Da perversidade atávica e a cumplicidade com o mal por parte do empresariado brasileiro, por Eduardo Ramos

Este artigo nasceu da notícia sobre o jantar em São Paulo, no dia 07 de abril, com o presidente e alguns ministros, acompanhados por algo em torno de 20 grandes empresários do país

Poder360

Da perversidade atávica e a cumplicidade com o mal por parte do empresariado brasileiro

por Eduardo Ramos

“Ditado popular alemão diz: Se dez pessoas estiverem à mesa e um nazista se sentar e ninguém levantar, então serão onze nazistas sentados à mesa.”

Foi com essa frase, que Ricardo Mezavila iniciou seu excelente artigo, “De homens e meninos”, no GGN, em 08/04/2021.

Peguei-a emprestado porque é perfeita para os raciocínios que quero desenvolver nessa reflexão sobre o empresariado brasileiro e sua “vocação natural”, de tão atestada ao longo da História, para se aliarem a tudo de hediondo, injusto, degradante, que o poder, no Brasil, impõe ao povo brasileiro.

Este artigo nasceu da notícia sobre o jantar em São Paulo, no dia 07 de abril, com o presidente e alguns ministros, acompanhados por algo em torno de 20 grandes empresários do país, entre eles, para espanto nosso, representantes do Bradesco, da CNN Brasil e do BTG Pactual. O presidente teria sido ovacionado ao final do jantar.

Liguemos agora, a frase inicial desse texto à essa última: 19 empresários sentaram-se à mesa com Bolsonaro. Nesse aspecto, são piores do que os dez homens que, em se sentando um nazista junto com eles à mesa, não se levantaram. Aqueles, pecaram por omissão, covardia, o que for… Estes, por ação direta! Organizaram o jantar, aceitaram dele participar, beberam vinho, riram, conversaram, fizeram pedidos certamente, e ao fim, OVACIONARAM UM PRESIDENTE QUE O MUNDO APONTA COMO UM GENOCIDA DO SEU PRÓPRIO POVO!

Como qualificar seres humanos capazes de tamanha degradação, tamanha vergonha, tamanha sordidez e ausência de pudor e humanidade…?

O que é tragicamente interessante – e motivo de estudos aprofundados… – é que qualquer um deles, se lesse esse artigo, riria, em absoluta indiferença. Porque para gente que desce a esse nível, qualquer valor humano, qualquer valor civilizatório, já se perdeu por completo.

Homens como Luiz Carlos Trabuco, do Bradesco, André Esteves, do BTG Pactual ou David Safra, do Banco Safra, são inteligentes, cultos, conhecem o mundo civilizado, têm amigos nos países mais avançados. Impossível não terem tido, MILHARES DE VEZES, contato com políticas públicas decentes, dignas, países sem pobreza e miséria, presidentes e primeiros-ministros dignos… É exatamente esse ponto que os empurra para um esgoto moral e ético sem precedentes em nossa História! Que álibi podem usar para si mesmos, para seus clientes (embora seus clientes sejam na maioria como eles, não se importam com dignidade humana ou o que é justo, vale o lucro bilionário a qualquer custo!), para seus familiares, para ovacionarem como cachorrinhos amestrados um ser vil e abjeto como Bolsonaro?!? – e, na verdade, não há álibi, pior, eles não precisam, nem estão a busca de álibi algum: basta-lhes, existencialmente falando, o poder, a alegria de acharem (e podem estar certos…) que estão manipulando o ser bestial, e a mente girando, sôfrega, sobre os bilhões que cada um deles ganhará, enquanto brasileiros morrem como moscas…

Paro por aqui! Nem um livro de mil páginas daria conta do que é o atual empresariado brasileiro. São pessoas como “o véio da Havan” e Carlos Wizard Martins, são do nível apequenado e medíocre de um Alberto Saraiva (Habib’s) e um Rubens Menin (CNN e MRV).

Quando um país tem empresários desse tipo de gente (??? sic…), sabemos que nada de útil, nada de sábio, nada de justo, nada de solidário, nada de civilizado, nada de HUMANO poderá vir para transformarmos o Brasil em um país mais justo e menos miserável e humilhante….

Nosso empresariado é do tipo que não só não se levanta quando o nazista chega: eles o ovacionam!

(eduardo ramos)

As opiniões contidas neste artigo não traduzem necessariamente as do Jornal GGN

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