O perfil do embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman

Em poucos meses, embaixador criou conflitos diplomáticos com a China e estampou elogios ao presidente Jair Bolsonaro e seu ministro de Relações Internacionais, Ernesto Araújo

Foto: Redes/Twitter

Jornal GGN – Sem discrição ao posar de chapeu e trajes texanos em fotografias, o embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Todd Chapman, ganhou manchetes de jornais nos últimos dias por criar conflitos diplomáticos com a embaixada da China e por tecer elogios ao presidente Jair Bolsonaro e seu ministro de Relações Internacionais, Ernesto Araújo, ambos recebidos em sua casa para celebrar o 4 de Julho, Dia da Independência dos Estados Unidos.

Chapman chegou ao Brasil no início do ápice do coronavírus no país, no final de março, sendo indicado para o cargo em outubro de 2019, pelo presidente Donald Trump. Além da carreira na diplomacia, Chapman detinha familiaridade com o Brasil por já ter vivido durante 11 anos no país, durante a adolescência.

Antes de assumir o cargo, ocupou durante três anos a diplomacia norte-americana do Equador. Com atuação em temas econômicos, estratégicos e militares, esteve à frente da área econômica na Embaixada do Afeganistão e de Moçambique, além de atuar diretamente no Departamento de Estado em Washington.

Em entrevista à GloboNews no final de abril, afirmou que era consciente de que estava “chegando em um momento bastante difícil”, ao se referir à pandemia. Mas, logo de início, mostrou simpatia pelo governo de Jair Bolsonaro. “Chego para apoiar o governo e a sociedade na resposta ao Covid-19, este é o propósito de agora e claro temos muitas áreas que trabalhar”, disse.

Na noite da última sexta-feira (10), ele acusou o Partido Comunista Chinês (PCC), do atual presidente Xi Jinping, de fazer a esterilização em massa de mulheres uigures, minoria étnica do país asiático. “Silêncio não é uma opção”, escreveu Chapman nas redes sociais, comentário que provocou um conflito diplomático. Momentos depois, o embaixador da China, Yang Wanming, respondeu que Chapman veio ao Brasil somente para atacar a China “com boatos e mentiras”.

O nome de Chapman já havia aparecido nos jornais na última semana por ter participado de um almoço privado, no dia 4 de julho, com o presidente Jair Bolsonaro e informar que faria o teste do Covid-19, depois que o mandatário anunciou estar contagiado pelo novo coronavírus.

Na ocasião, a embaixada dos EUA divulgou uma nota enfatizando a boa relação do novo embaixador com o mandatário, afirmando que os “dois governos mantêm uma comunicação contínua, incluindo sobre esse caso” e desejava “as melhoras para o presidente Bolsonaro”.

Ainda no referido almoço, Todd Chapman também havia destacado em suas redes que se sentia “muito honrado em receber o senhor presidente @jairbolsonaro este #4deJulho para celebrar os 198 anos das relações entre o Brasil e os Estados Unidos e os 244 anos da independência dos Estados Unidos. Continuamos #TrabalhandoJuntos!”.

Apesar da nota que acusou o partido do presidente chinês tomar maior repercussão, não é o primeiro ataque de Todd Chapman à China pelas redes sociais. No dia 6 de julho, o embaixador havia usado a mesma expressão, de que “silêncio não é uma opção”, ao compartilhar um vídeo do Departamento de Estado dos EUA em Português sobre a suposta detenção de minorias na China.

“Sobre os campos de concentração na China Comunista, silêncio não é uma opção”, havia escrito o embaixador:

Também já se tornou habitual o representante dos EUA no Brasil publicar apoio a marcas norte-americanas, como a Starbucks, Pizza Hut e Dominós Pizza em sua conta oficial do Twitter, além de valorizar doações de empresas privadas para o combate ao coronavírus, sem a mesma defesa para iniciativas de políticas públicas.

Nas redes sociais e também em entrevistas que concedeu desde que chegou ao Brasil, Chapman não disfarça o entusiasmo no apoio tanto ao presidente Jair Bolsonaro, quanto ao polêmico ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, que também participou do almoço de celebração do 4 de Julho na casa do embaixador norte-americano.

Em vídeo de comemoração ao Dia da Independência dos EUA, o embaixador dedicou trecho de sua fala em elogios diretos a Ernesto Araújo: “eu agradeço ao senhor ministro Araújo pela participação da comemoração dessa data, tão importante para os Estados Unidos.”

Ao contrário do teor desinibido da vestimenta que o relaciona ao seu estado de origem, o Texas, o cônsul estadunidense tenta manter a discrição quando é questionado sobre a crise política do governo Bolsonaro em entrevistas e, durante a celebração do 4 de Julho, fez questão de fazer memória ao assassinato de George Floyd, que liderou a pauta do país nas semanas anteriores e estampou os principais jornais do mundo. Sobre o afro-americano morto por um policial em Minneapolis, disse que o país tinha “a contínua necessidade de enfrentar a injustiça racial”.

Adotando o discurso da democracia liberal, cujo único modelo legítimo seria o criado pelo seu país, enfatizou na conclusão de sua fala para o 4 de Julho os princípios e garantias de direitos, que distoam das defesas estampadas em suas redes sociais de que o privado teria um papel tão ou mais importante do que o público.

“Como destacado no preâmbulo da Constituição dos Estados Unidos, não cessaremos nossos esforços em busca de uma união mais perfeita, independentemente de convicções políticas. São nestes princípios e aspirações, que acredito e que compartilhamos com o povo brasileiro”, havia encerrado no vídeo (acima).

 

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