A Questão do Valor e a Morte da Morte de Marx, por Arnobio Rocha

O tal delírio comunista deveria ser o de conhecer o Kapital, nem que fosse por curiosidade literária.

Marx e a morte recorrente.

A Questão do Valor e a Morte da Morte de Marx

por Arnobio Rocha

em seu blog

 O Dinheiro não é apenas um objeto da mania do enriquecimento, mas sim O seu objeto. A mania de enriquecimento é por essência auri sacra fames*” (Grundrisse, Marx)

Há formulações, aparentemente pequenas, não obstante, cruciais para a compreensão de um sistema tão complexo, ajudam como explicação essencial a disputa de projetos, de vidas e de existência humana. Sem embargo, a que me refiro, como centro de todos os debates, que vem atravessando por mais de 150 anos a esquerda, é a questão do Valor, da formação de Kapital, da reprodução, circulação e realização.

A maior descoberta de Marx, um observador atento, cientista, pesquisador com profundidade e de escrita tão sedutora e envolvente, que a leitura do Kapital deveria ser feita, primeiro, como uma curiosidade estética, de indicações literárias e amplo conhecimento do pensamento humano, em suas obras há um apanhado histórico, não apenas de economia e filosofia, mas de passeio pela produção cultural da humanidade.

O tal delírio comunista deveria ser o de conhecer o Kapital, nem que fosse por curiosidade literária.

Assim, com o primeiro desejo (literário) saciado, pelos milhares de links (sem google) que você encontrará na sua enorme obra, cujo norte é a questão Valor, repito, se isso não lhe atrair, amarrar, pode seguir e ler os filósofos e os escritores gregos, Shakespeare, Goethe, economistas clássicos, entre tantas outras coisas, ali mencionados.

Valor como síntese da sua produção (Kapital), passando pelo seu excedente (Lucro) até à sua apropriação privada (luta de classes), fundam uma concepção teórica, conceitual, de todos os sistemas econômicos, do capitalismo em particular, em todas as suas fases, inclusive a atual de desenvolvimento.

Essa teoria, a do Valor, tem como base a vida material real da humanidade, em todos os seus vários estágios na terra, desde as cavernas à sociedade ultramoderna e quase virtual.

A negação da Luta de classes, ou de que não haja mais produção de lucro pelo extraordinário avanço tecnológico, ou seja não há mais Valor em si, faz parte da luta ideológica (política) que visa desarmar a Classe trabalhadora em geral, o que, por si, eleva os ganhos do Kapital.

Dentro desse contexto, da disputa ideológica, Marx é constantemente Negado, à esquerda e à direita, alguns dizem que são pós-Marx, o que não deixa de ser risível, pois a simples menção ao seu nome cria uma contradição sobre a teoria por ele desenvolvida, claro que isso vira quase uma necessidade de lutar contra um fantasma, aquele mesmo que ronda a Europa e o mundo.

Marx morreu. Viva, Marx!

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3 comentários

  1. Ao esconder a teoria marxista do Valor, o Capital propõe conceitos como Meritocracia e Empreendedorismo, na tentativa de caracterizar que a riqueza é democraticamente distribuída e, para acessá-la, só é necessário ter iniciativa e competência. Mas, felizmente, os ensinamentos de Marx sobrevivem e a Luta de Classes não vai acabar por decreto ou pela geléia ideológica difundida pelo Grande Capital.

  2. A propósito, nunca é demais lembrar que a concepção da composição orgânica do capital, tal como o gênio de Trier a expôs, fornece a única perspectiva adequada para se compreender a transição do modo de produção capitalista para o comunismo, através do socialismo. Com efeito, as transformações e as supressões planejadas e concretizadas de seus elementos integrantes, encaminhadas a fazer dos indivíduos verdadeiros donos de si mesmos, ao longo do tempo e das circunstâncias materiais produzidas pela sociedade, são o piso seguro por onde segue, com certeza, a torrente revolucionária do marxismo.

  3. Não creio que devamos ler Marx como o cristão lê a Bíblia, meu caro. A teoria do valor-trabalho, sem dúvida é uma descoberta fundamental, que desvenda os fundamentos ocultos do capitalismo, não apenas como sistema econômico, mas como sistema social e como cultura (em termo antropológicos). Isto faz de Marx, em minha opinião, o maior pensador da era moderna (do Renascimento até hoje).

    Mas a teoria do valor e seus conceitos desenvolvimento por Marx (capital, trabalho e ate mesmo os conceitos de economia e dialética) não parecem ser universais, como tem demonstrado a antropologia e a historiografia: são aplicáveis somente à modernidade capitalista e não a sociedades imperiais ou tribais pré-capitalistas, às quais os conceitos marxistas não se aplicam, inclusive o que entendemos por trabalho e valor.

    Outro problema da teoria marxista é se sua concepção de luta de classes (operariado x burguesia) vale para todos os momentos do capitalismo e se o operariado é um sujeito históricos capaz de emancipar a sociedade do capitalismo. Creio que a resposta para as duas questões é não. Mas nada disso tira o brilhantismo de Marx em descobrir os “segredos” mais ocultos do capitalismo com sua teoria do valor-trabalho, válida ainda hoje – e enquanto durar o capitalismo.

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