Atenção! Antecipado o Dia Nacional da Cachaça, por Rui Daher

Nos alfarrábios, mais comuns são pinga, caninha, marvada, bagaceira, abrideira, parati, dengosa, uca, branquinha, mata-bicho. Um monte (ô Juncal, ajuda aí!).

Atenção! Antecipado o Dia Nacional da Cachaça, por Rui Daher

O Dia Nacional da Cachaça é comemorado em 13 de setembro. Baseado na sapiência das autoridades paulistas, peço vênia para antecipá-la para hoje. Sabe-se lá o que virá até lá.

Para nós, brasileiros, a cachaça ser reconhecida como patrimônio histórico e cultural é motivo de orgulho. Para mim, de bom-gosto etílico.

Creio que todos os países têm suas aguardentes destiladas, que podem se originar de cana-de-açúcar, cidra, trigo, batata, arroz, ameixa seca, uvas, e valham lá o que os diversos povos tenham para se alegrar. Não as conheço sintéticas, feitas a partir de polietileno, por exemplo.

Se leitoras e leitores pesquisarem, encontrarão mais de 20 sinônimos ou, melhor, alcunhas para o sagrado produto. Creio isso estar restrito aos dicionários, pois em minhas andanças por este país, em cada canto, encontro uma denominação diferente.

Nos alfarrábios, mais comuns são pinga, caninha, marvada, bagaceira, abrideira, parati, dengosa, uca, branquinha, mata-bicho. Um monte (ô Juncal, ajuda aí!).

Das diferentes marcas não dá nem para lembrar, tantas são elas. O IBGE poderia abrir uma divisão para tal estatística. O mesmo, das andanças em alambiques, um em cada fazenda ou sítio. Sempre haverá um caboclo, caipira, campesino, sertanejo, tabaréu, para falar: “Vou te levar num rapaz que faz uma cachaça, a “Igual Não Há”. Devo ter ido a mais de duzentos deles, e é sempre verdade.

Gosto mais das que ardem acima de 40 graus. Resolvem logo a parada. Literalmente. Abaixo disso, me parecem insípidas. Mesmo assim, no limite, e para não levar desgosto ao produtor, vão para a goela. Certos rigores acabam parecendo prepotência.

Leia também:  O pastel Martha Rocha:  memórias, homenagens, afetos, por Antonio Hélio Junqueira

Mesmo sendo uma droga lícita, se for dirigir não beba, mas caso não vá dirigir, faça-o com moderação. Nunca passe de dois litros por semana, a não ser em longos períodos de estiagem, quando altas doses podem ser diárias.

Essa porra de Covid-19 me trouxe 70 dias de distanciamento. Não, nada a ver com prejuízo à saúde, apenas patrulha familiar. Minto. Uma dose, aos domingos, é permitida.

Sem o elixir, acompanhando a economia mundial, caem meus índices de prazer, samba, poesia, leves entorpecimentos, desacordares e renascer dia seguinte em perfeito estado para continuar o calvário do agora.

“Ô, num tá na hora de começar a flexibilizar”?

Se não, em companhia de quem irei ouvir os sambas de Cartola, Nélson, o Cavaquinho e o Sargento, Elton Medeiros, Carlos Cachaça (êpa!), Luiz Carlos da Vila, Martinho, Zeca Pagodinho, e em São Paulo, Geraldo Filme, Oswaldinho da Cuíca, Germano Mathias, Adoniran, Vanzolini, Dona Inah?

É quando me lembro do bom Sr. Antônio, cuidador do túmulo da família, no cemitério do Araçá. Ele já sabe. Não permitirá flores ou ridículas coroas, com lemas, “saudades do pessoal de porra nenhuma”.

No lugar, peço vigorosos batismos para o santo anjo que se foi.

“Velho tão legal, alegre, inteligente, pena que bebia demais”.

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

1 comentário

Comments are closed.