O poder americano

Por Bruno Leal

ugiro leitura do livro “O mito do colapso do poder americano” de Fiori, Medeiros e Serrano, professores da UFRJ (Ed. Record, 2008).

As pesquisas deles fogem muito do senso comum que tanto profetiza um fim do poder norte-americano que a mim parece ser mais a manifestalção de um nosso desejo do que algo efetivamente comprovado. Eles mostram, pr exemplo, que em 70, a hegemonia dos EUA era muito mais questionada que hoje em dia e mesmo assim o que se sucedeu na década de 70 foram decisões unilaterais dos EUA que fortaleceram o dólar, levaram o mundo para a depressão e um enorme acúmulo e não decréscimo do poder americano. Com ápice no início da década de 90, pós queda do muro e pós guerra do Golfo.

Além disso, mostram como os números atuais estão longe de comprovar um declínio da economia norte-americana e de sua hegemonia, pelo contrário.

Por Andre Araujo

A dinamica historica nao se repete em modelos e esquemas didaticos. Nada a ver a atual situacao do poder americano com a trajetoria do Imperio Britanico e com o modelo sovietico. Sao situacoes historicas unicas, nao ha como ver similarides entre os imperios britanico, sovietico e americano. Como nada tem em comum nao ha como tirar conclusoes comparativas.entre situacoes incomparaveis.

O grande capital politico dos EUA e institucional, nao militar ou economico.

A firmeza das instituicoes permitiu a eleicao de Obama, da mesma forma como permite que tres caixas com valiosos equipamentos entregues pelo correio ficassem na porta de casa em Dallas, casa sem muros, e la fossem encontradas intactas dez dias depois.

Mas nem tudo e tranqulio. Os EUA tem uma grande vulnerabilidade geopolitca, moral e institucional que pode realmente causar sua ruina, como fatores morais cuasaram a ruina do imperio sovietico e fatores geopoliticos causaram o fim do imperio brianico. Esse fator e o aval estrategico incondicional ao Estado de Israel, cuja politica externa se confunde com a dos EUA, destruindo o capital politico dos EUA no Oriente Medio e em todos os paises islamicos, que ja foi altissimo, desde 1776 ate a criacao do Estado de Israel.

Foi esse apoio ruinoso que criou o terrorismo fundamentalista islamico, do qual derivaram os ataques de 11 de setembro e em seguida, por reacao irracional, as invasoes do Afganistao e do Iraque. Essa e a senda que pode minar o poder americano, que aparece frente a um bilhao de muculmanos como um pais injusto e imoral, o que nao era a percepcao antes de 1947. Esse endosso a direita militar israelense se acentuou ao extremo no Governo Bush e o episodio do sapato simboliza toda essa politica de mais de 50 anos de erros na regiao, reverberando na imagem mundial dos EUA, na sua economia e na sua sociedade.

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27 comentários

  1. Não cheguei a ler esse livro,
    Não cheguei a ler esse livro, mas se a tese central dele for mesmo essa, ela é furada.

    Quando se fala em declínio do poder americano nos dias atuais, isso se expressa por desequilíbrios terríveis que resultam no aumento da dívida externa do país – em patamares que já afetam a economia real -, estagnação da renda, aumento do desemprego e, sobretudo, a queda da fatia que a economia americana ocupa em relação à economia mundial – de mais da metade no imediato pós-guerra até por volta de um quarto dela nos dias atuais.

    No plano político, não consigo imaginar como hoje os EUA sejam menos criticados do que nos anos 70; acho que o governo Nixon transgrediu muitos limites, em especial em relação à América Latina, mas nem por isso ele sofreu mais retaliações do que o governo Walker Bush. Será que naqueles tempos seria possível fazer um cúpula continental convidando Cuba e excluindo os EUA, mesmo que os chefes de Estado da região estivessem de acordo com isso? Eu duvido.

    Uma análise sincera e cientifíca do que poderá acontecer com os EUA nos anos que se seguem leva a uma bifurcação: Em um dos caminhos temos os EUA adotando uma agenda que tem por foco o saneamento de sua economia e que colabora para uma ordem multilateral; no outro temos os EUA insistindo em viver além de suas possibilidades e continuando a achar que pode impor o que quer que seja.

    O primeiro leva a uma aceitação civilizada do declínio de seu poder e o mantém no jogo como um dos playiers; o segundo leva o país ao colapso.

    O primeiro é o caminho que a Inglaterra do pós-guerra seguiu, o segundo é o caminho soviético.

  2. Sou ignorante, no assunto.
    Sou ignorante, no assunto. Entendo que, se tiverem que sucumbir, EUA são capazes de levar com eles muita gente. Ainda assim, talvez se salvem, ressurgindo das cinzas e deixando um monte de gente enterrado para sempre.
    São maquiavélicos

  3. Perfeitamente de acordo. Nao
    Perfeitamente de acordo. Nao ha o mais remoto sinal desse declinio de poder, os fatos devem ser vistos em perspectiva dentro de um contexto historico e nao do curtoprazismo de midia. O autor Fiori e insuspeito de pro-americanismo.

