Canção popular e barbárie: a música na tortura, por Paulo Fernandes Silveira

Nos últimos anos, comissões da verdade foram instituídas em diversos países que passaram por ditaduras militares nas décadas de 60, 70 e 80.

(A advogada Eunice Paiva e o deputado Rubens Paiva com sua família).

Canção popular e barbárie: a música na tortura

por Paulo Fernandes Silveira

As músicas são poucas, talvez uma dúzia, sempre as mesmas, de manhã e à noite: marchas e canções populares caras a todo alemão. Elas estão gravadas em nossas mentes: serão a última coisa do Campo a ser esquecida.” Primo LEVI, 1988, p. 50 (essa passagem foi analisada por Juliane BRAUER, 2016, p. 1).

A Comissão Nacional da Verdade (CNV) foi instituída no Brasil em 16 de maio de 2012, em cumprimento à Lei Federal 12528/11, aprovada no Congresso e sancionada pela presidenta Dilma, do Partido dos Trabalhadores (PT), uma das pessoas presas e torturadas na última ditadura empresarial-militar. No governo anterior, o presidente Lula havia estabelecido negociações com diversos setores da sociedade para viabilizar sua criação. Os trabalhos da CNV foram finalizados no dia 16 de dezembro de 2014. Em reação a esse movimento político internacional de repúdio às graves violações dos direitos humanos na América Latina, em 2018, a maior parte dos brasileiros elegeu um presidente (militar reformado) que foi contra a instalação da CNV.

Nos últimos anos, comissões da verdade foram instituídas em diversos países que passaram por ditaduras militares nas décadas de 60, 70 e 80. Essas comissões registraram os testemunhos dos torturados e elucidaram os crimes contra a humanidade cometidos nesse período. Segundo a psicanalista Maria Rita Kehl, trazer à tona essas experiências não compartilhadas pela coletividade é uma maneira de pôr fim à impossibilidade de esquecer o trauma:

“Da mesma forma, os (as) companheiros (as) e filhos (as) de desaparecidos (as) políticos, na ausência de um corpo diante do qual prestar as homenagens fúnebres,               só puderam enterrar simbolicamente seus mortos ao velar em um espaço público a memória deles e compartilhar com uma assembleia solidária a indignação pelo ato bárbaro que causou seu desaparecimento.” (KEHL, 2010, p. 127).

Esse é o caso do sofrimento da família do deputado Rubens Paiva, preso, torturado e assassinado em janeiro de 1971. Após quarenta e três anos de mentiras e silêncios, os testemunhos para CNV ajudaram a esclarecer as condições da sua morte. Num texto marcado pelas experiências da infância e da paternidade, a partir dos relatórios da CNV, um dos seus filhos, Marcelo Rubens Paiva, narrou essa tragédia política e familiar num belo livro:

“Meu pai apanhou por dois dias seguidos. (…) Apanhou no DOI-Codi, no quartel do 1º Exército. (…) Imaginar este sujeito boa-praça, um dos homens mais simpáticos e risonhos que muitos conheceram, aos quarenta e um anos, nu, apanhando até a morte… Dizem que ele pedia água a todo momento. No final, banhado em sangue, repetia apenas o nome. Por horas. Rubens Paiva. Rubens Paiva. Ru-bens Pai-va, Ru… Pai.” (PAIVA, 2015, p. 112-113).

Algumas páginas antes, Marcelo Paiva imagina as palavras que não pôde ouvir do próprio pai:

“Eunice, Verinha, Cuchimbas, Lambancinha, Cacareco, Babiu… Perdão. Não verei mais vocês crescerem, não estarei mais ao lado de vocês, não consigo mais proteger vocês, não vou mais brincar com vocês, escutar suas risadas, correr atrás, nadar, não acompanharei vocês na escola, nossa casa maluca não sairá do papel, não saberei que faculdade farão, que diploma pegarão, não acompanharei vocês na vida profissional, não conhecerei seus filhos, meus netos, (…) que pena que estou indo embora, que triste que não posso ficar, não me deixam ficar, é inevitável que eu vá, eu não queria, eu não queria, estou tão triste” (PAIVA, 2015, p. 108).

