O brasileiro que foi abandonado à própria sorte na Cisjordânia

Jornal GGN – Na primeira quinzena de maio, o Jornal GGN deu matéria sobre Islam Hamed, o palestino filho de uma brasileira que está preso ilegalmente na Cisjordânia.

Sua história é a mesma de muitos jovens palestinos que vivem no território ocupado por Israel. A insurgência contra o Estado de exceção os coloca no lado oposto da lei.

Só que a lei que os julga não os redime. Há quase dois anos o Tribunal de Justiça Palestino já decidiu que a prisão de Islam Hamed é ilegal. E ele continua preso.

Como forma de protesto, ele está em greve de fome há 44 dias.

Essa história particular só nos sensibiliza porque a família materna do rapaz é brasileira. E tenta desesperadamente trazê-lo para o Brasil.

O Jornal GGN conversou com o embaixador da Palestina no Brasil, Ibrahim Alzeben. Ele disse que Islam só continua preso porque é “solicitado pela autoridade israelense e se for solto pela Palestina será imediatamente preso por Israel”.

“Nós oferecemos à embaixada do Brasil entregá-lo de imediato. O que nós não queremos é assumir a responsabilidade se acontecer algo com ele”, disse.

“Eu quero lembrar ao senhor que todo o território palestino está ocupado. Ele está em uma cela, mas todo o nosso povo está preso”, lamentou.

A família de Islam está desesperada. Na última matéria, depois de aceitar conversar com a reportagem do GGN, a prima dele, Aline Baker, pediu anonimato. “O governo brasileiro disse que tem novidades, mas que é pra eu parar de falar com a imprensa”.

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Seu nome foi ocultado e suas citações reescritas. Até o crédito de suas fotos da Palestina foi dado à Delegação brasileira em missão a Gaza.

Só que o tempo está passando e o governo brasileiro ainda não resolveu a questão. Pior: parou de atender a família. “Ninguém mais no Itamaraty quer falar comigo”, afirmou Aline.

O Itamaraty compartilhou no dia 19 uma posição oficial. Disse em nota que “O Governo brasileiro tem realizado gestões por sua soltura, desde que expirou sua pena, em setembro de 2013”.

“Nos últimos dias, foram reiteradas gestões junto às autoridades da Palestina e de Israel, em Brasília e naqueles países, para que o nacional brasileiro seja solto e tenha salvo-conduto concedido, com o objetivo de que seja repatriado ao Brasil. O Governo brasileiro lamenta que suas gestões não tenham até momento sensibilizado os Governos palestino e israelense”.

Aline lastima a omissão de um fato importante na nota: a greve de fome do primo, que está em uma dieta de água e sal e já perdeu mais de 17kg. Ela tem a impressão de que o governo está passando a questão de um departamento para outro.

Sob a condição de anonimato, o Jornal GGN conseguiu conversar com uma fonte no Itamaraty, que pediu compreensão para a dificuldade de negociação. “Esse assunto tem muitas dimensões. Tem o aspecto humanitário, da saúde dele, que a Divisão de Assistência Consular (DAC) continua cuidando. E tem o aspecto político das gestões junto dos governos da Palestina e de Israel para a soltura dele, que está com a Divisão de Oriente Médio I (DOM). Então, não é que o assunto está passando de um lado para o outro. Ele tem muitas dimensões. Não é uma coisa simples de resolver, senão a gente já tinha resolvido antes”.

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Só que Aline lembra que o primo está em uma corrida contra o tempo. “Está horrível a situação do Islam. Ele está tendo sangramento no nariz, está muito calor lá, ele está numa cela solitária, que bate sol, então, fica tipo um forninho. E não tem ventilador. Os outros presos têm, então, não é porque não existe ventilador na prisão, existe. E não é uma questão de privilégio, todos os presos têm ventilador”.

 “Já que a gente não consegue negociar a vinda dele pra cá, queremos pelo menos uma melhor condição pra ele lá”, suplicou.

A família tenta dissuadi-lo da greve de fome. Mas ele se sente injustiçado e diz que vai até o fim. 

Amanhã, a família brasileira de Islam Hamed, a Frente em Defesa do Povo Palestino e diversas entidades da sociedade civil vão protocolar um documento pedindo que a presidente Dilma Rousseff o mantenha sob proteção na embaixada brasileira em Ramallah.

https://www.youtube.com/watch?v=3pjR_gd9CtA&feature=youtu.be width:700 height:394

Leia também: Islam Hamed e a Palestina sitiada

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17 comentários

  1. Brasileiro?

    Vamos parar com essa hipocrisia de chamar de brasileiros pessoas nascidas de um pai brasileiro mas que opta por território, país e nação estrangeiros e, na hora do pega para capar, vem cá Brasil pois sou brasileiro?

    Ser natural de um país tem direitos e obrigações, e uma delas é PRESTAR SERVIÇO MILITAR.

    Por acaso esse “brasileiro” serviu ao Exército Brasileiro? Os palestinos que cuidem dele.

    • Que visão limitada de mundo.

      Que visão limitada de mundo. Se ele tem vínculos, principalmente sanguíneos, com mais de um país, é natural que ele se envolva em questões de ambos os lados. Bem como é natural que em uma situação como a presente seus familiares busquem ajuda onde puderem. Será que você é tão radical assim nas questões que envolvem sua família?

      • “Que visão limitada de mundo”

        “Que visão limitada de mundo” (2)

        Tao ignorantes que nao sabem que nenhum pais do mundo desiste de seus cidadaos, sejam eles nascidos ou nao, falem eles ou nao a lingua “mae”, morem eles ou nao no pais ou nos quintos dos infernos.

        (E os palestinos vivem la.)