  4. A dinamica historica nao se
    A dinamica historica nao se repete em modelos e esquemas didaticos. Nada a ver a atual situacao do poder americano com a trajetoria do Imperio Britanico e com o modelo sovietico. Sao situacoes historicas unicas, nao ha como ver similarides entre os imperios britanico, sovietico e americano. Como nada tem em comum nao ha como tirar conclusoes comparativas.entre situacoes incomparaveis.
    O grande capital politico dos EUA e institucional, nao militar ou economico.
    A firmeza das instituicoes permitiu a eleicao de Obama, da mesma forma como permite que tres caixas com valiosos equipamentos entregues pelo correio ficassem na porta de casa em Dallas, casa sem muros, e la fossem encontradas intactas dez dias depois.
    Mas nem tudo e tranqulio. Os EUA tem uma grande vulnerabilidade geopolitca, moral e institucional que pode realmente causar sua ruina, como fatores morais cuasaram a ruina do imperio sovietico e fatores geopoliticos causaram o fim do imperio brianico. Esse fator e o aval estrategico incondicional ao Estado de Israel, cuja politica externa se confunde com a dos EUA, destruindo o capital politico dos EUA no Oriente Medio e em todos os paises islamicos, que ja foi altissimo, desde 1776 ate a criacao do Estado de Israel.
    Foi esse apoio ruinoso que criou o terrorismo fundamentalista islamico, do qual derivaram os ataques de 11 de setembro e em seguida, por reacao irracional, as invasoes do Afganistao e do Iraque. Essa e a senda que pode minar o poder americano, que aparece frente a um bilhao de muculmanos como um pais injusto e imoral, o que nao era a percepcao antes de 1947. Esse endosso a direita militar israelense se acentuou ao extremo no Governo Bush e o episodio do sapato simboliza toda essa politica de mais de 50 anos de erros na regiao, reverberando na imagem mundial dos EUA, na sua economia e na sua sociedade.

  5. Não é só apoio a Israel. Os
    Não é só apoio a Israel. Os EUA também impuseram o impopular xá do Irã. Nos anos 70 a coisa parecia muito pior. O país era impopular no mundo, culturalmente estava perdido, com Hollywood cultivando o cinema de autor antiamericano, mais e mais países se tornavam socialistas e nenhum que havia seguido tal caminho havia retornado, eles haviam perdido a guerra do Vietnã e do Cambodja, inflação altíssima, a OPEP mandando no mundo… hoje a coisa está muito melhor.

  6. André, tire o canhão das
    André, tire o canhão das forças armadas ameaçando o mundo e não sobra nada nos EUA, e que instituições são essas que só em dois golpes, o da Enron e o do Madoff, roubaram mais que no Brasil desde 1500.
    Desculpe André.

  7. André Araújo

    Concordo
    André Araújo

    Concordo plenamente que “a dinâmica histórica não se repete em modelos e esquemas didáticos” (ou de qualquer tipo, acrescento); se isso fosse possível estaríamos falando em estática histórica e não em dinâmica.

    O que eu acredito firmemente é que padrões históricos se repetem sim e pelo jeito você concorda quando fala que “fatores morais causaram a ruína do império soviético” e atenta para vulnerabilidade americana nesse sentido.

    O capital institucional americano ao qual você se refere, no entanto, só passou a ter peso quando eles se afirmaram como uma das potências econômicas e militares do mundo; fosse o poder das instituições capaz de tonar um país poderoso por si só e eles seriam a potência hegemônica mundial desde sua fundação; diga-se de passagem, a própria régua que mede a força das instituições de um país é o seu sucesso econômico e é não é possível desvincular tais idéias.

    As vulnerabilidades americanas nascem no momento em que sua economia perde peso relativo em relação ao mundo e o país insiste em se portar como potência hegemônica única, tomando, não raro, medidas unilaterais e, sobretudo, caras; todavia, sem os meios necessários para exercer essa função com seus próprios recursos, ele se endivida e usa o enorme espaço de manobra que possui enquanto país emissor da moeda que serve como reserva mundial para atingir os fins desejados.

    A medida que a economia americana cresce menos que a média mundial e, por conseguinte, o seu peso relativo continua a diminuir – com o agravante da dependência externa -, o país terá de se readequar a nova conjuntura assim como os britâncos o fizeram – pragmaticamente como lhes é peculiar – ou insistir em tapar o sol com a peneira à soviética. É uma questão de entender o seu papel em um mundo novo para poder continuar influindo ou perder os anéis junto com os dedos.

  8. os dois primeiros textos do
    os dois primeiros textos do livro (os que já li, de Fiori e Carlos Medeiros) são muito bons.

    merece ser discutido.

    autores analisam “enfraquecimento” do poder dos EUA como uma condição do próprio sistema para se reciclar. e não necessariamente a uma queda inevitável dos EUA.

    o tipo de texto que poderia ser discutido na Comunidade do Nassif. uma ou mais pessoas colocariam um resumo para discussão. e este passaria por revisões, a partir dos comentários subseqüentes.

    quem quiser (e dispor de tempo) aprofunda com a leitura integral. para quem não tiver condições de ler tudo, o resumo fornece uma base mínima para compreensão e debate.

    .

  9. “Além disso, mostram como os
    “Além disso, mostram como os números atuais estão longe de comprovar um declínio da economia norte-americana e de sua hegemonia”

    Muito questionavel: a supremacia Americana eh baseada nos mesmos numeros dos ultimos cinquenta anos, GDP, forca militar e posicao do dolar.
    Os numeros atuais relativos a situacao financeira mostrariam falencia total.
    E o governo americano se recusa de falar a verdade a uma populacao q nao tem renda e no minimo a vinte anos gasta muito acima das possibilidades.
    Com os otarios do mundo q vendem em troca de creditos em papel verde e investem em retornos negativos.
    E agora apesar da divida o Obama e o Krugman querem estimular um consumo ainda maior entregando enormes quantias de dinheiro para sustentar os zombies da surreal sobrestrutura financeira. O povao eh ainda longe de entender o q aconteceu e animado no we change.

    Mas importa mais q eh a hora do Brasil de usar todos os imensos recursos para se desenvolver, apesar da violenta torcida contra da elite atrasada.
    O pais eh pouco aberto e via credito do estado, investimentos controle das importacoes tem um mercado continental da satisfazer.
    Sem a jogadinha americana do endividamento dos pobres: via aumento de investimentos e rendas.
    Parece q soh o Lula tem percepcao do momento e sentimento nacional.

