Especialistas elogiam política de acolhimento de refugiados no Brasil

Da Agência Brasil

A crise migratória na Europa, de refugiados vindos do Oriente Médio e da África por mar e por terra, tem chamado a atenção do mundo nos últimos meses. Entretanto, esse fluxo migratório de regiões em guerras não é incomum e, segundo especialistas, o Brasil é um dos países com uma boa política de acolhimento.

“A Anistia Internacional e a própria Comissão Interamericana de Direitos Humanos elogiam bastante o Brasil e o Uruguai por terem resoluções de acolhimento de refugiados sírios”, disse a assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional Brasil, Fátima Mello, à Agência Brasil.
 
Segundo dados do Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), do Ministério da Justiça, o número de refugiados no Brasil praticamente dobrou nos últimos quatro anos, passando de 4.218, em 2011, para 8.400, em 2015. As principais causas dos pedidos de refúgio são violação de direitos humanos, perseguições políticas, reencontro famílias e perseguição religiosa.

Os sírios formam o maior contingente de refugiados no país, com 2.077 pessoas, seguidos pelos angolanos (1.480), colombianos (1.093), congoleses (844) e libaneses (389).
 
O geógrafo e professor de relações internacionais da Fundação Armando Alvares Penteado, Jorge Mortean, disse que o Brasil, por ser um país formado por imigrantes, não poderia deixar de acolher essas pessoas. “A nossa população local indígena ou morreu fuzilada ou por doenças. Depois começou um projeto de imigração através da infeliz escravatura e colonização portuguesa; e, após a abolição, a recolonização com asiáticos e europeus. Até por esse processo histórico temos umas das melhores políticas de acolhimento. E seria absurdo um país como esse virar as costas para os refugiados, apesar de não termos responsabilidade por nenhum das partes, não armamos nenhum conflito”, disse.
 
Segundo Mortean, é certa essa conduta do governo de “abraçar” os imigrantes, mas a sociedade ainda não é tão receptiva. “O brasileiro ainda pensa com a mentalidade de país colonizado, mas, no fundo, somos todos migrantes. A sociedade brasileira tem uma reticência porque acredita que o migrante vai sobrecarregar um Estado que é falido. Jogamos na falência do Estado a impossibilidade de receber pessoas em condições de refúgio. Ainda bem que o governo não adota isso, e está com as portas abertas”.
 
Para o professor de relações internacionais da Universidade de Brasília, Pio Penna, o Brasil  recebe bem o refugiado, ainda um número pequeno, mas é preciso melhorar a estrutura de acolhimento. “Pelo tamanho e pela projeção internacional do Brasil, podemos ter um fluxo maior no futuro, inclusive de refugiados ambientais, de pessoas saindo de seu lugar de origem por falta de condições lá”.

 

6 comentários

  1. Eu não tinha uma posição definida sobre as condições de

    Eu não tinha uma posição definida sobre as condições de acolhimento que o Brasil dava aos imigrantes, porém falando com um aluno africano, que tem bolsa do seu país e volta para o mesmo porque tem condições, ele me confirmou o que sentia e o que ele ouvia de outros que eram emigrantes, o Brasil dá o essencial, a carteira de trabalho, e segundo ele é realmente o que eles mais querem: A Oportunidade de Trabalhar.

    Quanto ao acolhimento da sociedade acho que está razoável, pois imigrante virou sinônimo de povo trabalhador, a imagem aqui no Rio Grande do Sul dos imigrantes é altamente positiva.

    • É que chegamos no fundo do

      É que chegamos no fundo do poço em termos de produtividade e assistencialismo.

      Eu ia comentar exatamente sobre este aspecto, quem vem para cá, quer trabalhar, e trabalha.

      Coisa que brasileiro pobre com o mesmo perfil tem muita dificuldade em produzir.

  2. SR.  Athos, seu conceito de

    SR.  Athos, seu conceito de produtividade é o mesmo dos candidatos de oposição Aécio, Marina e Campos que o minimo está alto demais tem que esperar meio século para repartir o bolo?

  3. Contraponto

       Fornecer um visto, que proporciona ao refugiado a possibilidade de trabalhar , em romantica teoria, o insere mais facilmente a nova sociedade, é uma ação de Estado, que demonstra acolhimento, MAS: 

        Desobriga ao Estado receptor , que concedeu o visto, das convenções internacionais de asilo, pois delega a subsistência deste ao mercado de trabalho, ele terá que se virar para sobreviver e inserir-se na sociedade, por seus próprios meios.

         Na Alemanha, o “suposto Eden” dos refugiados, um “arbeitausweis” ( autorização de trabalho ), pode demorar anos, e enquanto a ela não vem, a subsistência dele é garantida pelo Estado.

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