Pesquisadores criam sensor que detecta a presença de pesticidas na água, solo e alimentos

Jornal GGN – Pesquisadores do Instituto de Física de São Carlos (IFSC), ligado à Universidade de São Paulo (USP), e da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) desenvolveram um biossensor capaz de, em curto espaço de tempo, detectar a existência de pesticidas na água, no solo e nos alimentos. O estudo foi motivado pela existência de grandes índices do pesticida metamidofós – inseticida utilizado em lavouras de amendoim, tabaco, pimenta e trigo, suspieto de causar a morte de trabalhadores rurais por hemorragias e suicídios – nos lençóis freáticos e nas grandes lavouras em Mato Grosso.

O biossensor é constituído por uma película fina, em escala nanométrica, na qual é imobilizada a enzima acetilcolinesterase (exatamente igual à que existe no cérebro humano). Quando a enzima entra em contato com as moléculas do pesticida, sua ação é inibida, produzindo menos prótons quando comparada com a enzima sem a presença do pesticida. A película, então, é inserida em um aparelho que faz a leitura da diferença de prótons, acusando os índices de contaminação.

O equipamento – já patenteado – foi construído exclusivamente para detectar o pesticida metamidofós, mas, de acordo com os pesquisadores, ele pode ser adaptado para detectar outros pesticidas que pertençam às classes dos organofosforados ou carbamatos. O pesticida metamidofós penetra facilmente no solo e, consequentemente, nos lençóis freáticos. Ingerido pelo organismo, ele interage no sistema nervoso central, causando danos irreversíveis ao cérebro, podendo, inclusive, levar à morte.

O professor Francisco Eduardo Gontijo Guimarães, da UFMT, explica que o biossensor é o primeiro registro de patente da universidade, em quarenta anos de existência. Atualmente, todas as análises referentes à contaminação por pesticidas no Mato Grosso são enviadas para São Paulo ou Rio de Janeiro. Com o biossensor, a resposta às análises poderão ser feitas em poucos minutos, sem o envio de amostras para outras regiões.

Agora, a equipe de pesquisadores trabalha para encontrar investidores na tecnologia, para a produção em larga escala e, posteriormente, colocar o produto à venda no mercado. Do tamanho de um medidor de índices de diabetes, o aparelho, estimam os pesquisadores, deverá custar entre R$ 100 e R$ 200.

Contaminação

De acordo com pesquisa da própria universidade, o uso do pesticida pode ameaçar mananciais no Brasil e em países de fronteira. “Se a região do Pantanal poderá ser ameaçada por este pesticida, pela sua localização, outros países que fazem fronteira com o Brasil poderão sentir também esse perigoso efeito, até porque a contaminação pode chegar aos reservatórios de água potável e aos grandes rios do estado”, explica Izabela Gutierrez de Arruda, pós-graduanda no IFSC e integrante do projeto de pesquisa.

A UFMT já constatou a presença de vários tipos de pesticidas nos principais rios, poços artesianos e até em animais, no Mato Grosso. Também já foi comprovada a existência de índices de pesticidas no leite materno de mulheres da região. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) está com um processo aberto para banir o pesticida metamidofós do mercado, proibindo sua produção, tal como já acontece em vários países da União Europeia.

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