    O elefante continua elefante, mas com patrimonio moral reduzido, futuro dificil e apesar do sonho americano do jovem Andre 🙂

  10. Fica cada vez mais difícil
    Fica cada vez mais difícil alimentar a máquina de destruição, que, por sinal, se mostra pouco eficaz.
    A manutenção do poder, única e exclusivamente por meio do poder militar não funciona mais. Funciona o poder econômico que pode corromper e comprar para submeter.
    Com o aumento do analfabetismo e desemprego nos EUA, seu tempo está chegando ao fim.

  11. O que vou falar não tem nada
    O que vou falar não tem nada a ver com a lógica dos economistas, é um misto de oração e praga: Espero que esse grande negócio, que chamam de Estados Unidos, pague em dobro o mal que causaram aos bilhões de habitantes do mundo. A vida não é apenas uma proposta de lucros e perdas. É muito mais.

  12. Bom papo!

    “O meu palpite é
    Bom papo!

    “O meu palpite é que todos esses indicadores irão mudar de direção simultaneamente.
    O retorno à taxa histórica de crescimento dos EUA, entre 3,2% aa a 3,5% aa, ficará condicionado à redução do endividamento das famílias, processo que irá levar bem mais tempo. O acompanhamento do setor imobiliário irá servir de valiosa pista nesse sentido.”

    – A crise americana, com seus reflexos e combatendo os seus efeitos nas políticas macroeconômicas ao novo cenário interno. O Fed esta atuando ate onde é possível, com flexibilidade e com uma “nova” idéia política econômica. A quebra do Lehman carimbou o mercado e com o credito de desconfiança espalhou-se. Os preços das commodities, principalmente o petróleo, levaram o varejo ao desaquecimento e o desemprego também. Caiu o investimento, credito e derrubou ainda mais o nível de atividades. Aumentou a poupança pessoal. O desemprego é para mim a pista de avaliação hoje na America, chegou a quase 25% em 29 mais isto foi outra época e não considero o endividamento do americano nas estatísticas como mais um aumento nestes últimos anos e sim nas compras de imóveis não realistas. Mas a taxa e o dólar são índices importantes. A queda ate ao fundo da crise e a estabilidade para recuperação como um formato em “L” e não em “V” ainda me são questionáveis pela alavancagem financeira, não me convenceram em relação do mercado e os derivativos desconhecidos. O setor imobiliário serviria, em minha opinião, para demonstrar o retorno ao investimento, empregos e na confiança do vácuo deixado pela bolha onde o grande perdedor ainda assim será o comprador do investimento imobiliário na ponta da especulação financeira do credito e endividamento do pais.

    A política capitalista mudou quando o governo intervém nas quebras e no sistema interbancário e mudara a característica a partir que o capital ou rendimento de 250 mil a.a for aumentado no imposto. O Obama passa simplesmente a esperança e a compreensão de bom governo, virando a pagina da historia de hegemonia e entrando na multipolaridade em conseqüência de países como o Brasil e outros estarem em situações melhores internamente e externamente. A queda do Japão na década de 90 apontou que o mercado interno (consumo) foi seu grande erro, desculpe-me: em minha opinião. A crise hoje aponta quais serão os mercados futuros (consumo), uma batalha que independe da America do Norte, mas que seu PIB representa quase todo o mundo hoje e qualquer solavanco vira uma marola no Brasil e tsunami na Europa e em outros países. Portanto, hoje o capitalismo e o socialismo encontram-se frente a frente, qual será o mercado consumidor futuro. Se não tiver, continuamos com a America ditando o mundo. Ontem foi o modess depois o radinho de pilha, hoje o papel higiênico na China e os computadores para os brasileiros sem falarmos nos celulares. Será o futuro assim?

    boas Festas

  13. Como o primeiro texto foi
    Como o primeiro texto foi MINHA interpretação do livro, vou replicar dois textos. Um da contra-capa do livro para ilustrar a tese central do mesmo e outro da apresentação.

    “É sempre possível falar em ‘declínio relativo’ de um país que tenha acumulado uma quantidade excepcional de poder, após uma guerra vitoriosa, como foi o caso dos Estados Unidos, depois de 1945 e de 1991 (…) Por isso, hoje, também se pode falar em ‘declínio relativo’ do poder americano com relação à China, como já se falou do declínio do poder econômico americano com relação ao Japão e à Alemanha, na década de 1970. Mas esse declínio relativo dos EUA não significa um ‘colapso’ do seu poder econômico, nem o fim da sua supremacia mundial.”
    (J.L. Fiori)

    “Os autores deste livro estão convencidos de que o caminho da transformação social começa pelo estudo rigoroso da realidade, e compartem a convicção de que é necessário distinguir a análise objetiva dos fatos, desejos e esperanças deles mesmos.”
    (Apresentação)

  14. De fato, nos anos 70 havia
    De fato, nos anos 70 havia uma quase-certeza generalizada de que a URSS era mais forte do que os EUA, mergulhado na guerra do Vietnã, e que dominaria o Ocidente em breve. Então, Reagan e Thatcher partiram para o tudo ou nada, ressuscitando o liberalismo econômico, agora chamado de neoliberalismo, e os EUA partiu para a corrida espacial em acelarado. A URSS tentou acompanhar, mas acabou nas cordas, vindo a ruir em 91.
    O livro dos professores da UFRJ foi todo dissecado por eles em palestras que fizeram divulgadas pela rede pública de televisão. A Associação dos Engenheiros da Petrobrás, que apoiou as palestras na TV, vende por R$ 10 cada DVD. De fato, vale muito a pena. E tem coisa também sobre outros países da Europa em sua relação com os EUA, como a Inglaterra.

