Brasil assina contrato, com a SAAB, para aquisição de 36 caças

 
Fonte: Agência Força Aérea

  A Força Aérea Brasileira assinou com a empresa sueca SAAB o contrato para aquisição de 36 aviões de caça Gripen NG. A primeira aeronave deverá ser entregue em 2019, e a última em 2024. A assinatura aconteceu nesta sexta-feira (24/10), nas instalações da COPAC (anexo ao prédio do Comando da Aeronáutica, em Brasília – DF).

O contrato envolve o treinamento de pilotos e mecânicos brasileiros na Suécia, apoio logístico e a transferência de tecnologia para indústrias brasileiras. O investimento total será de aproximadamente 13 bilhões de reais.

“Nós iremos transferir tecnologia e a capacidade de projetar e construir caças”, afirmou Hakan Buskhe, presidente da SAAB. A Embraer irá assumir um papel de liderança na fabricação local dos aviões, mas haverá também a participação de outras empresas brasileiras, como a AEL, Akaer, Atech e SBTA. “Vai ser um salto, não apenas para a Embraer, mas para a nossa indústria em geral”, completou o Tenente-Brigadeiro do Ar Alvani Adão da Silva, Diretor do Departamento de Ciência e Tecnologia Aeroespacial (DCTA).

O Brasil também participará do desenvolvimento do Gripen NG e será responsável pelo desenvolvimento da versão para dois pilotos. A encomenda brasileira envolve 28 unidades monoplaces (para um piloto) e 8 biplaces (para dois tripulantes).

O desenvolvimento e produção do Gripen NG possibilitará ainda a geração de milhares de empregos diretos e indiretos no país.

De acordo com o Brigadeiro do Ar José Augusto Crepaldi Affonso, presidente da Comissão Coordenadora do Programa Aeronave de Combate (COPAC), a assinatura ocorreu após dez meses de intensas negociações contratuais. “Nós atualizamos a proposta. Trouxemos os requisitos para um cenário mais moderno”, explicou.

As negociações foram iniciadas depois do anúncio do Gripen NG como vencedor da concorrência chamada de Projeto F-X2, realizado no dia 18 de dezembro de 2013. “Naquele primeiro momento a gente já estabeleceu um cronograma para a assinatura do contrato”, conta o Brigadeiro Crepaldi. A previsão era assinar antes do fim do ano. A assinatura na semana do Dia do Aviador (comemorado em 23 de outubro) também foi motivo de comemoração. “É muito simbólico para nós”.

O Gripen NG foi selecionado após análises de aspectos operacionais, técnicos, logísticos, de custos e de transferência de tecnologia. O relatório elaborado pela COPAC teve 33 mil páginas e incluiu análises das indústrias, dos projetos e de uma equipe formada por pilotos, engenheiros, oficiais de logística e de outras especialidades.

Marco tecnológico
A Suécia opera versões mais antigas do caça Gripen desde 1997 e já fez exportações para República Tcheca, Hungria, África do Sul, Tailândia e para a escola de piloto de testes do Reino Unido. Mas o Gripen NG, por enquanto, será recebido somente pela Suécia e pelo Brasil.

A aeronave incorpora tecnologias como o radar Raven ES-05, capaz de identificar alvos aéreos ou de superfície a um ângulo de 100 graus da sua antena, um sensor de busca infravermelho e datalink, que possibilita a troca de informações entre caças sem o uso de rádio. Quando entrar em serviço na FAB, o Gripen NG também será o único caça do Hemisfério Sul capaz de voar a velocidades supersônicas por longas distâncias, o chamado supercruzeiro.

“Há mais de 18 anos nós esperamos por esse momento. E com certeza vai inaugurar uma nova era operacional para a aviação de caça no Brasil”, disse o Tenente-Brigadeiro do Ar Alvani.

  As 36 aeronaves multimissão serão utilizadas pela Força Aérea Brasileira em atividades de defesa aérea, policiamento do espaço aéreo, ataque e reconhecimento. A primeira unidade aérea a receber o novo modelo deverá ser o 1° Grupo de Defesa Aérea, com sede em Anápolis (GO). O Esquadrão está sem aeronaves desde dezembro de 2013, quando foram aposentados os caças Mirage 2000. Atualmente, a defesa aeroespacial brasileira é realizada por jatos F-5EM.

Gripen C/D
Após a assinatura da aquisição dos novos Gripen NG, prosseguem as negociações da FAB com a Força Aérea da Suécia para a cessão temporária de caças Gripen nas versões C/D. As aeronaves, usadas, são menos avançadas que o Gripen NG, mas já superam os F-5EM atualmente em uso. O plano seria utilizar os Gripen C/D até o recebimento das aeronaves novas.

