi tão grande que virou elemento de citação corriqueira em entretenimentos atuais, como o filme “Truman, o show da Vida”, a série “LOST” e, infelizmente, até mesmo programas como o “Big Brother”. Em “O Prisioneiro”, o conflito entre o valor do indivíduo ou sua nulidade foram levadas ao extremo, assim como o aspectos do ato de vigiar ganharam contornos poéticos e induziram reflexões levadas às últimas conseqüências… Enfim, quem não assistiu “O Prisioneiro”, perde grande oportunidade de se encantar. Parabéns ao Patrick McGoohan, agora eternizado.

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Por jairo arco e flexa

Devemos todos deitar uma lágrima a esses dois senhores que se foram discretamente, assim foi discreta sua vida pessoal, longe das câmaras, e muito produtiva sua vida na carreira que abraçaram.

McGoohan, além de ótimo ator, versátil, convincente tanto em personagens heróicos como em vilões cínicos e frios, trabalhou em teatro com Orson Welles ainda bem jovem, no início da carreira.

Em algumas passagens de seus filmes, sente-se a influência que Welles exerceu sobre ele, no olhar levemente zombeteiro, de quem manifesta um profundo ceticismo diante de tudo que é oficial, imposto de cima.

Foi essa postura que muito ajudou no impacto produzido por “O Prisioneiro”, que, passados 40 anos de sua realização, permanece um dos pontos mais altos da história da TV mundial.

A idéia do seriado, assim como vários de seus capítulos, foi do próprio McGoohan, que teve de superar inúmeros obstáculos para levar seu projeto adiante.

Quanto a Montalban, foi um ator cuja carreira não acompanhei muito, em todo caso o suficiente pra notar como fez de tudo para livrar-se do estereótipo de “latin lover” em que Hollywood tentou aprisioná-lo.

Quando isso era totalmente impossível, diante da incompêtência dos roteiros e dos personagens ridículos que tinha de viver, conseguia, de um modo algo “brechtiano” criticar com humor as bobageiras a que era forçado por contrato.

Num momento como o atual, em que o noticiário sobre o mundo e sobre nossa política cada vez mais paroquial e cada vez mais corrupta nos deixa desalentados, é bom pensar um pouco nos momentos agradáveis que esses dois atores nos fizeram viver, do lado de cá da tela.

Luis Nassif

4 Comentários

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  1. Série citada também em “Os
    Série citada também em “Os Simpsons”.

    A Editora Globo lançou, nos anos 90, uma minissérie em quadrinhos em quatro partes, posteriormente encadernada.

  2. Registro a morte de Ricardo
    Registro a morte de Ricardo Montalban,um dos mais antigos atores latinos atuando em Holywood.Vi muitos filmes com êle e gostava do seu geito de mezzo galã.

  3. Devemos todos deitar uma
    Devemos todos deitar uma lágrima a esses dois senhores que se foram discretamente, assim foi discreta sua vida pessoal, longe das câmaras, e muito produtiva sua vida na carreira que abraçaram.
    McGoohan, além de ótimo ator, versátil, convincente tanto em personagens heróicos como em vilões cínicos e frios, trabalhou em teatro com Orson Welles ainda bem jovem, no início da carreira.
    Em algumas passagens de seus filmes, sente-se a influência que Welles exerceu sobre ele, no olhar levemente zombeteiro, de quem manifesta um profundo ceticismo diante de tudo que é oficial, imposto de cima.
    Foi essa postura que muito ajudou no impacto produzido por “O Prisioneiro”, que, passados 40 anos de sua realização, permanece um dos pontos mais altos da história da TV mundial.
    A idéia do seriado, assim como vários de seus capítulos, foi do próprio McGoohan, que teve de superar inúmeros obstáculos para levar seu projeto adiante.
    Quanto a Montalban, foi um ator cuja carreira não acompanhei muito, em todo caso o suficiente pra notar como fez de tudo para livrar-se do estereótipo de “latin lover” em que Hollywood tentou aprisioná-lo.
    Quando isso era totalmente impossível, diante da incompêtência dos roteiros e dos personagens ridículos que tinha de viver, conseguia, de um modo algo “brechtiano” criticar com humor as bobageiras a que era forçado por contrato.
    Num momento como o atual, em que o noticiário sobre o mundo e sobre nossa política cada vez mais paroquial e cada vez mais corrupta nos deixa desalentados, é bom pensar um pouco nos momentos agradáveis que esses dois atores nos fizeram viver, do lado de cá da tela.

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