  15. Prezado Hugo Albuquerquer :
    Prezado Hugo Albuquerquer : Compartilho de quase todas suas observacoes, faco apenas alguns reparos.
    Os EUA continuarao fortes enquanto suas instituicoes politicas, juridicas, educacionais, de pesquisa, de acoes comunitarias permanecerem razoavelmente integras. Essas redes e que geram o capital de conhecimento e de coesao social que sao o alicerce do ooder militar e tecnologico que por sua vez fundamentam a extensao de poder imperail americano. Nenhum pais do mundo recebe tantos estudantes estrangerios em suas univwsidades como os EUA e nenhum gasta em pesquisa cientifica o percentual do PIB que os EUA gastam, enquanto que em nenhum outro pais os ricos destinam volume de dinheiro remotamente comparavel aos ricos dos EUA, que lastrearam duas mil fundacoes com ativos superiores a 500 bilhoes de dolares, sendo que so em 2007 foram doados 106 bilhoes de dolares para fins filantropicos volltados a pesquisa medica, artes, cultura, educacao Os padroes mundiais de negocios para o bem ou para o mal vem daqui, isso poder[a mudar mas vai levar ainda um longo tempo.

  16. Eu não acredito em
    Eu não acredito em Americanos, e tenho provas, razoáveis . Armas químicas do Iraque, antes da invasão ao IRAQUE. Este investidor que foi até da direção da Nadasq, dando prejuízo de 50 bi U$, esta são apenas algumas. A moeda deles eu não envolvo, prefiro a nossa o Real, ou o Euro. O Brasil e a Europa são mais sérios.

  17. Bruno Leal,
    Sempre que se
    Bruno Leal,
    Sempre que se torna pertinente e também quando não é menciono o artigo de José Luís Fiori intitulado “Crises e Hecatombes” publicado no Valor Econômico de 26/03/2008. Ali provavelmente já estaria a parte inicial desse novo livro do José Luís Fiori, agora em colaboração com Carlos Medeiros e Franklin Serrano.
    Não creio que deveríamos preocupar se o dólar vai ou não vai ser a moeda dominante no futuro. Que diferença isso fará para o Brasil? A preocupação que devemos ter é com a geração de empregos, a educação e a saúde do povo brasileiro e uma maior igualdade entre os brasileiros. A solução para todos esses focos de preocupação requer um país forte. Um caminho para tornar o país forte é o aumento da carga tributária. Outro é a manutenção do crescimento econômico em patamar superior a 5% do PIB ao ano. Para o aumento da carga tributária é indiferente a força do dólar. Não tenho conhecimento para analisar a importância ou irrelevância do dólar como moeda forte para a manutenção do crescimento econômico em patamares elevados .
    Duas preocupações, entretanto, são, no meu entendimento mais importantes. Ao buscarmos ser forte e preocupados com maior justiça social não podemos esquecer da frase do Winston Churchill “Toda a história do mundo se resume no fato de que quando as nações são fortes nem sempre são justas, e quando elas querem ser justas não são suficientemente fortes”. Não devemos esquecer para que, sendo forte, o Brasil continue praticando uma política social em prol da igualdade. E ao querermos um maior crescimento econômico não devemos esquecer do economista Nicholas Georgescu-roegen para quem Luis Nassif fez chamada com o título de “Termodinâmica e Sustentabilidade”. José Eli da Veiga também fez um bom artigo intitulado “Reabilitar Georgescu” (Valor Econômico, 28/02/2008) e tem artigos no site dele em que ele discute sobre o PIB, mostrando como Nicholas Georgescu-Roegen o lado negro do PIB, sendo artigos que valem ser lidos (De onde vem a força do PIB, saído no Valor Econômico de 2/09/2008 é um desses artigos).
    Clever Mendes de Oliveira
    BH, 28/12/2008

  18. André Araújo,

    Quanto ao fato
    André Araújo,

    Quanto ao fato de que há por parte do governo americano um grande investimento em capital humano, não resta dúvida, mas isso não está sendo suficiente para impedir que os americanos percam importância relativa à economia global.

    A economia americana cresce menos do que a média mundial e tem problemas macroeconômicos que eu, particularmente, julgo como graves; A União Soviética também investia pesadamente em armas e, em pesquisa, tecnologia e na formação de técnicos extramamente capazes ao mesmo tempo que não fazia a lição de casa na gestão econômica e tombou.

    O ponto é que como explicou o Bruno Leal, os próprios autores do referido livro admitem que há um declínio americano e não um colapso. Nesse exato momento isso é fato. Quem não está percebendo isso são os líderes americanos que continuam a tocar a mesma política de décadas atrás como se a realidade do país – e do mundo – nos anos 70 fosse a mesma.

    O que eu estou postulando é o seguinte: Ou os novos líderes americanos passam a entender o jogo como ele é hoje e o país que eles tem na mão ou vão ver sim seu país entra em colapso.

    Foi por isso que eu usei o exemplo britânico; por uma série de razões aquele país perdeu importância relativa no globo, mas em vez de tocar uma política megalomaníaca, os líderes britânicos entenderam a nova situação, as novas limitações e o espaço de manobra menor que eles passariam a ter. Com pragmatismo eles adequaram o Reino Unido a conjuntura e hoje, mesmo não sendo mais uma nação imperial, ele prossegue tendo importância no jogo.

    Os Soviéticos fizeram o contrário e relutaram até o último momento para adequar as suas posições geopolíticas à realidade econômica do país. Quando foram fazer algo, já era tarde e o país entrou em colapso.

