Carandiru: policiais quebram silêncio e dizem que disparos ocorreram em defesa

Jornal GGN – Os 15 policiais do Comando de Operações Especiais (COE), acusados pela morte de oito detentos e pela tentativa de homicídio de mais dois no Massacre do Carandiru, quebraram o silêncio e afirmaram que dispararam tiros em revide à ação dos detentos.

Os réus da quarta fase do julgamento do Carandiru foram orientados pela defesa, encabeçada pelo advogado Celso Vendramini, a não responderem aos questionamentos dos promotores Márcio Friggi e Eduardo Olavo Canto Neto. Porém, a maioria decidiu sustentar que trocaram tiros em defesa própria.

Entre os depoentes está o tenente-coronel Armando da Silva Moreira, que afirmou que usava um colete no dia do massacre, e que recebeu dois disparos de um detento, aos quais revidou. O oficial portava um rifle e um fuzil, e confirma ter feito uso dele. “Ele [o preso] caiu no corredor [após o disparo], mas não sei se esse detento morreu ou não”, comentou.


O coronel Walmir Corrêa Leite também sustentou a tese de que os tiros feitos por policiais foram em revide à ação dos detentos armados. “Os disparos eram feitos com a intenção de manter distanciamento, porque o número de presos era superior ao de policiais”, argumentou.

Leite foi o primeiro a romper o silêncio imposto pelo advogado, tendo respondido a uma única pergunta feita pelo promotor Canto Neto. Ele confirmou depoimento dado anteriormente em que admitia que os policiais não tinham usado escudos naquele dia. “Se está escrito que eu disse isso, eu disse”, acrescentou, após o promotor ter lido um trecho do depoimento.

Leia também:  Feminicídios aumentam e denúncias de violência a mulheres diminuem na pandemia

Arivaldo Sérgio Salgado, então comandante da tropa do COE, admitiu ter feito cinco disparos na ocasião do massacre, mas sempre em confrontos com os detentos. “Eles [detentos] gritavam para nós: ‘Vocês vão morrer’. E arremessavam objetos contra nós, sacos com urinas e fezes, pedaços de madeira”, revelou.

Douglas Martins Barbosa, que estava com um revólver calibre 38 naquele dia, confirmou ter visto presos, além das barricadas que foram montadas na entrada do pavimento, “deitados e agachados” o que, para os promotores, indica que eles já estavam rendidos.

O julgamento do Massacre do Carandiru apura as responsabilidades pela morte de 111 detentos no Pavilhão 9. Nesta etapa, estão sendo julgados 15 policiais do COE pela morte de oito presos e duas tentativas de homicídio. As vítimas ocupavam o quarto pavimento (terceiro andar) da instituição, que foi desativada.

Quatro dos detentos foram mortos por armas de fogo e os demais, por armas brancas. O julgamento continua nesta terça (1º), com a fase de debates entre os promotores e o advogado de defesa. Os depoimentos começaram foram colhidos pelo juiz Rodrigo Tellini de Aguirre Camargo, a partir das 18h15 da segunda (31). A audiência terminou após a meia noite.

Com Agência Brasil

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Assine e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Assine agora

9 comentários

  1. Entraram armados em um

    Entraram armados em um presídio com a grande maioria dos presos desarmados. Morreram mais de 200 presos e nenhum policial. Óbvio que foi uma chacina e que a decisão de entrar foi equivocada. Deveriam ser condenados todos que ordenaram a ação e, claro, também quem executou.

    • “Óbvio que foi uma chacina” 

      “Óbvio que foi uma chacina”  (2)

      Da um desanimo tao grande comentar um post desses que voce nem imag…

      Oh!  Imagina?

      Me adiscurpe minha vergonha entao…

  2. entraram armados pois é item

    entraram armados pois é item organico do fardamento e PM cumpre ordens 

    se voce estivesse la teria entrado tambem , se atira-se ou nao tanto faz rodaria do mesmo jeito

    pois é impossivel individualizar a culpa desses policiais , nao entendo como podem ser condenados?

    seria algo tipo ” dominio do fato” ?

    quem nao é policial e nao estava la julgar agora é bastante facil né? rs

    •  Em várias ocasiões policiais

       Em várias ocasiões policiais trabalham desarmados, mas esse não é o caso. A questão é a desproporção, foi uma chacina aonde morreram mais de 200 pessoas. Como os policiais nem minimamente feridos ficaram é claro que não houve sequer luta real. Quem usa arma deve ter preparo para utilizá-la, se utiliza mal deve ser responsabilizado por isso. Por ironia do destino, um dos principal responsável morreu pela própria arma, anos depois.

      Os principais responsáveis evidemente que foram os que ordenaram a entrada, em última instancia o Fleury, que deveria estar no banco dos réus também. Mas não isenta a culpa de quem efetivamente cometeu a chacina.

      Nâo é impossivel individualizar não, teve um ai por exemplo que é réu confesso, ele confessou que atirou. Disse que também foi alvejado. Existem provas que ele fora alvejado ? Ai tem que verificar, mas ele confessou que atirou, é um fato.

      Então o juiz tem que ser policial e estar no local para julgar ? Sei…

       

       

      • Para um petista voce ta muito

        Para um petista voce ta muito exigente com condenaçao…rs

        Nao,  juiz nao precisa ser policial, mas tem que ter prova clara e irrefutavel lembra das suas postagens sobre a necessidade disso para condenar alguem na defesa do zé e cia?

        Soube de alguma?

        Dizer que atirou é o mesmo que confessar execução?

        e o contexto?

        Se voce é ordenado a entrar em um pavilhao escuro cheio de homicidas determinados a ter contato corporal contigo e ameançado usar arma branca contaminada com HIV vc iria pedir um tempo para conversar melhor com ele ou eles?

        No escuro , no meio de uma gritaria infernal ?

        Ja se imaginou em um contexto assim?

         

        Isso é algum tipo de brincadeira?

        Fala serio

        Vc teria feito o que fosse necessario para manter qualquer um L-O-N-G-E  de sua pessoa e ninguem no mundo poderia agora com a bunda na cadeira de um computador dizer se voce foi um dos que matou gente rendida ( execuçao que se provada deve  ser punida ) ou apenas fez o necessario para se resguadar …

  3. foi massacre , até os

    foi massacre , até os cahorros usados na operação foram sacrificados depois, por que será heim?

  4. Mas que defesa esfarrapada,

    Mas que defesa esfarrapada, hem!!!!

    Então tá, eu acredito. Porque não atiraram nas pernas evitando a morte dos detentos? E depois do primeiro tiro institintivamente a turba regride. Mas morreram 200 presos no massacre!!!

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome