Os investimentos do governo federal em projetos militares

Sugerido por Gão

Da Folha

 
GUSTAVO PATU
IGOR GIELOW
 
Enquanto as Forças Armadas reclamam publicamente da falta de verbas para atividades cotidianas, dois projetos militares recebem os maiores investimentos do governo Dilma Rousseff neste ano.

Juntos, o Prosub, para o desenvolvimento de submarinos, e o KC-390, um avião de transporte e reabastecimento aéreo encomendado à Embraer, obtiveram R$ 2,5 bilhões do Tesouro Nacional até outubro, segundo levantamento feito pela Folha.

Os montantes destinados a cada uma das iniciativas superam os desembolsos com as principais obras de infraestrutura tocadas pelo governo, casos das ferrovias Norte-Sul e Oeste-Leste e da transposição do rio São Francisco.

Os dois projetos militares foram incluídos este ano no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento), que reúne os investimentos considerados prioritários e livres de bloqueios de despesas.

Se não chega a emular a famosa frase do líder paquistanês Zulfiqar Ali Bhutto de que “mesmo que tenhamos de comer grama, faremos a bomba atômica”, a situação indica o privilégio aos dois projetos considerados mais estratégicos para o país.
 
Graças ao impulso da Defesa, a área econômica evitou um fiasco maior no desempenho dos investimentos do Tesouro Nacional no ano, de R$ 46,5 bilhões de janeiro a setembro, segundo os dados oficiais mais atualizados.
 
Essa modalidade de gasto, que reúne a construção civil e a compra de equipamentos, acumulou alta de apenas 2,9%, abaixo da inflação, enquanto as despesas totais do governo cresceram 13,5%.
 
No mesmo período, a Defesa investiu R$ 6,5 bilhões, uma expansão de 32%. Entre os ministérios que mais investem, a taxa só é superada pela Integração Nacional.
 
O número contrasta, contudo, com a queixa dos militares. Os comandantes das três Forças estiveram na semana retrasada no Congresso Nacional para reclamar R$ 7,5 bilhões a mais no Orçamento da União de 2014, mencionando situações como o fato de que 346 das 624 aeronaves da Força Aérea estão no chão por falta de manutenção e de combustível.
 
O problema passa pelo fato de que o pagamento de pessoal, inclusive pensionista, come cerca de 70% do orçamento militar, previsto para R$ 72,9 bilhões no ano que vem. O gasto atual no setor está em 1,5% do Produto Interno Bruto, e a Defesa sugere que deveria ser de 2%.
 
TECNOLOGIA FRANCESA
 
Segundo a Defesa, além disso, tanto o Prosub quanto o KC-390 estão coincidentemente em momentos de maior desembolso –a construção de submarinos tem previsão orçamentária até 2024, por exemplo.
 
O Prosub (Programa de Desenvolvimento de Submarinos) prevê, com tecnologia francesa, construir base, estaleiro, quatro submarinos convencionais e um de propulsão nuclear até a próxima década.
 
Essa capacidade hoje só é detida pelos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU (Estados Unidos, Rússia, China, Reino Unido e França). Base e estaleiro estão sendo feitos no Rio de Janeiro, e o primeiro submarino já está em construção.
 
O segundo projeto, iniciado também em 2009, visa colocar no ar o primeiro protótipo do maior avião brasileiro no ano que vem. As peças já estão sendo produzidas.
 

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6 comentários

  1. O tal GUSTAVO PATU vai ganhar aumento

    do chefe, otavinho. Façanha:

    conseguiu enfiar “a área econômica evitou um fiasco maior no desempenho dos investimentos do Tesouro Nacional no ano, de R$ 46,5 bilhões de janeiro a setembro, segundo os dados oficiais mais atualizados” num artigo sobre os projetos militares.

    Muito bem! E é por isso que não leio mais a FSP.