    É nesse ponto que eu postulo a questão da bifurcação; os EUA já não tem mais o poder total, o tempo dos grandes espaços de manobra se foi e só resta se decidir entre megalomania e o pragmatismo. Uma opção leva ao colapso certo, a outra é a única saída, mais é profundamete difícil de ser implementada em um país que já se acostumou a ser mais do que realmente é.

  19. Caro Nassif, discordo quando
    Caro Nassif, discordo quando um dos posts diz que “O grande capital politico dos EUA é institucional, não militar ou econômico”. É importante enxergarmos isto: esta crise mundial não é cíclica, é estrutural. Todo mundo espera que a poeira baixe, mas não enxerga que embaixo não há mais chão. Só abismo. Hoje discutimos os EUA porque foi dele que a crise veio; se viesse da Rússia, a culpa era dela, não do sistema. No entanto, não são postos em discussão “valores”: O que é decente ganhar? Há prosperidade indecente? Há um limite para o lucro pessoal? A riqueza pode vir sem trabalho? Ser rico em meio a tanta pobreza é moralmente aceitável? Não há – aqui ou nos EUA – sequer uma instituição ou governo que possa responder a estas questões, neste momento. Não dentro deste sistema. Vejam um pouco a história dos EUA e de suas tão propaladas “instituições”:
    O que mantém uma nação unida e em paz é a prosperidade, fornecida por uma sólida estrutura institucional, econômica e social. Tal estrutura permite que a população deste país sinta-se protegida por seu governo, tenha objetivos a almejar e um caminhar relativamente mapeado dentro da sociedade em que se encontra inserida. Isto os Estados Unidos conseguiram já no século XIX, consolidando pela força sua territorialidade – guerra de independência com a Inglaterra, Secessão, guerra com a Espanha, com o México, e por aí vai. O início do século XX foi muito auspicioso para os EUA pois, com a I Grande Guerra, veio a liderança econômica, uma mera troca de bastões entre ela e a Inglaterra. Os franceses consentiram, os alemães perderam e a Rússia estava em convulsão com sua revolução, em um profundo processo de reestruturação. A crise de 1929 veio para mostrar que o modelo agressivo de capitalismo praticado durante os “loucos anos 20” era temerário, arriscado e altamente instável. Roosevelt foi o elemento-chave para a recuperação do país, governando de 1932 a 1945 (sim, quatro mandatos consecutivos!).
    As instituições econômicas americanas quebraram, em sua maioria, em 1929, e o setor privado teve que se reorganizar depois disso. O governo criou ou deu uma nova estrutura ao governo federal, em parceria com os governos estaduais. Os aparatos de segurança – o complexo-militar industrial – aumentaram exponencialmente em função do esforço de guerra a partir do final da década de 30, e o gigantismo deste “monstro” – aliado a um crescimento natural de população e mercado interno – exauriram as fontes nacionais de recursos. A partir deste cenário, uma coisa ficou clara para as lideranças norte-americanas: para existir, os EUA precisavam de insumos do mundo. Depois da II Guerra, sua política foi totalmente voltada para este tipo de expansionismo: a cessão de riquezas naturais estrangeiras para o crescimento de sua economia. E isto tudo antes de Breton Woods. Este é o calcanhar de Aquiles dos Estados Unidos.
    Neste momento, Barack Obama vence com um discurso muito parecido com o do Lula: “A esperança venceu o medo” e “Sim, nós podemos mudar” (Yes we can change) são similares no ponto de mostrar a insatisfação com o atual sistema. Uma insatisfação nem muito profunda: a economia cai, a esperança desaparece, o prazer é efêmero e já não satisfaz, tudo isto é sentido no país acima do Rio Grande. Instituições? O Supremo norte-americano já tinha perdido lá atrás, com Roosevelt (que ganhou seu quarto mandato “na marra”), o Legislativo hoje é natimorto (quem não lembra do Patriot Act reduzindo direitos civis e da declaração do deputado norte americano no filme do Michael Moore: “Filho, nós não lemos nenhuma lei”). Sobrou o povo e, este sim, com a crise, terá de dar mostras que, duarnte suas décadas de prosperidade, conseguiu construir sólidos conceitos de ética e moral.

  20. O Declínio dos EUA!

    Eu não
    O Declínio dos EUA!

    Eu não acredito que os EUA sofrerão um colapso. Eles são grandes e ricos demais para isso.

    Agora, o ‘declínio relativo’ (ou seja, o fato do poder norte-americano estar diminuindo quando o mesmo é comparado com os demais países) do país já está acontecendo há décadas. Isso começou com 3 fatos de grande importância na década de 1970, que foram: 1) o fim do padrão ouro do dólar; 2) o escândalo de Watergate; 3) a derrota na Guerra do Vietnã.

    O padrão ouro do dólar foi abandonado porque, desde o início da intervenção em grande escala dos EUA no Vietnã (em 1964), o país começou a acumular crescentes déficits externos. Isso provocou a saída de ouro dos EUA para o exterior, levando à diminuição da quantidade de dólar em circulação na economia norte-americana. E isso estava levando os EUA para uma recessão lá por volta de 1970/71. Foi por isso Nixon acabou com o padrão ouro do dólar.

    O escândalo de Watergate, por sua vez, acabou com a idéia, disseminada entre o povo norte-americano, na época, de que seus líderes políticos eram probos, honestos e incorruptíveis. Com Watergate, o povo norte-americano saiu da ‘Idade da Inocência’ quanto ao seu sistema político, mostrando que o mesmo tinha muitas falhas, sim.

    E a derrota na Guerra do Vietnã mostrou que, por mais poderosos que fosse, os EUA não iriam vencer todas as guerras e que, quando enfrentassem um povo unido, organizado, bem comandado e que se recusava a abaixar a cabeça para eles, norte-americanos, os EUA poderiam, sim, ser derrotados militarmente.

