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Tchau, tchau União Europeia, por Fábio de Oliveira Ribeiro

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Tchau, tchau União Europeia, por Fábio de Oliveira Ribeiro
Arte na Rua - Decroux

Tchau, tchau União Europeia

por Fábio de Oliveira Ribeiro

A “Conferência sobre o Futuro da Europa” começa hoje! O que podemos dizer?

A Alemanha se enriquece exportando produtos industrializados e joga seu lixo sem obrigações sanitárias nos países da União Européia do Leste Europeu. A Itália foi soterrada sob bases militares dos EUA. Grécia, Espanha e Portugal são punidos em vez de serem ajudados por Bruxelas.

A UE tornou-se um pesadelo, uma desunião de países desiguais. A triste verdade é que a UE está mais perto de desaparecer do que de se tornar o que nunca poderá ser sob o neoliberalismo: um Estado supranacional dos sonhos de melhorar a vida dos europeus pobres.

Isso explica, além disso, a tendência da UE de fazer da Rússia um bode expiatório para os problemas econômicos e políticos que os europeus se recusam a resolver. Mas os russos não querem ser vítimas da bestialidade europeia pela terceira vez.

Deixe-me contar uma história que pode servir como uma metáfora da União Europeia.

Certa feita fui visitar meus pais. Quando cheguei, meu pai estava sentado numa cadeira na calçada atirando bolinhas de pão aos passarinhos. Cada vez ele jogava as bolinhas mais perto dos pés dele. E os passarinhos vinham comer.

– Você está alimentando os pássaros, pai? – perguntei.

– Não, eu estou alimentando o gato. – ele respondeu apontando o gato escondido embaixo da cadeira atrás das pernas dele.

– Você é malvado. – eu disse sério.

– Não sou não. Veja: os passarinhos comem e ficam felizes. O gato caça um passarinho e fica feliz. E eu fico feliz alimentando a cadeia alimentar. – ele respondeu como se fosse um menino traquina.

A UE é meu pai. Os países pobres europeus são passarinhos. A Alemanha age como o gato voraz escondido em segurança pela UE. Mas espere… tem algo errado nessa história agora: a cadeira que sustenta a UE está quebrando, os pássaros estão voando porque deixam de ser alimentados e o gato alemão é muito preguiçoso e não vai reconstruir a cadeira.

Os chineses, russos e os americanos ajudarão a Alemanha a fazer o que ela não quer fazer com medo de ter prejuízo? Eu penso que não.

PS: Quando aquele curioso episódio ocorreu eu não notei que a ironia distorcida do meu pai poderia ser um indício de Alzheimer. Os burocratas, políticos e estudiosos da União Europeia provavelmente notaram a doença degenerativa da UE, mas eles não podem fazer nada.

Fábio de Oliveira Ribeiro, 22/11/1964, advogado desde 1990. Inimigo do fascismo e do fundamentalismo religioso. Defensor das causas perdidas. Estudioso incansável de tudo aquilo que nos transforma em seres realmente humanos.

Este artigo não expressa necessariamente a opinião do Jornal GGN

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