Para entender Queiroga e a volta das compras emergenciais

Quando se tenta repetir pela enésima vez o golpe da compra de emergência, o caso cai nas mãos de Fux, que libera a operação.

Agora à tarde, a CNN Brasil desmascarou o Ministro Marcelo Queiroga. Em uma coletiva na frente do Ministério, Queiroga desqualificou uma pergunta – indagando sobre a urgência da vacinação em crianças – mencionando estudo do Nature – revisita de grande prestígio científico. Indagou o que os jornalistas queriam: palpites de médicos ou conclusões científicas? A CNN foi atrás do estudo e constatou que mencionava a relevância da vacinação, a falta de indícios de risco.

Nos últimos dias, a irresponsabilidade de Queiroga suplantou a dos irmãos Weintraub. Trata-se de um completo irresponsável.

No momento, o mundo enfrenta a maior onda de Covid-19 desde o início da doença. Desde o dia 12, dia da suposta invasão hacker, o Ministério da Saúde não mais divulga os dados nacionais da pandemia. Não há justificativa para quase um mês sem acertar o sistema. Há suspeitas fundadas de que Queiroga está boicotando as informações.

Essa suspeita se robustece com o episódio da consulta pública para saber se crianças podem ser vacinadas sem consulta médica. A troco de quê uma consulta pública para uma decisão que é eminentemente científica? O próprio Queiroga, na carteirada que deu nos jornalistas, sustentou a relevância dos estudos científicos sobre as opiniões individuais.

Todo o jogo de cena se deveu à disputa entre Jair Bolsonaro e a Anvisa, através de seu presidente Almirante Antonio Barra Torres. Com base no seu mandato, e no aval científico do órgão, Barras Torres se tornou uma barreira de racionalidade às loucuras de Bolsonaro.

O que faz, então, o prestativo Queiroga? Tenta submeter decisões da Anvisa a consultas públicas, um absurdo, ainda mais com o endosso do próprio Ministério.

Não apenas isso. Nos últimos dias, o Ministério repetiu pela enésima vez o golpe da compra de emergência – que serviu de base para as tentativas de compra de vacinas. Cria-se uma situação artificial de carência – no caso atual, de insulina. Com base nela, monta-se uma licitação com preços abusivos. Depois, desclassificam-se candidatos que ofereçam preços menores. É um golpe já conhecido.

No caso da insulina, o Tribunal de Contas da União (TCU) identificou o golpe e suspendeu a compra. A Advocacia Geral da União (AGU) apelou ao Supremo Tribunal Federal. O caso caiu nas mãos do presidente Luiz Fux. A atuação de Fux é tão dúbia que, durante a pandemia, seus colegas montaram sistemas de plantão para fazer com que os casos caíssem nas mãos confiáveis de Ricardo Lewandovski, Carmen Lúcia e outros.

Quando se tenta repetir pela enésima vez o golpe da compra de emergência, o caso cai nas mãos de Fux, que libera a operação.

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