    Para mim, a Guerra do Vietnã foi a ‘Batalha de Stalingrado’ dos EUA. Os Aliados descobriram que a Alemanha Nazista, ao perder a Batalha de Stalingrado, não era imbatível. A Alemanha Nazista continuou forte e poderosa mesmo depois desta derrota, mas os Aliados ganharam um novo ânimo, pois perceberam que poderiam derrotá-la.

    O mesmo aconteceu entre os povos do então chamado ‘Terceiro Mundo’ após a derrota norte-americana na Guerra do Vietnã. Os povos do mundo inteiro perceberam que os EUA poderiam ser derrotados, sim.

    E hoje os EUA estão enfrentando, novamente, uma crise nos 3 pilares que sustentam o seu poderio: o político, o militar e o financeiro.

    No aspecto político, os EUA terão que recuperar a sua imagem perante o Mundo, destruída por um Presidente no qual todo habitante da Terra, praticamente, gostaria de, no mínimo, dar uma sapatada.

    Bush institucionalizou a prática da tortura, aprovou o ‘Ato Patriótico’ (que limitou as liberdades e direitos individuais pelas quais os norte-americanos lutaram séculos seguidos para poder desfrutar) iniciou uma Guerra (contra o Iraque) baseada numa coleção interminável de mentiras, jogou os EUA em 2 guerras (contra 2 dos países mais miseráveis do Mundo e, mesmo assim, não consegue vencê-las) que se transformaram em 2 atoleiros para os norte-americanos, enfraqueceu a economia norte-americana, endividou o país de forma absolutamente irresponsável e arruinou o seu sistema financeiro e a sua indústria automobilística, cuja decadência tinha se iniciado antes do governo Bush, mas que este tratou de acelerar. Assim, Bush deixa um legado trágico para o seu sucessor.

    A eleição de Obama ajudou os EUA, temporariamente, a recuperar uma parte significativa do capital político do país, interna e externamente, e que foi destruído por Bush.

    Mas, se Obama mantiver inalteradas as linhas políticas traçadas pelo governo NeoCon de Bush, ou se limitar a promover mudanças meramente cosméticas, ele queimará seu capital político rapidamente. Obama tem que perceber que não são apenas os norte-americanos que desejam mudar, mas o Mundo inteiro. Caso não promova tais mudanças, Obama estará cometendo suicídio político.

    No aspecto militar, os EUA estão atolados em 2 Guerras contra 2 dos países mais miseráveis do Mundo e não conseguem vencê-las, o que joga por terra a tese de que não é possível enfrentar a gigantesca e sofisticada máquina de guerra norte-americana. Desde a derrota na Guerra do Vietnã, os EUA investiram maciçamente, trilhões de dólares, no desenvolvimento de novas tecnologias e novos armamentos. Aviões ‘invisíveis’, mísseis inteligentes, etc.

    Nada disso, porém, é suficiente para fazer com que os EUA derrotem os ‘fortíssimos’ Iraque e Afeganistão.

    Com isso, a visão militarizada da política que foi imposta pelos NeoCons no governo Bush está arruinada. Os EUA, agora, terão que voltar a fazer diplomacia, a dialogar com os seus inimigos, enfim, se quiserem sair dos 2 atoleiros em que se meteram, no Iraque e no Afeganistão. A solução para estes conflitos não é militar, mas política.

    E no aspecto financeiro, o legado de Bush é ainda mais trágico. Ele deixa um sistema financeiro arruinado, que foi parcialmente estatizado a fim de se evitar o seu total colapso, quebrando a confiança no mesmo. Bush também transformou um superávit público de US$ 300 Bilhões/ano herdados de Clinton em um déficit público de US$ 450 Bilhões/ano. E o déficit público previsto para o ano fiscal Outubro/2008 a Setembro/2009 supera US$ 1 Trilhão. E para estimular o consumo, Obama irá injetar outros US$ 850 Bilhões na economia do país, elevando ainda mais o déficit e a dívida pública norte-americanas.

    Tudo isso cria, a médio e longo prazo uma crescente desconfiança em relação ao dólar. E um número crescente de países, empresas e investidores começam um processo de fuga da moeda norte-americana. Nem a Gisele Bundchen quer mais saber de receber em dólares, o que mostra que ela ‘sabe tudo’ de Economia (mais do que o Bush, com certeza). O processo de fuga do dólar somente não é mais rápido porque ainda não existe uma outra moeda que pudesse substituir o dólar como reserva de valor (o Euro carrega consigo as limitações da UE, que não tem um governo único, nem uma Constituição única e nem uma estrutura militar própria, independente. Quem fala em nome da UE nas grandes questões globais? Ninguém sabe.) e porque um abandono muito rápido do dólar geraria gigantescos prejuízos para os próprios detentores da moeda norte-americana.

    A China, por exemplo, possui US$ 2 Trilhões em reservas. Se o dólar perder 30% do seu valor, os chineses amargarão um prejuízo imediato de US$ 600 Bilhões, algo inaceitável para um país que ainda tem centenas de milhões de habitantes vivendo na pobreza ou de forma precária.

    Tudo isso demonstra, claramente, que os EUA estão, sim, enfrentando uma grave crise e se não conseguirem superá-la rapidamente, irão entrar num processo cada vez mais acelerado de perda de poder e de influência no Mundo, ou seja, de decadência.

    E mesmo que se recuperem da crise (o que irá demorar um pouco mais do que se pensava inicialmente… talvez demore ainda uns 2 ou 3 anos) será praticamente impossível aos EUA retomar o mesmo nível de crescimento econômico alcançado nas últimas décadas. E por vários motivos:

    1) É inviável, politicamente ou sob qualquer outro aspecto, a criação de novas bolhas especulativas que possam gerar um novo período de crescimento.