Leia também:  Suécia se afasta de estratégia flexível e avalia confinamento contra Covid

 

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12 comentários

  1. A lavagem cerebral

    Caças, escolhidos pelas FFAA, e que serão fabricados no Brasil e com tecnologia incorporada

    Tanques de guerra e blindados voltando a serem produzidos por aqui.

    Helicópteros com tecnologia avançada e transferida para o Brasil nas fábricas de Minas Gerais.

    Salários dos militares sendo melhorados a cada ano.

    E os militares anti-petistas por ideologia

    Ideologia que passou para a classe média com a força da informação manipulada da mídia.

    A classe média se volta contra o governo

    Situações bem parecidas com tristes episódios da nossa história.

    • Nâo é bem assim…
      Os caças

      Nâo é bem assim…

      Os caças terão, sim, transferência de tecnia e alguma agregação na capacidade de geração de tecnologia no Brasil. Pena que a decisão saiu agora; caso tivesse sido dada anos atrás, o envolvimento da insústria nacional teria sido muito maior. Mas, de toda forma, tá valendo! É bom lembrar também que foi sinalizada a construção de apenas 15 caças ( de um lote de 36) aqui no Brasil,

      Tanques não estão voltando a ser produzidos aqui e é preciso voltar na história para entender essa estória muito triste. 

      Os EC725 são apenas montados pela Helibras, que é uma controlada da Eurocopter (agora Airbus Helicopters), e transferência, há alguma coisa de tecnia – que já seria uma ganho imenso para o país – mas muito baixa e a um custo unitário desconfortavelmente alto, fora de razão, dado se tratar de um produto “de prateleira”, ou seja, já desenvolvido e atualmetne disponível no mercado em linha de produção. O EC725 nao é o último grito em tecnologia avançada e o Brasil não tem condições de desenvolver projetos de asa rotativa, tampouco está adquirindo, a despeito do discurso da empresa.

      A questão salarial nas FFAA é uma pauta pra lá de desajustada é fortíssima geradora de insatisfações. Há, sim, uma tabela de reajuste dos soldos dos militares em andamento, mas ela nem de longe refresca essa tensão, dadas as discrepâncias remuneratórias no âmbito do Poder Executivo. É de se esperar que um Coronel, último posto na carreira militar, após 35 anos de serviço, não ache isonômico receber menos que o inicial de um servidor do ciclo de gestão, por exemplo. 

      A ideologia anti-petista dos mlitares infeizmente é muito mais antiga que o movimento da mídia atual e tem bases inclusive no analfabetismo político desses quadros, o que é algo que eu particularmente não consigo entender.

      Saudações!

      • O programa HXBR, de 50

        O programa HXBR, de 50 aeronaves destinadas às Forças Armadas, com transferência de tecnologia, alto índice de nacionalização e um amplo envolvimento da cadeia industrial brasileira.

        http://www.helibras.com.br/noticias/acontece-na-helibras/helibras-entrega-primeiro-ec725-produzido-no-brasil/

        Tanques de guerra e outros blindados:

        http://noticias.r7.com/minas-gerais/minas-inaugura-fabrica-que-vai-produzir-novos-tanques-de-guerra-das-forcas-armadas-do-brasil-14062013

        Sobre os salários dos militares

        Sou ex – cadete da AMAN e mantenho contato com colegas de farda e troco informações com eles. Chega- se a coronel com 25 anos de carreira. Meu pai é coronel do exército e sei o que ele ganhava dez, vinte anos trás, e o que ganha agora.

        Saudações garance

        • Meu caro, o que a Helibras

          Meu caro, o que a Helibras coloca na sua página não pode valer muito neste aspecto, concorda? Essa é a versão da Helibras, que obviamente se pretende a mais ufanista possível. Melhor nos informarmos na literatura e páginas especializadas. Vejo o preço que pagamos pelas células, o preço de prateleira delas e o quê se faz aqui em Itajubá. Não estou desmerecendo ou apequenando essa compra, mas daí a dizer que há ToT no desenvolvimento de aeronaves de asa rotativa, tem muita estrada pela frente. Mas muuuita mesmo!

          Quanto aos “tanques”, sim, é muito bom que a Iveco (purissimamente italiana) – possa fazer um blindado que substitua o Urutu, mas daí a afirmar que estamos produzindo tanques, vai uma distância considerável. Há um desejo de o país voltar a projetar um tanque (tanque, e não carro de combate com pneumáticos, right?) como o Osório, mas esse plano ainda está na fase de… plano. Nese caso, diferentemente dos helis, o problema nem é tanto de expertise para projetar, mas de base industrial mesmo! O Guarani é um VBTP (veículo blindado de Transporte de Pessoal), e não um VBC (viatura blindada de combate), ou MBT (Main battle Tank), com as clássicas lagartas e robusta capacidade de obuseiro.

