Novo estudo pode amenizar efeitos do transtorno obsessivo-compulsivo

Jornal GGN – Pelo menos 1% dos adultos dos EUA sofre com o chamado TOC, sigla para Transtorno Obsessivo-Compulsivo. Mas neurocientistas do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) publicaram estudo que lança uma luz no sentido de amenizar os efeitos do problema. A pesquisa mostrou que os efeitos do TOC foram reduzidos em ratos ao se bloquear a ativação de um circuito cerebral que controla o comportamento compulsivo, abrindo novas possibilidades de tratamento até para patologias similares, como a síndrome de Tourette.

Atualmente, o tratamento mais comum em pacientes com TOC funciona com medicamentos ansiolíticos ou antidepressivos, terapia comportamental ou uma combinação dos dois. Quando os pacientes não respondem aos tratamentos convencionais, uma saída muito usada pelos médicos é a estimulação cerebral profunda por meio de impulsos elétricos gerados em um aparelho de marcapasso implantado no cérebro do paciente.

Para o novo estudo, a equipe do MIT usou, nos ratos, uma técnica conhecida no campo da neurociência como “ótica-genética”, na qual as atividades individuais de neurônios são controladas com luz. A técnica ainda não é utilizada em humanos, mas o estudo pode ajudar os pesquisadores a identificar os padrões de atividade do cérebro humano que sinalizam o início de comportamento compulsivo, o que lhes permitiria maior precisão sobre o tempo empregado para estimulação cerebral profunda.

Controlar a compulsão

Os estudos também revelaram que o cérebro dos ratos que apresentam comportamentos compulsivos possuem baixas quantidades do gene Sapap3, responsável pelo processamento de uma proteína que atua nas sinapses dos neurônios em uma parte do cérebro relacionada ao comportamento repetitivo e a outras funções gerais, como tomada de decisões, planejamento e resposta a recompensas.

Durante os experimentos, os pesquisadores estimularam o gene Sapap3 dos ratos para gerar, em momentos específicos, o comportamento compulsivo, permitindo identificar as áreas mais atuantes durante os momentos de compulsão. Assim, os pesquisadores foram capazes, do mesmo modo, de interrompê-lo. Para fazer isso, os neurocientistas usaram uma estratégia de condicionamento de comportamento que consiste em uma série de estímulos externos, como a colocação de uma gota de água no nariz do rato precedido, alguns segundos antes, pela emissão de um som. A estratégia se baseia no trabalho terapêutico com pacientes com TOC, que se utiliza desse mesmo tipo de condicionamento.

Depois de centenas de testes iguais, os ratos normais e os cerebralmente estimulados tornaram-se, ambos, condicionados pela emissão do som. A diferença era que os ratos normais esperavam um pouco mais para reagir, um resultado conhecido como “otimização”, porque evita que os roedores façam esforço desnecessário. Tal otimização de comportamento, contudo, nunca aconteceu nos animais que receberam os estímulos cerebrais com luz nos genes Sapap3, sugerindo que sua capacidade de suprimir o comportamento compulsivo foi prejudicada.

Comunicação cerebral

Os pesquisadores acreditam que a comunicação entre as áreas do cérebro relacionadas aos hábitos e o neocórtex, que respondem pelas funções superiores, podem substituir os comportamentos mais simples, resultando no comportamento compulsivo dos ratos. Para testar a tese, eles usaram a técnica de estímulo neural pela luz, permitindo controlar a atividade de células cujas proteínas são sensíveis à luz.

Tais células sensíveis à luz são responsáveis pelo envio de mensagens para as áreas do cérebro responsáveis pelos hábitos. Ao serem estimulados pela emissão sonora, os ratos que foram submetidos aos estímulos luminosos no cérebro interromperam o comportamento compulsivo quase que totalmente. Para os pesquisadores, os sinais enviados pelos neurônios corticais a um grupo muito pequeno de neurônios inibitórios, na região responsável pelos hábitos, “cortaram” o comportamento compulsivo.

Os responsáveis pelo estudo estão procurando, agora, identificar os marcadores de atividade cerebral que poderiam revelar quando um comportamento compulsivo está prestes a começar, e não já atuante, para ajudar a orientar o desenvolvimento de novos tratamentos de estimulação profunda do cérebro de pacientes com TOC.

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