    Há décadas que os EUA estão crescendo, em grande parte, devido a estas sucessivas bolhas (da nova economia, do mercado imobiliário, etc).

    Porém, com o colapso desta última, não há mais clima político para que o povo norte-americano aceite, passivamente, que novas bolhas sejam criadas. Os elevados custos sociais, morais, políticos e econômicos do colapso da bolha imobiliária e de toda a farra especulativa descontrolada que vigorou nas últimas décadas inviabilizam a criação de novas bolhas especulativas.

    Assim, os EUA terão que, novamente, se voltar para o fortalecimento da sua economia real, da produção de bens e serviços que realmente geram riquezas. A era da ‘riqueza virtual’, do domínio do ‘capital fictício’ (como Marx assim chamava) acabou! Investimentos crescentes em Educação, Saúde Pública, Infra-Estrutura, Energias Renováveis, Ciência e Tecnologia, irão substituir, cada vez mais, as bolhas especulativas como fatores que promoverão o crescimento da economia norte-americana.

    2) A crise atual irá deixar um legado bastante negativo em termos econômicos e financeiros.

    Aumento brutal da dívida pública, déficits públicos gigantescos, falência do sistema financeiro, forte aumento do desemprego, da pobreza e da miséria, perda de competitividade da economia norte-americana, esvaziamento do setor industrial (cuja produção foi quase que inteiramente transferida para o exterior e o que ficou no país, como a indústria siderúrgica e automobilística, depende de ajuda Estatal e de proteção para sobreviver), os gigantescos gastos militares (superam os US$ 800 Bilhões/ano) infra-estrutura que precisa ser recuperada, esgotamento das reservas de petróleo do país (até 2020 as reservas norte-americanas do produto estarão esgotadas e os EUA importarão 100% do petróleo que consomem… sabendo disso, fica bem mais fácil entender as razões que levaram os EUA a atacar o Iraque e a apoiar, de forma total, o Estado de Israel, que é o xerife norte-americano no Oriente Médio, procurando manter os povos árabes e muçulmanos da região ‘na linha’) início do processo de aposentadoria da geração baby-boom (80 milhões de norte-americanos nasceram entre 1945-64 e irão começar a se aposentar a partir de 2008, pressionando os gastos públicos e dos fundos de pensão) são apenas alguns dos principais problemas que os EUA precisarão enfrentar nos próximos anos.

    3) No aspecto militar, os EUA terão que rever a política adotada após a derrota na Guerra do Vietnã. Essa política promoveu o desenvolvimento de novos armamentos e tecnologias bélicas cada vez mais sofisticadas, com aviões ‘invisíveis’, mísseis inteligentes, etc.

    Com a Guerra do Vietnã, ficou claro que recrutar estudantes universitários de classe média para guerrear mundo afora era politicamente desastroso, pois quando eles começavam a morrer e a se ferir em grande escala, a maioria da população norte-americana (ou seja, a classe média do país) se voltava contra a guerra.

    Por isso, os EUA acabaram com o recrutamento militar compulsório, que tanta oposição e desgaste político geraram durante a Guerra do Vietnã.

    Com isso, os norte-americanos investiram maciçamente em novas tecnologias a fim de, quando entrassem em conflito, não tivessem que mobilizar grandes contingentes militares, o que resultaria em um grande número de baixas. Isso tornaria as guerras politicamente inviáveis, devido a uma crescente oposição popular, tal como ocorreu durante a Guerra do Vietnã.

    Acreditava-se que, desta forma, seria possível vencer guerras sem usar um contingente militar muito numeroso, pois as armas cada vez mais sofisticadas e mortíferas, o uso de satélites, compensariam o menor número de combatentes.

    Outra estratégia para que os EUA continuassem guerreando indefinidamente foi o uso crescente de mercenários, tanto na Guerra do Iraque, como na do Afeganistão. No Iraque, inclusive, o número de mercenários guerreando pelos EUA supera o número de soldados das Forças Armadas norte-americanas. São 180 mil mercenários, contra 160 mil soldados. E ainda tem mais cerca de 180 mil soldados iraquianos lutando no conflito. O número total destas forças iguala o número de soldados norte-americanos no auge da Guerra do Vietnã, em torno de 550 mil.

    Assim, os EUA promoveram a privatização e a terceirização da guerra. Para conhecer maiores detalhes sobre isso, leiam “Blackwater, a Ascensão do Exército Mercenário mais Poderoso do Mundo”. O livro foi lançado no Brasil em 2008.

    Porém, a brutalidade com que as forças mercenárias atuam nas guerras acaba gerando um desgaste político gigantesco e isso joga toda a população dos países ocupados contra as forças invasoras dos EUA. Para se consolidar o processo de ocupação de um país é necessário conseguir algum nível de apoio da população local. O historiador Eric J. Hobsbawm sempre falou isso. Não se domina um outro povo se este não reconhecer a legitimidade da ocupação. Hobsbawm, por exemplo, diz que os britânicos perderam o controle da Índia a partir do momento em que a população local não passou mais a reconhecer os britânicos como governantes legítimos do país. Quando os britânicos perderam tal legitimidade, perderam o controle do país. E não se consegue tal colaboracionismo da população (que acontece sim… lembrem também da França na época da 2a. Guerra Mundial, quando foi ocupada pelos Nazistas) usando de forças mercenárias brutais que promovem verdadeiros massacres indiscriminados contra a população local.

    A política de investimentos maciços em novas tecnologias e armamentos e de ‘guerras preventivas e infinitas’ têm um custo financeiro gigantesco. Segundo o Prêmio Nobel de Economia, Joseph Stiglitz, a Guerra do Iraque já custou US$ 3 Trilhões para os EUA.

    Portanto, o governo de Obama terá que rever as políticas de privatização e terceirização das Guerras adotadas por Bush.

