O debate latrinário, por Henrique Matthiesen

O que interessa é agredir e ser o mais bestial possível. A exaltação à insciência, à ignorância e aos links de impropérios permeiam o debate político.

O debate latrinário

por Henrique Matthiesen

Tempos difíceis estamos vivendo em que a imbecialização no debate político se tornou majoritária. Não se argumenta mais; apenas, insulta-se, agride-se, grita-se,  ou seja, vulgariza-se.

 As ideias perdem espaço para as lacrações e para as manchetes apelativas que buscam  polarizações bestiais desprovidas de fecundidades que, apenas, contribuem para o processo inurbano.

O que interessa é agredir e ser o mais bestial possível. A exaltação à insciência, à ignorância e aos links de impropérios permeiam o debate político.

A palavra perdeu conteúdo e a leviandade ganhou espaço, e com isso os bestiais ganharam as pautas ditando suas ignorâncias e transformando a política num verdadeiro “Fla-Flu” de várzea , onde ninguém escuta ninguém. O que vale é desconstruir e esvaziar.

Analfabetos elevados a intelectuais, escritas atentatórias a língua portuguesa são exaltadas como análises conceituais; conjugações verbais agredidas, concordâncias nominais e verbais insultadas, acentuações e pontuações desprezadas, regras autográficas enxovalhadas; enfim, vivam os analfabetos funcionais e a nova cepa do pensamento político pátrio.

Sábio Umberto Eco – escritor, filósofo, semiólogo e linguista – quando proferiu a seguinte frase: “As redes sociais dão o direito à palavra a uma legião de imbecis que antes falavam apenas em um bar e depois  de uma taça de vinho, sem prejudicar a coletividade”.

A bodegada da política e da análise é uma chaga do obscurantismo que vivenciamos.

As redes sociais, consagradora de ignorantes, transforma a mediocridade em excelência, a língua portuguesa em desuso, os projetos em teses mortas, o debate desértico, e a ciência em extinção.

O que vale é a manchete apelativa, as lacrações, o estelionato intelectual, o debate latrinário e o engodo.

Pobre e marginalizada Ciências Sociais, assistimos o naufrágio acadêmico amarfanhado por uma legião de incultos, adoradores e seguidores dos parlapatões, das análises e da existência.

Populistas amorais que desconhecem qualquer senso ético, atuam como bestas feras arrogantes e ignorantes na busca pelos holofotes enganosos.

Acreditam tocar os berrantes, quando na verdade são apenas integrantes de manada manipulada a serviço da bestialização e da cultura do ódio.

Incapazes de saírem das palavras de ordem vazias são robóticos treinados e catequizados para servirem ao empobrecimento da política, ao retrocesso civilizatório e ao anacronismo social; enfim, são essencialmente vulgares.

Bestiais contra a ciência são agressivos e audaciosos na sua arte do aleive, afinal, não resistem muito ao argumento fecundo, assim como não suportam a constatação de suas miseráveis ignorâncias, pois para as análises e conjecturas de botecos não há critérios, nem necessidade de ciência.

Viva eles que fazem parte da legião de imbecis identificados por Umberto Eco.

Henrique Matthiesen – Bacharel em Direito. Pós-graduado em Sociologia

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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1 comentário

  1. E isso está permeando a sociedade inteira, até em sites de esquerda (nao vi aqui neste site, mas em muitos outros vi piadinhas homofóbicas e até defesa da tortura quando aplicadas a “inimigos”). O que é profundamente antidemocrático, afinal metade da populaçao brasileira votou no Bozo, nao é razao para serem escrachados. Quem duvida do que estou dizendo, abram os tópicos que dois dos principais sites de esquerda abriram sobre o caso do Dr. Victor Sorrentino. É de dar vergonha aos leitores.

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