Pelo depoimento de Marilene Corona Franco, prestado em setembro de 2013, vem a público os detalhes do assassinato de Rubens Paiva. Na noite do dia 19 para o dia 20 de janeiro de 1971, ela e a sogra da sua irmã, Cecília Viveiros de Castro, desembarcaram no aeroporto do Galeão. Elas vinham do Chile. Entre seus pertences, Marilene trazia um pacote de cartas de exilados para seus familiares que deveriam ser entregues a Rubens Paiva, o número do telefone do deputado estava junto ao pacote. Ambas foram presas ainda no aeroporto, Marilene acredita que os agentes que as prenderam, do Centro de Informações de Segurança da Aeronáutica (CISA), já sabiam que ela trazia as cartas.

Na manhã do dia 20 de janeiro, armados com metralhadoras, agentes da CISA prenderam Rubens Paiva em sua casa. No dia seguinte, os agentes prenderam sua esposa, Eunice Paiva, e sua filha, Eliane, de quinze anos. Elas não foram torturadas, tampouco presenciaram a bárbara tortura a que Rubens Paiva foi submetido no Destacamento de Operações de Informação – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-CODI), na Tijuca, para onde também foram levadas.

Segundo o depoimento de Marilene Corona, ela e Rubens Paiva passaram por frequentes torturas. Ela ouviu gritos fortes de dor em meio ao som alto das músicas “Jesus Cristo” de Erasmo e Roberto Carlos e “Apesar de Você” de Chico Buarque. Marilene Corona relatou o uso de três aparelhos na sala de tortura: máquina de eletrochoque, pau-de-arara e cadeira do dragão. Havia também torturas psicológicas: além das humilhações, como terem de ficar nuas em frente aos soldados, não era possível dormir, pois, durante a madrugada, jogavam luzes nas celas e perguntavam os nomes completos das pessoas presas. Depois de sofrer violentas e constantes agressões, sozinho em sua cela, Rubens Paiva pedia água, seus remédios e repetia com a voz fraca seu próprio nome.

Apesar de terem ficado presas em celas diferentes, Cecília de Castro relatou a Marilene Corona ter percebido uma grande movimentação numa madrugada, além de ter ouvido alguém afirmar que Rubens Paiva precisaria ser hospitalizado. Valendo-se de outros testemunhos, em seu relatório final, a CNN concluiu que o deputado não recebeu atendimento médico, falecendo após dois dias de intensas torturas.

Depois de recuperarmos essa história terrível, parece ser um despropósito nos preocuparmos com uma das estratégias mais leves da tortura sofrida por Rubens Paiva: a repetição das canções. No entanto, como mostram algumas pesquisadoras desse tema (BRAUER, 2016; CHORNIK, 2019; CUSICK, 2006; PAPAETI, 2020), essa estratégia de tortura nos ajuda a entender o contexto político por trás da barbárie.

Nas pesquisas de Katia Chornik (2019) e Anna Papaeti (2020) a partir dos testemunhos de pessoas torturadas nas últimas ditaduras militares no Chile e na Grécia, podemos identificar semelhanças na aplicação dessa estratégia: as mesmas canções são repetidas inúmeras vezes e com um volume bastante alto; elas são, geralmente, populares e recentes; não são escolhidas aleatoriamente, uma vez que suas letras possuem relações com o conflito político nesses países; seu uso está associado a outras estratégias psicológicas e físicas de tortura.

Essas semelhanças nas estratégias de tortura das ditaduras na América Latina e na Grécia refletem a influência da CIA nos treinamentos dos policiais desses países (CHORNIK, 2019; PAPAETI, 2020). Essa influência ocorreu de diferentes maneiras. Em primeiro lugar, ela se deu com a divulgação, a partir de 1963, de um manual para a manipulação mental em interrogatórios de presos políticos: Kubark – Counter  Intelligence Interrogation Manual (CHAMAYOU, 2012). Além disso, desde o início dos anos 60, agentes norte-americanos da CIA passaram a oferecer treinamentos aos policiais estrangeiros nos Estados Unidos (em Washington) e em vários outros países (LANGGUTHY, 1979). O objetivo era formar, treinar e instrumentalizar os policiais no combate a qualquer forma de insurreição comunista.

