Resposta a uma análise preconceituosa e arrogante do Brasil

Por MC Oliveira

Entrei em contato com um texto profundamente pretensioso, arrogante, preconceituoso e inverídico sobre o Brasil escrito por um americano. Eu não o conheço e nem li nenhuma das suas obras literárias, mas tive acesso ao seu texto “An Open Letter to Brazil” pelas redes sociais. Acredito que ele tenha aprendido português no tempo em que viveu aqui em nosso país uma vez que se propôs a fazer um diagnóstico amplo de nossa sociedade no seu texto, além de pretender casar-se com uma brasileira, portanto vou responder-lhe em nosso idioma, herdado de nossos antepassados portugueses.

Talvez ele tenha estudado Ciências Sociais e História do Brasil, além de supostamente ter um grande poder de síntese, pois ousou desvendar as raízes de um país em um texto de apenas 200 linhas. Na sua análise atribui a causa de todos os problemas do Brasil ao seu povo e a cada um de nós brasileiros individualmente. Ainda afirma que amigos o convenceram a expor ao público essa sua conclusão. Custo a crer que esses amigos sejam brasileiros, pois me soa aterrador que alguém que vive aqui e que tenha um mínimo de educação e lucidez possa propor o compartilhamento de ideias tão nocivas e funestas. Em suma, julguei as suas colocações, redigidas na carta aberta, extremamente pretensiosas, arrogantes e preconceituosas. Vamos demonstrar esses pontos:

Um país, uma sociedade, uma cultura são formados por processos sociais complexos e interdependentes, que perpassam os séculos. As forças motrizes econômicas e políticas também moldam o passado e contribuem decisivamente para a realidade atual de uma nação. Desta forma as condições geográficas e as forças culturais e sociais é que foram e são responsáveis pelas diferenças entre as tribos, sociedades e países, tanto hoje como no passado. Nesse contexto, é profundamente ingênuo fazer generalizações absurdas, considerando que as pessoas de um país tenham uma tendência inata à má-fé, ao blefe ou ao egoísmo. Talvez ingenuidade não seja o conceito correto para classificar esta sua opinião, mas sim dissimulação ou velhacaria. Acreditar que existe um traço de má índole comum a todos os brasileiros, comprovado pelo exemplo infame de uma resposta a uma pergunta idiota é muito tosco intelectualmente. Ou seja, ele levanta uma tese falsa e absurda e tenta prová-la com um exemplo fictício e fantasioso criado por ele mesmo. Esse tipo de argumentação não é baseado na razão e nem na lógica científica, sendo, portanto pura tolice. Não há também base científica para caracterizar um povo como mais virtuoso ou mais ético do que outro. O Brasil, como certamente todas as demais civilizações humanas tem milhares de exemplos de ações edificantes, altruístas e solidárias, bem como de vilanias perpetradas com os mais torpes desígnios. Aí reside o caráter simplório de sua argumentação, colocando que os brasileiros cultivariam o egoísmo e a vaidade de forma mais exacerbada que outros grupos humanos, resultando em um povo mais corrupto. Com base em que? Uma viagem a uma praia do Nordeste? Novamente não há qualquer lógica racional nem comprovação desses argumentos.

Podemos trazer como contraponto às suas opiniões o modo de vida atual das sociedades capitalistas do assim chamado Ocidente desenvolvido, baseado na opulência e na ostentação, consumindo, ou melhor, dizendo esbanjando de forma hedonista, os recursos naturais do planeta em taxas imorais. Sabe-se que os recursos naturais do planeta Terra seriam insuficientes se toda a população vivesse da forma como vivem os norte-americanos, desperdiçando matérias primas preciosas. Esse modo de vida que tiranizou a maioria da população do planeta foi obtido debaixo de muito sangue e dor e hoje se utiliza de ferramentas de dominação mais sutis e menos ostensivas, porém não menos letais.

