Diplomacia e globalização

Por Hans Bintje

Como entender a atual diplomacia brasileira e a relação do país com a globalização?

Vamos por partes:

a) Sobre a causa do “sofrimento”, comentário de Sergio Rouanet (1):

“Diferentemente de Weber, Marx não evita os julgamentos de valor e é sensível ao sofrimento acarretado pela dissolução dos estamentos e pela profanação do sagrado.

Se acrescentarmos à perspectiva marxista e à weberiana uma perspectiva psicanalítica, creio que estaríamos justificados em substituir a palavra ’sofrimento’ por um termo mais técnico: trauma.

Diríamos então que a modernidade infligiu a milhões de seres humanos dois grande traumas, o primeiro ao arrancá-los de suas culturas tradicionais e, o segundo, ao impor-lhes uma secularização forçada.”

b) A globalização do ponto de vista psicanalítico (2):

“Do ponto de vista psicanalítico o principal fator que define a globalização é a mudança do eixo das identidades de vertical para horizontal. Explico: quando dizemos eixo vertical das identidades fazemos referência a um laço social padronizado: todos unidos em torno a um ideal. Na família, o pai; no trabalho, o chefe; na sociedade civil, a pátria. Assim funcionava o laço social até uns trinta anos atrás, constituindo uma sociedade hierárquica e piramidal. Tínhamos um mundo uni-versal, que tendia ao um, a uma versão do mundo superiora às outras. Muito diferente é a globalização: caem os padrões verticais, estabelece-se uma sociedade de rede, na qual todos estão conectados e interdependem. Não há mais um piloto automático de como proceder, a rota tem que ser reavaliada por um cálculo coletivo a todo instante.”

c) Trecho de discurso de Celso Amorim, que incorpora “a mudança do eixo das identidades de vertical para horizontal” e reconhece o trauma causado pelo colapso das “culturas tradicionais” (3):

“O apoio mútuo entre países em desenvolvimento, coordenando suas prioridades e estratégias de ação, fortalece a todos. Torna esses países menos dependentes dos centros tradicionais de poder. Diminui ressentimentos e ajuda a construir uma arquitetura internacional adequada aos tempos em que vivemos.”

Notas:

(1) http://www.machadodeassis.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=1785&sid=394

(2) http://www.jorgeforbes.com.br/br/contents.asp?s=23&i=128

(3) http://www.mre.gov.br/portugues/politica_externa/discursos/discurso_detalhe3.asp?ID_DISCURSO=3415

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5 comentários

  1. El rostro social de los
    El rostro social de los números
    WWW,El;universal.com.
    Têm mais gente aguardando que ALAN ,assuma suas responsabilidades nesta crise,da qual participou.
    Es uno de los economistas más influyentes de la actualidad y un severo crítico de la crisis financiera que vive el mundo. Con él, la economía toma un rostro humano
    En la entrevista publicada en enero, Jeffrey Sachs no descarta que la fuerte recesión mundial pueda derivar en una depresión, si se cometen más errores.
    A quien en 1993 la revista New York Times citara como “probablemente el economista más importante del mundo”, expone que Alan Greenspan, ex presidente de la Reserva Federal de Estados Unidos, tuvo mucho que ver en la actual crisis, aunque descartó un colapso global.

  2. O Embaixador e Ministro
    O Embaixador e Ministro Amorim disse:

    ****************
    Chegou a hora de reformar o sistema econômico internacional, aumentando a capacidade de supervisão e regulação dos mercados financeiros. O colapso total da confiança mostrou que o modelo atual não serve mais.
    ****************

    A fraude exposta mudou o mundo. Não querer admitir que isto ocorreu é dar uma de avestruz e enfiar a cabeça no buraco. Colocar a culpa disto no julgamento de valor e não propor uma ética nova alicerçada em uma moral saudável e honesta é agir mal.

    A nova arquitetura mundial tem de nascer em um novo acordo onde os interesses diversos sofram uma apreciação equânime. Vai ser difícil, mas é a única solução ótima.

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