Maior barragem em área urbana do Brasil corre risco de rompimento

Estrutura da CSN na cidade de Congonhas (MG) é também considerada uma das maiores do mundo em área urbana e está próxima a comunidade de 5 mil habitantes  
 
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Reprodução/Prefeitura de Congonhas/CSN
 
Jornal GGN – A tragédia de Brumadinho (MG) deixou em alerta a população de várias partes do estado. Minas Gerais tem 688 barragens, segundo dados da Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Minas Gerais (Semad). Uma delas, a Casa de Pedra, na cidade de Congonhas, é uma das maiores barragens de mineração localizadas em áreas urbanas no mundo. 
 
A estrutura tem aproximadamente 76 metros de altura e capacidade de acumular cerca de 50 milhões de metros cúbicos de rejeito. A título de comparação, a barragem do complexo Mina Córrego do Feijão que se rompeu dia 25 de janeiro deixando, segundo os últimos dados oficiais, 87 vítimas fatais, 276 desaparecidas e 135 desabrigadas, abarcava aproximadamente 12 milhões de metros cúbicos de lama de rejeitos. Já a barragem de Fundação, que se rompeu em Mariana, jogou para o meio ambiente mais de 60 milhões de metros cúbicos. A diferença é que a cidade de Mariana está inserida em uma zona rural. Na tragédia de 2015, 20 pessoas morreram, sendo que uma está desaparecida até hoje.
 
Por causa do tamanho da estrutura e o fato de estar dentro de uma área urbana, a barragem de Congonhas tem classificação de risco 6, a mais alta da categoria. A comunidade mais próxima é a Residencial Gualter Monteiro, com 5 mil pessoas. Em caso de rompimento, rejeitos também se deslocariam por toda cidade, com 54 mil habitantes, além de atingir comunidades próximas.
 
 
Na noite desta terça-feira (29), a população de Gualter Monteiro organizou uma assembleia com a participação de representantes do Movimento Atingidos por Barragens (MAB) para cobrar proteção das autoridades e da CSN (Companhia Siderúrgica Nacional, privatizada ainda no governo Collor). 
 
No mesmo dia, a prefeitura de Congonhas divulgou uma nota de esclarecimento apontando que a CSN está sob “multa simples e diária”, desde meados de janeiro de 2019, por não cumprir medidas do Plano Municipal de Gestão de Barragens. A política pública, inédita no país, passou a valer em novembro de 2018, estabelecendo novos parâmetros de segurança.  
 
A prefeitura explicou ainda que, em 2014, a CSN solicitou um licenciamento ambiental para ampliar em 11 metros a altura da barragem. O processo encontra-se em análise na Secretaria de Meio Ambiente do estado, a Semad. Em 2015, a pedido da população, o prefeito Zelinho encaminhou um ofício ao órgão, contrário ao aumento da capacidade de Casa da Petra. 
 
“Julgando que tais medidas [do Plano Municipal de Gestão de Barragens] não foram cumpridas até meados de janeiro de 2019, a Secretaria de Meio Ambiente da Prefeitura de Congonhas remeteu o processo para lavratura de multa simples e diária, até que as empresas cumpram o que foi determinado, dando conhecimento ao Ministério Público, a Defesa Civil e ao Corpo de Bombeiros”. 
 
A nota fala em “empresas” que estão sendo autuadas, porque não é apenas a mineradora CSN que descumpre o Plano. O município tem oito estruturas em situação de risco: duas são da Vale S.A, quatro da CSN e duas da Gerdau Açominas.   
 
A secretaria municipal do Meio Ambiente afirmou, ainda, que estuda a criação de um projeto de lei prevendo: i) a proibição de alteamento de barragens na área urbana do município; ii) a exigência de que junto com a declaração de estabilidade, as empresas encaminhem uma declaração de anuência do diretor e de seu presidente, sob pena de responsabilização nas esferas civis e criminais no caso de rompimento; iii) implementar políticas para que as empresas promovam o descomissionamento de barragens e adotem novas tecnologias de beneficiamento e disposição de rejeito que não utilizem de barragens.
 