Propalar que as sociedades mais avançadas economicamente da Europa ou da América do Norte são assentadas em valores morais nos quais o senso de justiça coletiva prevalece sobre o indivíduo é mostrar desconhecimento da História ou intuitos inconfessáveis. Esses princípios só tem sido válidos para alguns privilegiados das elites brancas (WASPs), bastando relembrar alguns fatos do passado, tais como o massacre dos índios norte-americanos ou a exploração dos trabalhadores nas fábricas, e mesmo do presente como o racismo contra os negros do Sul dos EUA ou contra os descendentes de mexicanos na Califórnia, a intervenção indecente da CIA na derrubada de governos eleitos democraticamente pelo mundo e a espionagem imoral da NSA delatada por seu compatriota Snowden.

Como ele gosta de exemplos, aqui vai um: Qual o país mais corrupto, o Brasil ou a Suíça? Muitos afirmariam que é o Brasil, sem sombra de dúvida, no entanto se levantarmos o véu da impunidade, veremos que a Suíça, que permite contas secretas em seus bancos, enriquece com o dinheiro sujo e manchado do sangue dos inocentes. De acordo com sua lógica, o povo suíço seria mais corrupto e canalha, pois acobertaria e garantiria a sua riqueza pela lavagem de dinheiro dos ditadores e criminosos globais. Concluir, portanto, de forma simplista que os brasileiros traem, mentem e são mais corruptos que outros povos vêm a ser de extrema má-fé e ignorância.

A História nos mostra que a grande concentração de renda nas mãos de poucos é característica das sociedades humanas desde a criação das civilizações com a divisão em classes sociais. Houve alguma distribuição da riqueza a partir de fins do século XIX em função das guerras mundiais e das pressões de sindicatos e instituições democráticas, as quais estão perdendo força na economia globalizada. Podemos ressaltar que a riqueza está novamente se concentrando nas mãos dos mais ricos nesses tempos de dominação do capital financeiro. A crise de 2008 é simbólica de como a ganância, e aí sim, o egoísmo e a vaidade em grande escala dos capitalistas financeiros de Wall Street, levaram o mundo a uma crise análoga à de 1929 com o colapso do banco Lehman Brothers, desemprego, recessão e o resgate das demais instituições financeiras pelo governo americano com dinheiro público.

Possivelmente a sua avaliação do nosso país foi muito influenciada pela ótica de setores da burguesia e da alta classe média brasileiras, constituindo outro erro crasso. Esses setores são de fato responsáveis pelo atraso e pela subserviência da nação, refestelando-se nos privilégios herdados de seus ascendentes muitos dos quais se perpetuam desde a colonização. Essas pessoas sonham com uma vida fútil no exterior e criticam a corrupção e os maus hábitos dos outros brasileiros, mas não reconhecem seus próprios desvios. Quantos roubam dinheiro público e sonegam impostos abertamente?

A imensa maioria dos brasileiros, entretanto, é composta por gente trabalhadora, que luta para sobreviver com dignidade, mas tem seus direitos negados por essa elite preconceituosa que insiste em evitar a distribuição da renda nacional e o acesso à cidadania plena. Mas a sociedade brasileira vem avançando na direção de uma maior democratização das instituições, da distribuição da riqueza do país em benefício de todos e da igualdade de oportunidades para a população independentemente de gênero, etnia, orientação sexual e religião.

A sua visão parece-me também ser contaminada de certo moralismo calvinista, no qual o sucesso individual é decorrente de qualidades superiores de quem o atingiu e que se julga certamente melhor e mais capaz do que os demais que fracassaram. Ora essa ideologia resvala nas bases do racismo e do sectarismo, possibilitando sociedades que vendem armas de guerra em supermercados e que produzem cidadãos desajustados que invadem jardins de infância, colégios e faculdades para matar sem razão. Essa forma de ver o mundo é que produziu a Ku Klux Klan, a segregação racial até os anos 70 e vem aumentando a desigualdade nos EUA.

Finalmente, eu lamento desiludi-lo e dizer-lhe algumas palavras com franqueza: o Brasil não vai ser parte de você nunca, pois você não entendeu nada de nossa cultura e não incorporou a nossa alma. O Brasil é uma nação multiétnica e multicultural desde o seu nascimento, o qual não se deu sem dor, houve violência e agressões, mas hoje temos uma nação que antecipou o século XXI, com uma cultura miscigenada, rica, vibrante e poderosa. O Brasil é hoje a primeira sociedade tropical do Terceiro Mundo a alcançar um patamar de desenvolvimento que abrirá as portas de um futuro mais igualitário para seu povo, trazendo ventos de renovação e liberdade para um mundo esclerosado, preconceituoso e sectário.