    Porém, ficou claro, tanto no Iraque como no Afeganistão, a incapacidade dos EUA em derrotar militarmente dois dos países mais miseráveis do Mundo. E se os EUA, usando de toda a sua gigantesca, caríssima e sofisticada máquina de guerra, não conseguem derrotar o Iraque e o Afeganistão, irão ganhar de quem? Eles estão piores do que a ‘Seleção’ do Dunga…

    Como se percebe, grandes tarefas aguardam Barack Obama. Seu governo terá que rever e abandonar as políticas adotadas nas últimas décadas e que estão, de fato, levando a um progressivo enfraquecimento do poderio norte-americano no Mundo.

    O fato é que o custo crescente de uma política de manutenção e expansão do Império norte-americano arrebentou com a economia e as finanças (públicas e privadas) dos EUA. E o povo norte-americano, ao eleger Obama, demonstrou claramente que não quer mais pagar o preço de tal política. Porque os norte-americanos irão aceitar desfrutar de um padrão de vida cada vez pior, ficar desempregados, ganhar salários mais baixos, deixar de ter acesso a assistência médica, a fim de manter uma política fracassada de manutenção e expansão do Império do país e que gera um ódio crescente aos EUA pelo mundo afora, levando-os a um crescente isolamento no cenário internacional? Isso é inviável política, econômica, militar e financeiramente.

    Portanto, a única saída para o Império norte-americano será encolher, diminuir de tamanho, a fim de preservar o elevado padrão de vida desfrutado pelo seu povo.

  21. Nassif, há um risco concreto
    Nassif, há um risco concreto de que Obama não mude tanto, assim, a política militar norte-americana em seu governo.

    Olha isso:

    Como Obama agirá diante das novas diretrizes do Pentágono?

    Naquele que, oxalá, será o último ato da política externa do atual governo norte-americano, o Pentágono emitiu em dezembro uma nova doutrina militar que pode ter graves conseqüências para o país.

    Por Álvaro Camacho Guizado, no El Espectador

    De concreto, o Pentágono decidiu que a guerra contra o terrorismo deve ocupar o mesmo lugar de importância que a guerra convencional. Isso significa que os militares dos Estados Unidos devem ser treinados para intervir em qualquer país do mundo onde possam estar sendo planejada alguma ameaça ao país.

    Na prática, a diretiva estabelece que os Estados Unidos deverão “identificar e prevenir ou derrotar ameaças irregulares de atores estatais e não-estatais”, e poderão extender sua ação até áreas que lhes tenham sido negadas e até mesmo a ambientes incertos, e devem operar com e por meio de forças armadas locais. E há esta pérola: “No futuro previsível, ganhar a Grande Guerra contra o extremismo será o objetivo central dos Estados Unidos”.

    http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=48905

  22. “Os custos dessa crise serão
    “Os custos dessa crise serão repassados para todos os paises do mundo.”.

    Bem, como diria o Garrincha: ‘Você já combinou tudo isso com o adversário?’.

  23. Os EE.UU. sairão mais fortes
    Os EE.UU. sairão mais fortes do que nunca após a grande crise financeira. Os custos dessa crise serão repassados para todos os paises do mundo. O mundo vai se tornar ainda mais dependente do Grande Império, alguns países serão credores e terão relacionamento priviligeado, outros serão eternos devedores e vassalos.

    A Caravana vai passar e, os cães vão ficar latindo….

    É a Economia, …..

  24. Caro

    A pressa com que se
    Caro

    A pressa com que se precisa das soluções econômicas americana, a aglomeração de desempregos e que sobreviva às indústrias e comercio agora, e as circunstâncias energéticas da dependência externa uma visão em conversa me preocupa de analisar como estava decidido antes da eleição de Obama; Quem é ele um professor normalmente um líder na sala de aula ou um líder que se tornou um professor – por seu gabinete composto de cobras e largatos, amigos e inimigos, mas do melhor e capazes e divergentes que apontam hoje na America, considero um líder (carismático) e tudo poderá ser. Não nos acanhes se levar nisso grande interesse da humanidade; ou fará então o trabalho a todo o custo para os Americanos; mas, se o caso é como; disseste-me, vê se me hás por maior, socializar o sistema saúde publica (+ 10% esta fora e aumentando) acabar com a dependência de energia (tecnologia – a característica do sistema social e de ocupação em extensão do pais em grandes e micro cidades são dependente do transporte individual ou independente, o carro e avião são conseqüência, o transporte coletivo não é de grande percurso, veja o Estado Unidos não tem um trem de alta velocidade) e crê-me o retorno a produção ou industrialização interna vai levar a recriar a America e sua siociedade.

  25. André Araújo,

    Sua crítica ao
    André Araújo,

    Sua crítica ao livro falha a partir do momento que você fala “perspectiva Histórica”. A perspectiva adotada pelo livro não é de historiadores mas de economistas. Essa mesma crítica foi feita ao livro numa apresentação do trio no ipea. A resposta é que dentro de uma pespectiva de longo prazo econômica, ou seja, de uns 20 ou 30 anos para frente não há indícios de um forte declínio do porder americano. Óbvio que historiadores possuem prazos diferentes para sua análise e muitos argumentam que existem evidências de fortes resistências ao porder americano que dentro de um prazo de 50 a 70 anos podem levar a sua derrocata. Todos costumam lembrar da diferença entre liderança hegemônica e liderança imperial. Mas não é isso que está em questão.

    Imagina alguém se perguntando na década de 1890 se a existia um declínio do poder britânico. A resposta dentro da perspetiva de economistas seria não. Mas dentro de uma perpetiva histórica nós tivemos 60 anos depois o estabelecimento da hegemonia americana.

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