    • Não bastasse querer repatriar bandido, agora querem guerrilheiro

      “Sua história é a mesma de muitos jovens palestinos que vivem no território ocupado por Israel. A insurgência contra o Estado de exceção os coloca no lado oposto da lei.” Portanto esse cara NÃO é brasileiro, É palestino, então o problema É DELES e o cara é um insurgente, em outras palavras É UM GUERRILHEIRO, aqui não é lugar para guerrilheiro. Que fique por lá mesmo.  Só falta a Dilma dizer que vai romper relações diplomáticas com Israel ou a Palestina por causa de um cara que nada tem a ver com o Brasil, da mesma forma que fez com a Indonésia por causa de 2 criminosos traficantes. O cara NASCEU na Palestina, portanto nada tem de brasileiro. Duvido que fale português e se vier para cá vai querer continuar com seus costumes palestinos e muçulmanos, pois essa é a sua cultura. Que fique onde está. Enquanto estava guerreando na boa, tava tudo certo, ele defendia a causa palestina. Agora que se deu mal, virou brasileiro. Ora vá se catar, sô!

      • Você que se apresenta com

        Você que se apresenta com este nome Lubiashi Bublanski é quem quer definir quem é brasileiro ou não.

        Além de tudo é preconceituoso e xenófobo ao dizer que o rapaz em questão iria continuar com seus costumes palestinos e mulçulmanos, a constituição brasileira garante a liberdade religiosa para muçulmanos e judeus, católicos e budistas e outras tantas crenças, não me consta que imigrantes italianos ou japoneses sejam obrigados a abandonar seus costumes nacionais, a não ser que infrinjam às leis brasileiras. Talvez  você saiba menos de Brasil do que o rapaz a quem discriminou.

      • Descendentes de imigrantes

        Descendentes de imigrantes todos somos, ninguém é 100% brasileiro. Além disso é completamente normal que os palestinos se revoltem com tanta putaria sionista acontecendo lá. VSF otário

      • nao e´brasileiro

        Pelo seu sorenome voce tbem nao é brasileiro. Nasceu por acaso do destino como muitos brasileiros. Guerrilheiro deve ter orgulho de lutar contra genocidas e Israel.  A Palestina é um gueto.Nem todos sao culpados, mas mesmo quem se omite tem culpa, Assim como os alemaes no nazismo.

    • Eu não servi ao Exército. Não sou brasileiro?

      Eu fui dispensado, não servi o Exército. Não sou brasileiro? E os menores de 18 anos, que não podem se alistar, não são brasileiros?

      Pra você não perder tempo dando explicações e justificativas, veja primeiro o art. 12 da Constituição Federal, que define quem é brasileiro. Ali não fala em momento algum em ter servido ao Exército (ou qualquer outra arma) como condição pra ser brasileiro…

      Por fim: quem é brasileira é a mãe dele e não o pai (nem sei se você leu esse trecho…). E na matéria anterior foi informado que ele possuía passaporte brasileiro e nacionalidade brasileira.

      • E você sabia que pelas leis

        E você sabia que pelas leis brasileiras, um cidadão brasileiro que combater por outro país perde direito a cidadania brasileira ?

  2. “Itamaraty compartilhou no

    “Itamaraty compartilhou no dia 19 uma posição oficial. Disse em nota que “O Governo brasileiro tem realizado gestões por sua soltura, desde que expirou sua pena, em setembro de 2013””:

    Ta faltando escritor de press release no Itamaraty?  Nao bastasse as pernas de pau linguisticas, ainda tinha que colocar duas virgulas erradas?

  3. Embaixador enrolou

     O Sr. Ibrahim Al – Zeben esqueceu um “pequeno” detalhe, que Islam Hamed é oposição ao governo palestino oficial – Cisjordania – sendo ligado ao Hamas, portanto o governo de Ramalah pouco ou nada se importa em libera-lo, pois raciocinando como lá se faz, ele viria ao Brasil e depois de algum tempo, retornaria para Gaza ( Hamas ).

      Quanto a entrega-lo a legação brasileira de Ramalah, a unica mudança na situação seria que ele ficaria circunscrito as dependencias da embaixada brasileira, seria mais uma “prisão”, pois para trafegar para a Jordania sem passar pelos controles israelenses é impossivel – alem de ter que conseguir da Jordania um “visto de transito” ( o que tb. é complicado, Israel é muito amiguinha dos jordanianos ).

  4. o problema não é nosso!

    Esse governinho lulo-petista esta recebendo milhares de refugiados haitianos e africanos, que entram no brasill pelo paupérrimo norte brasileiro  e são distribuidos pelo sul, com documentos, carteira de trabalho e bolsa-refugiado. faz conchavos com os cubanos para construir portos e reformar aeroportos, além de receber pseudo-médicos como forma disfarçada de enviar dinheiro para a família castro. Briga com um país soberano e democrático, a malásia, por causa de traficantes brasileiros. Apoia a escória da américa do sul fazendo vista grossa para os desmandos de evo morales e maduro. Nossa política externa é desatrosa e lesa-pátria.

    Esse palestino declara nacionalidade por conveniência. Não é e não se sente brasileiro, só quer se safar da enrascada que se meteu. Se pudesse, diria que tem parente chines. Mas de for para renuciar às armas e viver em paz no brasil aceitando outras religiões, e até os judeus que aqui vivem, então será bem vindo ao brasil.

     

    • Que armas!? Onde tu fumou

      Que armas!? Onde tu fumou dessa!? Agora todos os palestinos que se defendem com pedras são terroristas!? Vai tomar no seu c, vc com certeza é descendente de imigrantes e tá aí falando mrd

  5. + comentários

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