Ao contrário de sua visão pessimista e sombria, vejo o Brasil avançando rumo a uma democracia de massas, pujante e com um projeto de inclusão de todos. Diferentemente de outros países onde constatamos que visões racistas e xenófobas parecem ganhar força contra posições mais generosas que já prevaleceram no passado. Estão aí os Trumps, Le Pens e outros para confirmar.

A caminhada não será fácil, restam ainda gigantescos desafios, mas eu acredito na capacidade de superação e no valor do povo brasileiro que já enfrentou graves desafios através dos nossos 500 anos de história, tais como escravidão, ditaduras, opressão, fome, censura, falta de liberdade, crises econômicas, inflação e revoltas e está construindo uma sociedade pluralista e democrática, apesar de alguns sabotadores das elites.

A difícil conjuntura atual será superada justamente pelo que ele não entende e mais critica em nossa cultura, a personalidade dos brasileiros, que se caracteriza pela alegria de viver, inventividade, criatividade e respeito pelas diferenças.

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21 comentários

  1. Gastando vela boa com defunto

    Gastando vela boa com defunto ruim:  o cara escreve como um menino de 12 anos, em sentencas simples e generalizacoes mais proprias a pre-teens.

    • Permita-me discordar

      Permita-me discordar de seu ponto de vista, Ivan. Não é gasto de vela com defunto ruim. Essa “carta aberta” do tal americano teve significativa repercussão. Eu mesmo recebi, pelo whatsapp, video onde uma jovem lê a tal carta, dizendo concordar plenamente com o seu teor e desejando que a mesma chegue ao conhecimento do maior número de pessoas. Já encaminhei o ótimo contraponto do Oliveira à pessoa que me repassou o vídeo.

      • Nessas circunstancias eu

        Nessas circunstancias eu tambem discordo do meu ponto de vista.  Obrigado pelo contexto, Ronaldo!

  2. Avante …., sempre !!!!!!!!!!!!!!!!!!

    É isso aí, MC Oliveira !!!

    O contraponto que vc faz a esta aberração norte-americana, muito nos agrada, e assim é que deve ser!!! Contrapor a todos os que pensam conhecer a alma brasileira, mesmo tendo escolhido uma companheira ou esposa para compartilhar nossas belezas e ao final se esmeram em criticas a esta grande Nação e ao seu povo!!!

    Os quinta-colunas, acostumados a usurparem nossas riquezas, aliados aos estangeiros saqueadores, estão desesperados, e fazem de tudo para banirem nossos avanços na área social e humana!!!

    Minha esperança é que os que estão agora se formando em cursos de graduação,tendo as oportunidade que seus antepassados nunca tiveram, tais como  mestrado e doutorado, façam a diferença e não se bandeim para este extrato new classe média, e reconheçam aque a luta apenas começou com os goverrnos Lula e Dilma.

    Façam portanto a diferença, e ninguém irá mais segurar esta grande Nação !!!! Apesar deles !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

  3. Uma vela para Deus, outra para o Diabo

    Vou concordar o Brasil é Grande e Único no planeta, sua diversidade é seu problema, mas também sua vitória, uma vitória diferente e inédita, mas vitória.

    O Mark não perdeu o ranço do tio rico que visita o sobrinho pobre na periferia, assim, mantém um olhar arrogante que é sua característica mais marcante no texto. Não que ele não repita as mazelas que todos nós aqui do blog recitamos de cor de trás para frente, mas quando um gringo mete a colher todos caem de pau.

    Já o argumento sociológico do Dom me parece um pouco ufanista e enviezado também, a realpolitk do planeta não tem se caracterizado pela sutileza ultimamente, os argumentos, sejam os físicos – guerras, sanções comerciais e outros, bem como os monetários – fim do dinheiro físico, fechamento unilateral de agências bancárias e outros  também, são de um nível de apelação que deixa embaraçado qualquer morador de Bangu 1. 

    A diplomacia na atual quadra está em seus piores dias, refugiados morrendo em situações de risco não deixam dúvidas sobre isto. 