No filme “Estado de Sítio” (1972), em que narra o sequestro e o assassinato do agente da CIA Dan Mitrione pelo grupo revolucionário Tupamaros, o cineasta grego Costa-Gravas refere-se a um artigo do jornalista Tad Szulc (1971), que contabilizava, até aquele momento, 100.000 policiais brasileiros treinados pela CIA no Brasil e outros 600 treinados nos Estados Unidos. Dan Mitrione havia sido, justamente, o principal agente de treinamento policial da CIA no Brasil, tendo se mudado para o país em 1960, quatro anos antes do golpe empresarial-militar (LANGGUTH, 1979).

Os treinamentos dos agentes da CIA e o manual Kubark pretendiam oferecer conhecimentos supostamente científicos sobre as possibilidades dos interrogatórios (CUSICK, 2006; CHAMAYOU, 2012; KLEIN, 2008). No livro A doutrina do choque: a ascensão do capitalismo do desastre, Naomi Klein faz uma excelente análise da incorporação pela CIA de pesquisas psiquiátricas empíricas com máquinas de eletrochoque Page-Russell e drogas alucinógenas, tais como LSD e PCP (2008, p. 47). Alguns psiquiatras que trabalharam para a CIA, como Ewen Cameron, defendiam que a destruição violenta das mentes de seus pacientes era uma etapa importante e necessária para a saúde mental (KLEIN, 2008, p 47). Para mudar o comportamento das pessoas seria preciso apagar suas memórias e todos os traços da sua subjetividade.

Segundo Klein, o manual Kubark segue o mesmo princípio: para mudar o comportamento de presos políticos que não aceitam responder aos carrascos, é preciso “destruir sua capacidade de resistência” (2008, p. 51). As drogas alucinógenas e as máquinas de choque parecem cumprir essa finalidade. Todavia, o mais importante é que o interrogado passe por procedimentos que provoquem a privação dos sentidos e o desligamento da realidade. A aposta de Cameron é que tais procedimentos possam estimular um processo de regressão e, como se fosse uma criança, a pessoa interrogada obedeça às ordens do carrasco (KLEIN, 2008, p. 53). Pelas análises de Chamayou, diferente das torturas antigas, que visavam arrancar a palavra pela dor, o manual Kubark pretende transformar o interrogado num colaborador (2012, p. 17).

As experiências com “modificação de comportamento” (behavior modification) nas prisões americanas serviram de inspiração para Anthony Burgess publicar, em 1962, Laranja mecânica (NEWMAN, 1991, p. 63). Condenado após inúmeros crimes brutais, o protagonista do romance concorda em participar de um experimento que lhe permitiria ter sua sentença reduzida. O experimento, que Burgess nomeia de “Técnica Ludovico”, envolvia a aplicação de drogas, a exibição de uma série de filmes violentos e a repetição da Quinta Sinfonia de Beethoven (BURGESS, 2008, p. 115).

Em sua pesquisa sobre os treinamentos de Mitrione no Brasil, Langguth (1979) constata que o agente da CIA estimulava seus alunos a adaptarem os procedimentos à realidade local. Como ocorreu nas torturas no Chile (CHORNIK, 2019) e na Grécia (PAPAETI, 2020), as canções utilizadas nas torturas de Rubens Paiva, “Jesus Cristo” de Erasmo e Roberto Carlos e “Apesar de Você” de Chico Buarque, foram grandes sucessos durante o ano de 1970.

Assim que foi lançada num compacto, a canção de Chico teve a aprovação da censura e chegou a ser regravada por Clara Nunes, em janeiro de 1971 (FERNANDES, 2019, p. 162). No entanto, logo após essa regravação, os militares compreenderam que se tratava de uma canção contra a figura do presidente militar no poder. Sendo assim, proibiram sua execução nas rádios e destruíram os discos produzidos. Para se redimir com os militares, Clara Nunes precisou gravar o “Hino das Olimpíadas” do exército (FERNANDES, 2019, p. 163). Por suposto, “Apesar de você” não aparece nos testemunhos sobre as torturas posteriores à sua proibição.

