Projeto divulga festas populares no País de diversas origens, por Augusto Diniz

Portal Acervo de Tradições

Projeto divulga festas populares no País de diversas origens

por Augusto Diniz

O calendário no País de festas populares ligadas à música de matriz afro-brasileira, aos cortejos católicos e danças de outros grupos étnicos é extenso. Henry Durante, pesquisador de cultura popular, investiga algumas dessas manifestações no País.

O eixo de sua pesquisa está exposto no projeto Acervo das Tradições, que tem um interessante portal lançado em 2016 – acesse aqui. Com acervo documental de algumas manifestações culturais, o portal compartilha registros escritos e CDs de festas populares, representando um importante centro digital de memória cultural.

Em março, a Fundação Cultural Latin Grammy selecionou para subvenção o projeto Acervo das Tradições de Henry Durante com outros colaboradores. O projeto de pesquisa de cultura popular de Henry tem pelo menos 20 anos – recentemente, esta coluna resenhou um CD desenvolvido pelo Núcleo de Samba Paulista Bumbo do Japi em que o pesquisador faz parte; o registro é extraordinário (saiba mais aqui).

Veja a seguir as manifestações mais presentes no trabalho do pesquisador Henry Durante – com descrição do próprio:

Fandango caiçara

A cultura caiçara se desenvolveu principalmente nas áreas costeiras dos estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná e no norte de Santa Catarina.

O fandango é associado ao modo de vida caiçara. Sua prática no passado esteve vinculada à organização e prestação de serviços e ajuda na forma de trabalhos coletivos, onde o organizador oferecia como pagamento aos ajudantes voluntários um fandango, espécie de baile com comida farta.

A formação instrumental básica do fandango é composta por dois tocadores de viola, que cantam as melodias, um tocador de rabeca, e, no acompanhamento rítmico, um tocador de adufo ou adufe – espécie de ancestral artesanal do pandeiro. O cavaquinho também é bastante comum no Estado de São Paulo e na Barra do Ararapira, localizada no Estado do Paraná.

O grupo de Fandango Vida Feliz, fundado em 2005 por tradicionais fandangueiros de Cananéia (SP), é exemplo dessa tradição.

Congada

Dança que remete à coroação de reis africanos, introduzida no Brasil com a chegada de grandes contingentes de negros escravizados. A presença de irmandades leigas católicas constituídas por africanos de etnia bantu em diversas regiões brasileiras, fez com que se difundissem várias formas de manifestações dramáticas e/ou coreográfico-musicais de caráter guerreiro, estruturadas em torno das figuras do Rei do Congo, representante da cristandade, e de seu oponente pagão – Rainha Nzinga (Jinga), Embaixador de Luanda e outros.

As congadas, com seus instrumentos de batuques tradicionais, estão vivamente presentes nas festividades populares, seja por ocasião de comemorações regionais ou de datas do catolicismo popular. Em Aparecida do Norte, Vale do Paraíba paulista, a grande festividade dedicada ao santo preto recebe anualmente dezenas de grupos vindos de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.

Dança de São Gonçalo

Arraigado no catolicismo popular brasileiro, são numerosas as narrativas populares acerca dos feitos e atributos de São Gonçalo, o santo dos violeiros. Dança religiosa, deve ser realizada cercada de muito respeito.

Dança-se São Gonçalo em duas filas de pessoas, uma em frente a outra, encarregadas das palmas e dos sapateados. Os dançadores revezam-se perante à imagem do santo, posta em um altar, enquanto mestre e contramestre entoam a cantoria.

As festas de São Gonçalo no Brasil consistem muito em pagar promessas e agradecer graças alcançadas, e se realizam em datas variadas.

Folia de Reis

No ciclo que se inicia no dia 25 de dezembro e se estende até 6 de janeiro (Dia de Reis), são representadas passagens bíblicas relacionadas ao nascimento de Cristo, desde a perseguição empreendida por Herodes à Sagrada Família até a viagem dos Reis Magos e sua visitação ao menino Jesus.

Quando partem em peregrinação pelas casas de uma redondeza, encenando a jornada dos Reis Magos, as Folias de Reis no País costumam carregar, precedendo os músicos, um ou mais personagens mascarados, chamados comumente de palhaços. De forma geral, os palhaços nunca se deixam reconhecer, nem ser vistos sem as máscaras. Em certos grupos, os palhaços são proibidos de adentrar as casas, por representarem os soldados de Herodes.

A polifonia vocal está presente nos diferentes estilos de Folia de Reis (identificados como mineiro, goiano e baiano), sendo mais exuberante no sistema mineiro, em que as diferentes vozes da textura vão-se somando cumulativamente. Os instrumentos que acompanham o grupo são viola caipira, violão, caixa, reco-reco, afoxé, triângulo, surdo e pandeiro.

Festa do Divino

Festejos organizados ao Divino Espírito Santo estão presentes no Brasil, pelo menos desde o século XVIII. Bastante difundida no País, esta folia é celebrada no período de Pentecostes.

A parte musical da festa inclui a participação das bandas de música e das danças de cortejo de diversas origens. A festa no País se desenrola de forma muito variada.

No Maranhão, o culto é apropriado por sacerdotisas negras das casas de culto afro-brasileiro e obedece a um rigoroso ritual, conduzido pelas Caixeiras do Divino.

Em São Luiz do Paraitinga (SP), instituições e moradores se envolvem nas atividades de preparação do afogado (prato feito à base de carne bovina, servido com farinha de mandioca e arroz gratuitamente a população em um dia da festa), brincadeiras (como o pau-de-sebo) novena e procissão. Os festejos ocorrem com a presença de grupos de congada, moçambique, Dança de São Gonçalo e jongo. A bandeira do divino, com a pomba simbolizando o Divino Espírito Santo, se faz presente nos cortejos.

Redação

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