    Qual será o futuro, guerra ou negociação? Só Deus sabe.

    Esperemos que as forças sociais organizadas do Brasil consigam encontrar uma trilha de paz e prosperidade, sem confrontos e acirramentos, que no mais, só nos trariam mais problemas aos inúmeros que já estamos enfrentando.

    No mais, ao Mark, bom retorno e continue produzindo suas análises, que tomaremos com um grão de sal.

  4. É mais saudavel crer e agir

    É mais saudavel crer e agir para tal em profecias digamos naturais – Brasil o país mais rico do Planeta em recursos – insidencia da luz solar, agua potavel, minerios, petroleo (que o traidor Serra quer doar) caminha para liderar um processo solidario – America latina berço de uma nova civilização.

    E isso na medida em que diminua a desigualdade de renda das familias, indecente, indecorosa no país mais rico do planeta.

    E esse americano como a maioria praticam a ideologia de atribuir as mazelas ao proprio individuo e não as geopoliticas praticadas pelo imperialismo. É so consultar o “Destino manifesto ou a teoria do “Big stick” Querem impedir ao  povo de sonhar com a possibilidade de nação feliz

  5. Achei ingênuo o texto do

    Achei ingênuo o texto do norte-americano. Apenas isso. Não merece o burburinho que provocou. Desconhece o que é exploração, mais-valia, imperialismo, etc. e foca apenas numa característica psicológica brasileira: o homem (falso) cordial. É um americano “bonzinho” querendo “consertar” o Brasil segundo os seus moldes. Não achei maldoso. Apenas um tolinho que acerta algumas coisas e demonstra desconhecimento profundo de outras.  

    • Verdade,

      mas é um “tolinho” que, se não convenientemente desmascarado, em poucos dias se torna dono da verdade. A zumbizada das “redes de esgoto sociais” já o idolatram dia e noite!

  6. A texto do mr. Manson não foi de todo ruim.

    Esse texto pseudo ufanista enaltecendo a brasilidade também não é um primor.

     

    Temos problemas graves enquanto sociedade. Negar isso é infantil e inútil.

     

    A verdade é que odiamos que gringos nos julguem, mesmo que certas críticas procedam.

     

    Eu fui no blog do Mark Manson e ele não poupa nem os EUA em suas críticas.

     

    Engraçado o autor desse texto afirmar que Manson não entende nada de Brasil. Mas ele é o sabichão que entende como funciona os EUA e seu povo?

     

    Aham, sei…

      • Bla bla bla…
        “Temos
        Bla bla bla…
        “Temos infelizmente muita dificuldade em aceitarmos críticas…”
        Lugar comum sem nenhum embasamento científico.
        Me poupe!

    • Sim, sabemos sim como
      Sim, sabemos sim como funciona os EUA. O propalado “American way of life” as custas dos outros povos…

  7. Também acho que foi muita

    Também acho que foi muita vela para pouco defunto… Vejo uma grande possibilidade desse Sr. Mark dar-se mal por aqui… ou seja lá por onde for que decidir andar. Ninguém tem muito saco para com moralistas, creio…

  8. Texto do Mark Manson

    Não me parece que a melhor forma de analisar o texto desse senhor, Mark Manson, sobre o Brasil, seja considerando-o ofensivo e preconceituoso contra nosso país. O material me soou mais como uma carta crítica de despedida, onde ele faz algumas apreciações que abordam, talvez até um pouco causticamente, alguns de nossos hábitos sociais comuns, maneiras de convívio e jeito de ser. O Sr. Manson, pelo que me lembro do texto, não põe em mérito as origens dessas atitudes que percebeu mais ou menos imperantes aqui no Brasil; mas sim um certo caráter das mesmas, que seria deletério ao que se esperaria como o melhor e mais  adequado funcionamento de nossa sociedade… E tais atitudes não teriam propriamentecomo base, segundo o Sr. Manson, uma suposta moral deformada do povo brasileiro; mas sim aspectos da cultura brasileira provenientes, provavelmente, de práticas imperantes no país que têm início e origem difíceis de localizar e que acham-se diluídas em nossa história. Assim, não me senti pessoalmente ofendido pelo que o Sr. Manson escreveu e, mais ainda, concordo pelo menos em parte com algumas avaliações feitas por ele. Me parece que ao ler o texto do Sr. Manson, é necessário despir-se de um ímpeto nacionalista mais exacerbado, procurando ter em mente um mínimo de abertura e disposição para absorver a crítica de outrem, em relação a nossa maneira de ser. Por que simplesmente descartar algo que, eventualmente, possa trazer um pouco de clareza sobre algumas das causas de  nossos problemas? A propósito, suponho estar longe de ser um “colonizado tucano” e nunca me considerei subserviente aos interesses e ideias dos “grandes irmãos do norte”; bem ao contrário, me acredito um crítico contumaz da política norte-americana e, sobretudo, um homem do lado esquerdo dessa forma desgastada, mas ainda atual, de se definir o espectro político.