Nada na letra da canção “Jesus Cristo” desautorizava o seu uso nas torturas da ditadura empresarial-militar. Por outro lado, Roberto Carlos era admirado por alguns policiais influentes. Num depoimento para a CNV, o delegado José Paulo Bonchristiano, ex-chefe da Divisão de Ordem Política do Departamento de Ordem Política e Social (DOPS) de São Paulo, mostra orgulhoso uma foto sua com Roberto Carlos. Em meados dos anos 60, o delegado atuava na segurança do artista nos dias dos seus programas na TV Record. Fazia parte da sua equipe de radiopatrulha o delegado Sérgio Fernando Paranhos Fleury, conhecido por sua participação no esquadrão da morte e pelo seu sadismo nas torturas praticadas contra presos políticos no DOPS-SP.

Nos 60, a TV Record foi um dos palcos dos festivais da canção e de inúmeros programas apresentados por grandes nomes da MPB. Além das diferenças musicais, especialmente, daqueles que defendiam os estilos tradicionais da MPB, compositores de esquerda, como Geraldo Vandré e Chico Buarque, cobravam dos outros compositores um engajamento político maior em suas canções. A letra de “Jesus Cristo” não esboça nenhum protesto contra a ditadura ou contra a barbárie das torturas, mas é a primeira canção-mensagem dos discos de Roberto Carlos (MOTA, 2006). Na canção pacifista “Todos estão surdos”, de 1971, Erasmo e Roberto fazem alusão a John Lennon e Caetano Veloso, a quem ele visitara no exílio em Londres imposto pelos militares (VELOSO, 2017, p. 415). Em sua mensagem de paz e amor, “Todos estão surdos” retoma a convocação religiosa.

No início dos anos 70, a ditadura empresarial-militar procurou associar sua imagem à popularidade de artistas e jogadores de futebol. Um documento do Centro de Relações Públicas do Exército (CRPE), de 22 de novembro de 1971, registra um depoimento de Elis Regina, no qual a cantora declara não se relacionar com artistas ou com qualquer outra pessoa com posições subversivas. Em abril de 1972, Elis gravou num compacto com Roberto Carlos e Pelé o “Hino Nacional” para as comemorações do Sesquicentenário da Independência (LUNARDI, 2014). De uma maneira ou de outra, a ditadura tentava produzir colaboradores.

Confirmando o testemunho de Primo Levi (1988, p. 50), sobre a impossibilidade de esquecer as músicas dos campos de extermínio nazistas, os testemunhos das pessoas torturadas nas últimas ditaduras na América Latina e na Grécia destacam o impacto das canções em suas lembranças da barbárie. As músicas que impregnavam suas memórias nas prisões e delegacias, não as abandonam após a soltura.

Em seu depoimento para CNV, o educador Marcos Penna Sattamini de Arruda narra sua atuação política e os detalhes da sua prisão no DOI-CODI-SP, na rua Tutóia, em maio de 1970. Entre as bárbaras torturas que sofreu, Marcos Arruda relata o uso da canção “Jesus Cristo”, cantada aos berros pelos torturadores, provavelmente, para que a população ao redor não ouvisse seus gritos de dor. Consciente de tudo o que enfrentou, Marcos Arruda compreende o uso da canção como instrumento de tortura.

Presa em novembro de 1970, na capital do Rio de Janeiro, a também educadora Estrella Dalva Bohadana foi levada para 1º Batalhão de Infantaria Blindada do Exército (BIB), em Barra Mansa. Ali sofreu torturas bárbaras que lhe provocaram um aborto e diversas internações durante o período de prisão. Após uma das internações, foi levada para o DOI-CODI-RJ e dividiu cela com a corajosa Dilma Rousseff. Em Barra Mansa, uma das torturas ficou conhecida como procissão. As pessoas eram despidas e enroladas com fios elétricos, com velas nas mãos, tomando choques no ânus, vaginas, seios e obrigadas a cantar a música “Jesus Cristo”, quem não cantasse tomava mais choques. Essa procissão era realizada ao ar livre, num momento de muito frio. Essa estratégia de tortura se repetiu por duas ou três semanas.

No DOI-CODI-SP, segundo a advogada Rita Maria de Miranda Sipahi, presa em maio de 1971, além reproduzirem a canção “Jesus Cristo”, o delegado e torturador Dirceu Gravina apresentava-se aos presos políticos como sendo o próprio Jesus Cristo. Em seu relato, Rita Sipahi comenta que esse delegado também utilizava a procissão como estratégia de tortura. Apesar de tudo o que sofreram em seus longos períodos de prisão e de permanente tortura, Marcos Arruda, Estrella Bohadana e Rita Sipahi não perderam a firmeza e a ternura.

