Refundação do Brasil: Guilherme Estrella e o papel da Petrobras na industrialização brasileira

“Estão transformando o Brasil em uma colônia do cassino financeiro internacional”, analisa o pai do pré-sal

Geólogo e ex-diretor da Petrobras Guilherme Estrella. | Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Jornal GGN – Considerado o pai do pré-sal, Guilherme Estrella analisa o papel da Petrobras na industrialização brasileira no episódio desta quinta-feira, 27 de agosto, da  série Refundação do Brasil, exibida na TV GGN. O jornalista Luis Nassif comanda a entrevista com Estrella, que também foi diretor da estatal petrolífera.

Estrella abre a conversa explicando os processos de industrialização nas nações e como os Estados Unidos se tornou o protagonista mundial na cena geopolítica do século XX, a partir da descoberta do petróleo.

Já o Brasil, por meio da Petrobras, se torna um grande ator no setor de desenvolvimento a partir de 2006 com o pré-sal, a maior província petrolífera descoberta nos últimos 50 anos, “que deu ao país uma soberania, estabilidade e uma segurança energética jamais vista antes”, pontua o especialista.

No entanto, Estrella destaca que a partir do golpe de 2016 a Petrobras perde seu protagonismo de construir um projeto nacional e volta ao seu modelo inicial – construído no governo de FHC, para tornar um setor de investimento financeiro. “De 2016 pra cá, isso vem se aprofundando de uma maneira intensa, ao ponto de com esse governo [Bolsonaro] a Petrobras perder todo seu compromisso com o povo brasileiro e o desenvolvimento nacional e industrial”, comenta.

“Esse movimento de privatização do governo Bolsonaro, na figura de Paulo Guedes, não privatiza para o ‘capitalismo produtivo’, mas para o ‘capitalismo financeiro’ que não tem nenhum compromisso com a produção, mas com o lucro máximo”, dispara o entrevistado.

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Ainda, segundo Estrella, nos últimos anos a organização perdeu seu papel de empresa estatal, com grande influência na geração de empregos, na dinamização das economias locais e sua influência, inclusive, na promoção da cultura. “Estão transformando o Brasil em uma colônia do cassino financeiro internacional”, afirma.

Estrella também explica como funcionava as redes de pesquisas da Petrobras em parceria com institutos científicos e universidades. Para ele, essa era uma base sólida para o desenvolvimento nacional autônomo, uma vez que a indústria avança a partir de novas tecnologias.

Petrobas, a petrolífera empresa de energia 

Questionado por Nassif sobre os embates da Petrobras como empresa de energia, Estrella aponta que esta é uma tendência mundial das petrolíferas, já que elas se preparam para um futuro “em que energias alternativas terão cada vez mais presença na matriz energética mundial”.

No entanto, de acordo com o especialista, enquanto o Brasil tem a matriz energética mais equilibrada no planeta – entre fósseis e alternativas – a desigualdade social se torna um importante fator sobre a ineficiência da Petrobrás enquanto empresa de energia.

Isso, porque o consumo de energia por habitantes no país é baixo. Este fator é usado como parâmetro para medir a qualidade de vida das pessoas e, no caso do Brasil, reflete “a distribuição absolutamente inaceitável da riqueza nacional”, diz Estrella

Durante a conversa, o especialista ainda pontua a falta de reação de organizações sobre o desmonte da Petrobras, as fragilidades do capitalismo financeiro exacerbadas pela pandemia do novo coronavírus, a situação dos estaleiros e a desindustrialização do Brasil. Confira a entrevista na íntegra:

 

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