  9. texto do gringo

    Não fiz essa leitura ao ler a carta ao Brasil. Mesmo não concordando 100% com ele, penso que o “gringo” traduziu bem, no texto, o que acredito que é um dos males do Brasil mesmo: aos amigos (família, etc) tudo e aos inimigos o rigor da lei. Esse egoísmo existe e acho que é um dos motivos pelos quais ainda não somos uma nação. Tem também o monopólio da Globo e do país que ela construiu no imaginário popular, mas essa ideia de que a família está acima de tudo é uma coisa que não é monopólio do Brasil, mas realmente explica a falta de espírito público que temos.

  10. Eu gostei

    Eu gostei do texto. O autor provavelmente não é um especialista em estudos sociais, ou se é, preferiu escrever de uma forma acessível a todos, e como tal, tem mais poder de síntese do que de análise. Mas em linhas gerais, mesmo sem aprofundar, as opiniões dele têm muito a ver com opiniões minhas que publiquei em vários artigos no passado.

    Segue o link para o texto dele em português:

    http://markmanson.net/brazil_pt

    Alguns artigos que escrevi, e que mostram ideias parecidas:

    http://www.pedromundim.net/CaraterBrasileiro.htm

    http://www.pedromundim.net/BrasCordial.htm

    http://www.pedromundim.net/NeuroBrasil.htm

    E de resto, achei bastante falha a argumentação do autor do post, que tentou refutar o sujeito. Eu penso que para analisar o caráter dos povos, é preciso olhar para o detalhe, e não para o todo. Por detalhe refiro-me ao comportamento cotidiano do cidadão comum. Então, os países ricos são maus porque esbanjam os recursos do planeta em grau muito maioir do que os países pobres? Mas isso tem a ver com o tamanho da economia deles relativamente à nossa. Considerando per capita, ou seja, focando no detalhe, vemos que os brasileiros e pobres em geral sujam muito mais: não reciclam seu lixo, despejam esgoto nos rios, permitem que favelas desmatem as encostas, etc.

    Se os EUA massacraram índios e exploraram trabalhadores nas fábricas, nós também o fizemos. Na verdade, a história dos EUA e do Brasil têm muito mais pontos em comum do que a maioria das pessoas admite.

    A Suíça é mais corrupta do que o Brasil porque seus bancos recebem depósitos de ladrões? Não concordo. Além de tais depósitos representarem uma parcela diminuta da riqueza dos suiços, e de não estarem imunes a bloqueios quando sua ilegalidade é provada, o caráter dos povos deve ser julgado pelo comportamento cotidiano do cidadão comum, e não pelas regras corporativas de seus bancos. E eu, que já estive várias vezes na Suíça, posso garantir que o cidadão suiço é extremamente cordato e respeitoso da lei, além de patriota.

    Apenas a alta burguesia brasileira é responsável pelo atraso da nação? Não faz sentido. Nossa alta burguesia não veio de Marte em uma espaçonave, ela é produto do mesmo meio que o restante da população. A única diferença entre a burguesia e o povo é a renda, pois de resto ambos são assemelhados cultural e psicologicamente. Acaso jogador de futebol e pagodeiro que se torna rico não fica tão ou mais ostentador quanto quem já nasceu rico? Só para lembrar, a famigerada cultura do “jeitinho” é muito mais reportada ao zé-povão do que à elite.

    Por fim, a acusação de racismo é totalmente caluniosa. Em todo o texto, não li uma única vez a palavra raça.

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