Crônica de um reencontro esperançoso, por Rui Daher 

Cara, vamos ao ponto. Esqueça as intrigas que seu Conselho fez sobre a minha posição política e humanitária. Mato, se possível com lentidão e extremo sofrimento a todos os renitentes de direita

Harmônica revelado

Crônica de um reencontro esperançoso, por Rui Daher

O tempo todo da semana em que estive no Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e Sul de Minas, o novo membro do conselho consultivo do “Dominó de Botequim”, Alfredinho Bip-Bip, me procurou.

Não queria misturar as coisas. Estava lá a trabalho. Mandei apenas um recado: “Pera. Depois de três dias de trabalho insano, no momento, banho-me em águas sulfurosas de Poços de Caldas. Embora não seja Nassif, sou Daher e filho de Deus”.

Alfredinho entendeu. Mandou um zap: “Insano não é o trabalho, mas sim o atual governo. Já tomou muitas?”

“Todas, beijos insanos”.

Já na trágica cidade de São Paulo, comuniquei-me com o sábio.

– Porra, Rui. Quem você pensa que é? Banha-se, né? O Brasil todo ferrado, e o baixinho banha-se em águas termais.

– Cacete, Fredo, muito alto você, não? Trabalhei muito. Você não viu daí de cima? Tirei pra descansar apenas um sábado. Dei-me ao luxo. Trouxe queijos maravilhosos, manteiga, doce de leite com café, goiabada cascão, salame artesanal e duas cachaças excepcionais. Convide a turma e vamos comemorar nossa resistência.

– Rui, com todo respeito e amor, vá tomar no cu! Comemorar o quê? Nossa imensa covardia? Ligue para o Harmônica. Ele quer falar com você.

Merda. Tinha o esquecido. Enfim, aquela fase serviu para nada. Grande decepção, mas liguei.

– Oi Harmônica, tudo bem? Onde andas?

– Pelo sempre.

– Ah, entendi.

– Triste por você ter aceitado todas as desconfianças e calúnias que jogaram sobre mim. Acreditou mesmo em minha traição?

– Sei lá, Harmônica, não acredito mais nem mesmo em mim. Vivo confuso sobre como os brasileiros escolheram trazer-nos peste maior do que as europeias de séculos passados. Leio os melhores, penso, interpreto, e nada concluo.

– Calma, Rui. Ciclo de direita. Logo some.

– Mas e os estragos até lá?

– Você está velho, Rui. Sua história, como a minha, nunca foi muito acertada. Aliás, ninguém da esquerda a tem. Coisas antigas, aquele “filho, vá ser gauche na vida”. A gente vai e geralmente dá merda, tomamos no rabo.

– É. Puta bobagem defender os mais pobres. Os ricos tiram de letra: “sempre foi assim, vocês querem mudar o que Deus fez?”. Mas, danem-se, nunca me impedirão de enquanto vivo tentar mudar isso.

– Cara, vamos ao ponto. Esqueça as intrigas que seu Conselho fez sobre a minha posição política e humanitária. Mato, se possível com lentidão e extremo sofrimento a todos os renitentes de direita. Exemplo: dou alívio para Geraldo, Amoedo, Álvaro, Meirelles, whoever, mas nunca a contumaz banana, como Messias, filhos e ministros iletrados.

– Foi o que pensava quando começamos o projeto.

– Vai continuar. Pode acreditar. O que te contaram foram truques, disfarces para distraí-los. Estava muito visado. Você ajudou nisso. Esquece. Preciso de você. Topa me encontrar?

– Vai voltar ao Sírio-Libanês?

– Não. Mandarei instruções inseridas naquelas descrições que vêm nas contracapas dos rótulos de vinhos e que eu nunca consegui perceber: aroma de frutas vermelhas maduras, madeiras envelhecidas, uvas verdes colhidas antes do pôr-do-sol.

– Entendi. Como o café produzido com grãos cagados por gatos asiáticos.

Nota: Prestigiem as transmissões agrícolas feitas na página BIOCAMPO do Facebook. Acenos gerais.