  2. contratos e suas multas

        O “comunicador social” dos Frias, como é comum a estes profissionais amestrados, confunde duas realicdades distintas, uma é o problema do custeio em manter o minimo operacional das FFAA, que é completamente diferente dos investimentos industriais e tecnológicos ligados ao MinDef/MinCT&I/BNDES/ Empresas privadas nacionais e internacionais.

          Contratos internacionais de maturação longa, tipo do PROSUB e KC390, o primeiro com liderança da Odebrecht+ DCNS, e o segundo com liderança da EMBRAER + empresas internacionais, possuem multas estratosféricas, caso sejam quebrados, alem do que, em ambos programas, mais de 40 empresas nacionais e estrangeiras, todas privadas, realizam contratos entre si, muitas inclusive sub-contratando outras empresas, para fornecimentos especificos de equipamentos e serviços, durante toda a vigência estimada no contrato-Mãe.

          O “pasquim friatico”, poderia elencar outros contratos que estão em vigência, e não serão descontinuados: A1M, C95M, AF1M (A4 da marinha) – todos coordenados pela Embraer ; os celebrados através do sistema DSCA/FMS com o governo dos Estados Unidos: MH-16, M-113 Br, M-109 A5 + ; os vigentes com os europeus (EADS/AIRBUS/CASA/Helibrás): EC725 e P3AM ( garantidos por consórcio de bancos europeus e financiamentos governo – governo em garantia), um bom exemplo de como é uma aquisição de equipamento militar e integração de tecnologia local, é o que está sendo negociado com a Russia, referente a aquisição da defesa aerea, ou o do “pacote” que está sendo elaborado ( na surdina ) pela Boeing e Estados Unidos, ainda relativo ao FX-2 + KC + Aeronave Presidencial de longo alcance.

            Quanto as preocupações dos militares, elas são validas, no sentido que futuramente, com estes novos equipamentos disponiveis, o custeio das três forças, irá aumentar sensivelmente, portanto algumas medidas de carater administrativo, notadamente na area de recursos humanos, irão ser tomadas – a terceirização de algumas areas militares (manutenção, logistica e treinamento inicial), apesar da resistencia inicial, serão inevitaveis.

    • Como sempre nosso junior50

      entende muito mais do assunto em pauta da FSP que a soma de todos os especialistas da dita cuja!

      Só gostaria de colocar em discussão um custo orçamentário das FA que estas resistem ainda em analisar: o do serviço militar. Na França foram anos de resistência até a aceitação que o nível atual de tecnologia no setor de defesa só pode ser efetivo com profissionais. Esse fato com as limitações orçamentárias, sim na França também há, fez que há alguns anos já o “serviço militar obrigatório” foi extinto na França, o pais que criou, na Revolução francesa, o conceito de conscrição obrigatória…

      • SMO

        O SMO é um dos entulhos que ainda subsistem entre alguns oficiais-generais esclerosados, mas que ainda possuem muita voz no MinDefesa, o SMO não serve para nada, é impossivel formar um soldado efetivo em 12 meses.

         A reorganização adm/financeira/recursos humanos, enfrentará muitas resistências, e tanto o SMO, como muitas “bases”, “quartéis” ( principalmente os situados na região sudeste), deverão ser fechados.

  3. o KC não é das forças

    o KC não é das forças armadas, mas da empresa privada EMBRAER, portanto os militares não estão recebendo nada, pois ainda terão que pagar pelos aparelhos que vier a comprar.  O submarino sim é um investimento, mas as forças armadas não vivem somente disso, e necessario compra de fardamento, combustivel, alimento, manutenção de equipamentos, e reposição dos antigos como os caças,  e isso não tem ocorrido!

    • Exatamente.
      Isso é só

      Exatamente.

      Isso é só política travestida de notícia. Querem dizer que o governo gasta mal.

       

      Só pode ser uma piada dizer que o Governo prioriza gastos militares. Vivem num universo paralelo…

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