Levada para um presídio na ilha de Gyaros, em 1967, Maria passou por situações desumanas na ditadura militar grega (PAOLETTI, 2020, p. 8). Mesmo não tendo sofrido torturas físicas, ela foi submetida a um programa de reabilitação. Ali Maria foi forçada a ouvir músicas folclóricas e marchas militares. Uma das canções folclóricas tocadas foi “Macedonia Country of Alexander the Great” que, a princípio, ela gostava, mas, uma vez identificada aos opressores, Maria começou a detestá-la. Algo semelhante ao que ocorre com o protagonista de Laranja mecânica (PAOLETTI, 2020, p. 8-9).

Em sua pesquisa sobre a música nas torturas no Chile, Katia Chornik (2019) entrevistou musicista Ana María Jiménez. Na prisão de Villa Grimaldi, numa noite muito fria, um agente da Dirección de Inteligencia Nacional (DINA) pediu para a musicista cantar a “Eu quero apenas”, de Erasmo e Roberto Carlos. Suas músicas eram tocadas diariamente em meio aos gritos das pessoas torturadas. Em 1975, Roberto Carlos saudou a presença de Pinochet em seu show no Festival da Canção em Viña del Mar (CHORNIK, 2019). Ana María se recusou cantar a canção e foi obrigada a passar a madrugada chuvosa ao relento.

É um horror pensar que estratégias de humilhação, de medo e de tortura utilizadas nos campos de extermínio nazistas tenham sido desenvolvidas pela CIA e implantadas nas ditaduras da América Latina e da Grécia. É um horror pensar que pessoas como Cecília de Castro, Marilene Corona, Marcos Sattamini, Estrella Bohadana, Dilma Rousseff, Rita Sipahi, Maria e Ana María e tantas mais, tenham essas marcas terríveis em suas memórias. É um horror pensar que a vida de um homem solidário, risonho e boa-praça, como Rubens Paiva, tenha sido ceifada de maneira covarde e brutal aos 41 anos de idade, deixando a esposa Eunice e suas cinco crianças. É triste saber que a canção popular tenha sido utilizada como instrumento de tortura. Mas houve exceções, como a resistência de Ana María, que se recusou cantar o que lhe ordenava o torturador, ou como a de Frei Tito e seus amigos, que no Réveillon de 1970 entoaram para todo o presídio belas canções populares (DUARTE-PLON; MEIRELLES, 2014, p. 217).

Paulo Fernandes Silveira (FE-USP e IEA-USP)

Referências.

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BURGESS, Anthony. A laranja mecânica. São Paulo: Aleph, 2008.

CHAMAYOU, Grégoire. De la torture en Amérique. In. CHAMAYOU, Grégoire (introdução); BERNARD, Emilien (tradução); BERNARD Jean-Baptiste (tradução). Kubark. Le Manuel secret de manipulation mentale et de torture psychologique de la cia. Paris : Zone, 2012.

CHORNIK, Katia. Memorias de experiencias musicales en prisión política en Chile durante la dictadura de Pinochet. Journal of Latin American Cultural Studies, 2019. Disponível em: https://medium.com/@j_lacs/memorias-de-experiencias-musicales-en-prisi%C3%B3n-pol%C3%ADtica-en-chile-durante-la-dictadura-de-pinochet-def9d695082b

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FERNANDES, Vagner. Clara Nunes: guerreira da utopia. Rio de Janeiro: Agir, 2019.

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KLEIN, Naomi. A doutrina do choque: a ascensão do capitalismo do desastre. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2008.

LANGGUTH, Arthur. A face oculta do terror. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1979.

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NEWMAN, Bobby. A Clockwork Orange: Burgess an Behavioral Interventions. Behavior and Social Issues, n. 1, 1991. Disponível em: https://link.springer.com/article/10.5210/bsi.v1i2.169

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SZULC, Tad. U.S. Plans to Increase Aid to Foreign Police Forces to Help Fight Subversion. The New York Times, 14 de Julho de 1971. Disponível em : https://www.nytimes.com/1971/06/14/archives/us-plans-to-increase-aid-to-foreign-police-forces-to-help-fight.html

VELOSO, Caetano, Verdade tropical. São Paulo: Companhia das Letras, 2017.

 

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