Mourão visita EUA logo após Bolsonaro e movimento chama atenção de analistas

Para autoridades americanas, é pouco comum um vice viajar ao país tão pouco tempo depois de um presidente. Diferente de Bolsonaro, Mourão se encontrará com republicanos e democratas

Jornal GGN – O vice-presidente Hamilton Mourão está em viagem a capital dos Estados Unidos, Washington, e, diferente de Bolsonaro, sua agenda de encontros naquele país está repleta de nomes tanto de aliados do governo Trump, os Republicanos, quanto da oposição, os Democratas.

Segundo informações da Folha de S.Paulo, a proposta de Mourão de encontrar representantes dos dois lados está sendo vista por analistas como um importante movimento político. Isso porque o bipartidarismo norte-americano entende que a diplomacia eficaz para uma boa relação política é aquela que dialoga com ambos os lados.

O jornal diz ainda que autoridades americanas, empresários e integrantes da Casa Branca observam o roteiro de Mourão com atenção. Afinal, é pouco comum um vice viajar ao país tão pouco tempo depois de um presidente ter passado por lá.

O roteiro de compromissos de Mourão inclui um almoço na casa do embaixador do Brasil nos EUA, Sergio Amaral. O encontro contará com a presença do ambientalista Thomas Lovejoy (forte defensor da biodiversidade e floresta da Amazônia), do ex-embaixador americano no Brasil Thomas Shannon, que chegou a ser o terceiro na hierarquia do Departamento de Estado americano, tanto em governos democratas quanto republicanos, e do jornalista e escritor venezuelano Moises Naím, pesquisador do Carnegie Endowment for Internacional Peace.

A lista de convidados foi organizada pelo embaixador Sérgio Amaral que não teve a mesma função na visita de Bolsonaro. Na ocasião, quem organizou a lista de pessoas que se reuniram com o presidente foi o ministro das Relações Exteriores Ernesto Araújo e o diplomata Nestor Forster, que deve ocupar o cargo de embaixador brasileiro nos EUA, após a saída de Amaral.

Bolsonaro foi recebido em uma Santa Ceia com membros da direita norte-americana onde chegou a dizer que o comunismo não pode imperar.

No almoço que Mourão irá participar, foram convidados também Paulo Sotero, diretor do Brazil Institute do Wilson Center; Adrienne Arsht, vice-presidente do conselho do think tank Atlantic Council; e o economista Fred Bergsten, diretor emérito do Peterson Institute of International Economics.

O vice-presidente embarcou para os EUA na sexta-feira (05). No dia seguinte, se reuniu com a representantes da comunidade brasileira em Boston, o que pode ser interpretado como uma resposta a Bolsonaro e o filho, Eduardo, que criticaram os imigrantes quando estiveram no país três semanas antes.

Mourão retorna ao Brasil na terça-feira (09) quando terá um último encontro naquele país com a presidente da Câmara e líder da oposição a Trump, a democrata Nancy Pelosi. Em março, Bolsonaro tentou um encontro com ela, mas não conseguiu, segundo Pelosi, porque o Congresso estava em recesso.

Também na terça, Mourão se reunirá com senadores republicanos e democratas: Marco Rubio, a principal porta-voz no Congresso em assuntos latino-americanos; Bob Menendez, democrata, que também tem como um de seus focos os assuntos latino-americanos; o conservador Ted Cruz, que defende o muro na fronteira dos EUA com o México; e Tim Kaine, candidato a vice-presidente na chapa de Hillary Clinton em 2016.

Mourão chegou a agendar uma entrevista na TV CNN, mas cancelou com o canal alvo de críticas de Trump. Mas manteve entrevista com a Bloomberg. A avaliação é que o vice-presidente tenta estabelecer uma linha mais moderada.

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