Wings Network é acusada de ser pirâmide financeira nos EUA

Do Público.pt

Wings Network acusada nos Estados Unidos de burla através de pirâmide financeira
 
TOLENTINO DE NÓBREGA
 
Empresa operou em Portugal através da Tropikgadget que esteve licenciada na Zona Franca da Madeira.
 
A empresa Wings Network foi acusada pelo estado de Massachusetts de burlar cerca de nove mil investidores, entre os quais muitos brasileiros e portugueses, em 12,5 milhões de dólares (9,2 milhões de euros).
 
A Secretaria de Estado de Massachusetts acusa a empresa, que teve sede na Madeira onde sucedeu à Telexfree, de ser “uma pirâmide financeira mal-disfarçada”. Adianta que arrecadou milhares de clientes em apenas cinco meses com a promessa de que lucrariam ao atrair mais gente para o negócio. O presidente-executivo da Wings Network é Carlos Barbosa, um economista madeirense que vive em Portugal.
 
Segundo a acusação, citada pela agência Lusa, Barbosa realizou várias apresentações a cerca de 960 potenciais investidores em Massachusetts. A Secretaria de Estado de Massachusetts diz que a empresa atacava activamente as comunidades de língua espanhola e portuguesa. Em comunicado de imprensa, o secretário deste departamento, William F. Galvin, explicou que este caso é “outro exemplo de operadores sem escrúpulos, perseguindo comunidades de imigrantes vulneráveis com promessas de grandes riquezas, neste caso um meio falso de ‘download’ de conteúdo electrónico.”

 
Os clientes burlados compravam um pacote de 1.499 dólares (1.100 euros) e, caso conseguissem mais dois investidores, passavam a receber 750 dólares (551 euros) por mês. Com seis novos investidores, receberiam 550 dólares (404 euros) por dia. O esquema é semelhante ao da Telexfree, que fez centenas de milhares de vítimas em Portugal, particularmente na Madeira, e foi este ano proibida de actuar no Brasil e nos Estados Unidos.
 
A Wings Network apresentava-se como um negócio de marketing sustentado pelas vendas de produtos electrónicos. Numa nota no seu sítio da internet, diz ter suspendido voluntariamente e de maneira provisória a actividade. A empresa foi criada por Sérgio Tanaka, um brasileiro que detém 14 empresas nos Estados Unidos e é também um dos fundadores da Tropikgadget, registada em zonas offshore dos Emirados Árabes Unidos (Hamriyah) e em Portugal (Madeira).
 
Com o fim da Telexfree, alguns angriadores passaram para a Wings Network, empresa que actuou sob a fachada da Tropikgadget Unipessoal Lda, empresa inscrita na Zona Franca da Madeira entre Novembro de 2013 e Abril deste ano. A licença foi cancelada pelo governo regional, através de resolução publicada no dia imediato à notícia do PÚBLICO que associa a empresa ao escândalo Telexfree, porque estava a exercer actividades não compreendidas na licença que permitia beneficiar de isenções fiscais.
 
No início de Maio, os fundadores da Telexfree foram acusados nos EUA de fraude electrónica de mil milhões de dólares, em processo criminal aberto pelo Departamento de Justiça dos EUA em Worcester, no estado de Massachusetts. Esta pirâmide tem mais de três mil “promotores” em Portugal, havendo quatro, incluindo três residentes na Madeira, que figuram na lista oficial dos 30 maiores credores. O americano James Merrill, de 53 anos, foi preso, após ter sido conhecida a acusação, e o brasileiro Carlos Wanzele,de 45 anos, é considerado um fugitivo da polícia americana, com mandado de prisão federal, tendo a sal mulher sido detida quando pretendia abandonar os EUA.
 
Um mês depois, também em Massachusetts, os principais líderes do negócio Wings Network são os casais de brasileiros Vinícius e Thaís Aguiar e Geovani e Priscila Bento. Segundo a acusação, os primeiros obtiveram lucros de 1,3 milhões de dólares (900 mil euros) com o esquema com o qual os segundos terão recebido 164 mil dólares (120 mil euros). Todos os envolvidos, à excepção do economista Carlos Barbosa, foram acusados de vender activos irregulares e fraudulentos tendo sido ainda apresentada queixa na Divisão de Valores Mobiliários. A Wings mantem encerrado o escritório que tinha na Madeira, no número 24 do Caminho do Engenho Velho, no Funchal. 

 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

1 Comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.

Athos

- 2014-06-05 15:21:28

Okay

Okay

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Seja um apoiador