Reprodução/Prefeitura de Congonhas-MG. Publicado em novembro de 2018.
 

8 comentários

  1. Devem saber que em Congonhas

    Devem saber que em Congonhas do Campo está boa parte da obra do principal artista do Brasil colonial, o Aleijadinho, inclusive os Profetas…

      • Barragem…  Nao sei.  Mas

        Barragem…  Nao sei.  Mas Congonhas ja estava soterrada muito antes de eu nascer:  ate hoje nao corre um unico centavo do dinheiro do minerio por la.

  2. É recorrente o erro de chamar Congonhas pelo seu antigo nome

    Tenho visto que é recorrente o uso da expressão Congonhas do Campo para designar a cidade de Congonhas. O nome Congonhas do Campo vigorou até ser revogado pela Lei Mineira n° 336, de 27 de dezembro de 1948. Portanto, faz 70 anos que Congonhas não se chama Congonhas do Campo. O nome da cidade foi, em virtude da citada lei, abreviado para Congonhas. 

    Faço este esclarecimento sem o propósito de criticar a ninguém. 

    Feito este esclarecimento, concordo plenamente que em caso de a barragem estourar, o prejuízo cultural vai ser muito grande. Serão perdidas as principais obras do Aleijadinho, o Santuário do Senhor Bom Jesus será fatalmente destruído, e o ônus para o Brasil será imenso, visto que Congonhas é Patrimônio Cultural da Humanidade, pela UNESCO. E a repercussão no Exterior será imensamente negativa para o Brasil. 

     

    • (O nome historico eh pra

      (O nome historico eh pra diferenciar de uma outra cidade com o mesmo nome, pelo menos eh o que a gente ouvia quando pequenos.  Ja nao lembro do nome da outra “Congonhas de”.)

  3. Hei, eh so colocar um

    Hei, eh so colocar um pouquinho de terra vermelha em cima, eh o que nao falta por la!

     

     

    (Quando eu era pequeno eu pensava que Casa de Pedra era uma casa feita de pedras!  Sai de Congonhas aos 3 anos e meio, mas essa eh uma das pouquissimas lembrancas que tenho!)

  4. Mineradoras em MINAS estão acabando gradativamente c RESERVATORI

     Mineradoras em MINAS estão acabando gradativamente c RESERVATORIOS DE ÁGUA na REGIÃO METROPOLITANA DE BELO HORIZONTE.

     

            Meu nome e meu e-mail estão aí, mas não gostaria que fosse identificado. Por que é complicado falar dessas MINERADORAS, são muito fortes.

            Mas é triste ver os GRANDES RESERVATÓRIOS de ÁGUA ser assoreados aos poucos, devido a atividade mineral a montante das barragens.  O reservatório SERRA AZUL dá até dó, durante a grande seca dava para ver grandes bancos de areia. 

          A represa do SISTEMA RIO MANSO tambem esta indo para mesmo caminho. Isso é facil de se comprovar, basta ter uns tres dias de chuva muito forte, que a turbidez de um lago que normalmente seria de 4 a 8 ntu chega a 70 e as vezes até mais. O que isso significa, que a chuva esta lavando toda a encosta que das mineradoras ou as mineradoras estão soltando uma parte do seu rejeito, pois suas barragens na verdade a muito tempo já estão saturadas.

          No Rio Paraopeba antes dessa catastrofe era assim, chovia forte e uma turbidez de mais de 600 ntu que deveria cair apos dois dias sem chuva para menos de 50 ntu, continua com mais de 200 ntu. O que isto significa, MINERADORAS descarregando rejeitos, pois como todos sabem as barragens estão saturadas.

          E por fim O MINERODUTO está secando os rios e consequentemente difilcultando a recarga de represas. Para onde vai a agua do MINERODUTO MINAS RIO. 

           Bom fica aquim. Minha dica para uma exelente reportagem

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