A máquina do mundo (pós-Drummond), 2, por Romério Rômulo

E como tudo aqui só renascesse nuns rios podres e sem águas rasas eu pude me rever sem preconceitos.

A máquina do mundo (pós-Drummond), 2

por Romério Rômulo

E como eu não coubesse na montanha
de tanto entardecer aqui no alto
que sobra em reticências de navio

E como eu não soubesse de um braço
que no desvio da vida me coubesse
em tão mortais canções sem voz e pátria

E como tudo aqui só renascesse
nuns rios podres e sem águas rasas
eu pude me rever sem preconceitos.

Olhei meu antro, me calei de medo
como em quinhões de pedra eu me comesse
em cada gomo e me arrebentasse

Sobraram duras missões em minhas mãos
cobraram ouros que paguei sem medo
e me retive sempre em olhar pra nada.

Romério Rômulo

2 Comentários

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REGIS GONÇALVES

- 2022-02-03 18:39:44

O poeta se supera ao glosar Drummond e, mesmo sem pretender superá-lo, deixa um belo exemplo de leitura intertextual, tal como o próprio Drummond fez de Camões.

REGIS GONÇALVES

- 2022-02-03 18:39:26

O poeta se supera ao glosar Drummond e, mesmo sem pretender superá-lo, deixa um belo exemplo de leitura intertextual, a exemplo do que o próprio Drummond fez de Camões.

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