Cientistas conseguem transformar cimento líquido em metal

Elétrons são recombinados, transformando as características dos compostos em novos materiais.

Jornal GGN – Um grupo de cientistas de Estados Unidos, Japão, Finlândia e Alemanha conseguiu um feito digno das mais antigas crenças da alquimia. Por meio de uma técnica conhecida como “captura de elétrons”, os pesquisadores foram capazes de transformar cimento líquido em um composto similar a metal líquido. De isolante, o novo material se tornou um excelente condutor de calor e eletricidade, abrindo novas possibilidades para a indústria de eletrônicos. A novidade foi publicada na revista Proceedings, da Academia Nacional de Ciências dos EUA.

Antes da pesquisa, os cientistas só haviam tido êxito no processo de captura de elétrons em misturas contendo amônia. Para converter cimento em metal, a técnica consiste em um cuidadoso processo de fusão do óxidos de cálcio e alumínio que compõe a maienite – elemento muito comum nas misturas de cimento. A fusão ocorre quando esses materiais são aquecidos a dois mil graus Celsius por um feixe de laser, enquanto toda a mistura é mantida longe de contato com qualquer superfície graças ao apoio de um equipamento de “levitação” aerodinâmica. 

Como parte resultante do processo, os elétrons da mistura do cimento líquido são então recombinados de forma que fiquem “presos” até que a massa se torne física e quimicamente parecida a uma estrutura de vidro, porém com características de metal líquido. Durante o processo, são criados diferentes ambientes para controlar a forma com a qual o oxigênio se liga ao material resultante, o que facilita a formação de pequenos cristais que, aos poucos, vão esfriando até que o “metal líquido” atinja a constituição similar ao vidro. Nesse ponto, o novo material já é capaz de conduzir calor e eletricidade.

Novos átomos

A técnica de captura de elétrons é alvo de estudos dos cientistas porque ainda não há a total compreensão do processo. Durante a recombinação eletrônica, elétrons e átomos podem ser unidos com prótons, formando nêutrons e até mesmo neutrinos. De acordo com os cientistas, é possível até mesmo criar novos átomos por meio da captura eletrônica.

O “metal-vidro” produzido pelo processo é menos propenso à erosão, graças às suas qualidades de vidro, e menos frágil do que o vidro normal, graças às suas qualidades de metal. Ao contrário do que ocorria no processo feito com compostos de amônia, apenas os metais resultantes mantêm características do que os cientistas chamam de “vidro metálico”.

Os pesquisadores agora pretendem testar a técnica com outros compostos para saber se o resultado também será um novo tipo de material condutor de calor e eletricidade.

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