          Sobre os salários e carreira, enfim, se se chega a Coronel com 25 anos de serviço, ok. Mas os valores que mencionei dizem respeito ao oficial superior com 35 anos de serviço. Em verdade, os valores reais de um salário de Coronel eu não tenho, mas comparemos, então, o salário de um Oficial-General, digamos, um General-de-Brigada (e aí, meu caro, serão necessários os 35 anos de serviço mesmo): a coisa complica um pouco mais, pois, além dos R$ 9,2 mil do soldo, esse recebe + R$ 3 mil de Tempo de Serviço + R$ 2,7 mil de Habilitação Militar (CCEM, o doutorado deles, que, você deve saber, só uma pequena parcela dos oficiais chegam a fazê-lo + R$ 2,6 de Adicional Militar e + uns penduricalhos, como os R$ 0,16 (é isso!) de salário-família, o salário BRUTO desse Oficial-General será de aproximadametne R$ 17 mil, sendo o líquido de R$ 11 mil. Convenhamos, R$ 11 mil para um General com 35 anos de praça não é lá grandes coisas. Eu não sei o quê meu pai recebia há 10 ou 20 anos, mas o contra-cheque dele atualmente é precisamente esse.

          De toda forma (e corroborando com o teu raciocínio), eu também concordo que nesse momento há um movimento de retomada da indústria nacional de defesa – e isso é algo que merece destaque! – e de reequipamento das FFAA. Mas, ao mesmo tempo, mantém-se na boca dos pretendentes ao cargo máximo do Poder Executivo a ideia de que as FFAA servem para segurar criminalidade urbana, por exemplo. Ao mesmo tempo, ninguém não está nem aí para discutir questões de defesa, geopolítica e a própria PND de uma maneira profunda e dando relevância ao tema. O fato é que comprar heli, caça e aumentar o soldo ultra defasado em 9% a.a. não vai fazer o milical,analfabeticamente ideologizado como é,para para refletir sobre a pertinência ou não de se topar uma candidata do PT. E isso porque nem se deram conta que, votando no Aécio, estariam colocando o “Mateus” na VP. Isso foi o que eu achei mais surreal de tudo, ao verificar tantos militares sedentos sedentos pela vitória do Aécio.

          Cordiais saudações!

          • Maurício, é disso que comentei.

            A retomada da indústria de defesa irá gerar tecnologia que serão absorvidas por outras indústrias como ocorre nos EUA.

            Também sou contra as FFAA “segurar a criminalidade urbana”

            Há um estudo interessante sobre a defesa. É longo, mas  vale à pena:

            http://www.defesa.gov.br/arquivos/2012/mes07/lbdn.pdf

            Sobre a ideologização dos militares é algo que deve mudar com o tempo. Conheci um tríplice coroado, brilhante intelectual, que se distância dessa dicotomia de nós de um lado, eles do outro. Mesmo entre altos oficiais chamados na caserna de oficiais de tropa há aqueles que já não tem o “comunismo” ou algo que o valha como princípio central dos seus pensamentos.

            Acredito que desde os últimos governos militares só agora  começa a revalorização das nossas FFAA

            Um forte abraço

        • Se voce é ex cadete da Aman

          Se voce é ex cadete da Aman deveria ter uma noção melhor do que realmente seja forças armadas capacitadas para defender uma naçao.

          E nao somente ter unidades para apresentação em tempo de paz, unidades essas que alem de possuir um numero ridiculamente baixo para a função a qual se propoe , tem nos equipamentos utilizados um mix de obsolencia ou falta de condições tecnologicas para mante-los operacionais s/ apoio externo.

          É fato e ja disse isso inumeras vezes  que as FA Brasileiras só tiveram reequipamente decente durante os governos Civis, Jose Sarney dotou o Exercito com  uma aviaçao , FHC comprou um Nae que é velho porem fundamental para manter a doutrina e permitiu a MB ter sua aviaçao ( algo fundamental ) e o governo Lula tambem comprou muita coisa.

          Mas falta de visao de longo prazo e a verdade é que o Brasil nao tem condiçoes nenhuma de defender sua soberania memsmo com esses miseros 36 caças …

        • “Tanques de guerra” não

          “Tanques de guerra” não voltaram a ser construídos, mas já se encontram em estudo do EB em adquirir um projeto estrangeiro e desenvolvê-lo, como ocorreu com o blindado de transporte de tropa Guarani.

    • Caso o USA venha criar

      Caso o USA venha criar empecilhos  no uso  e vendas das turbinas soh colocarah a necessudade do Brasil recorrer aoutra fonte ao mesmo tempo que deseenvolve sua propra tecnologia neste ramo.  Nao acredito que os americanos vao querer ajudar o Brasil  a estreitar mais ainda suas relaccoes com China e Russia.

  2. + comentários

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