Jean Wyllys denuncia anulação do julgamento do Carandiru e fascismo no Brasil

Parlamentar do Psol afirma, em fórum internacional: “Fascismo cresce no corpo social, um fascismo eivado de fundamentalismo religioso promovido por igrejas cristãs neopentecostais”

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Denúncia foi feita em fórum que discutiu e traçou estratégias em apoio à Corte Penal Internacional

da Rede Brasil Atual

Jean Wyllys denuncia anulação do julgamento do Carandiru e fascismo no Brasil

por Redação RBA

São Paulo – O deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) divulgou em sua página no Facebook uma denúncia que fez, em âmbito internacional, da anulação do julgamento do massacre no Carandiru, durante reunião do Parliamentarians for Global Action, em Montevidéu.

O parlamentar disse que o julgamento em que o desembargador Ivan Sartori, do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP), anulou o julgamento dos policiais responsáveis pelas mortes de 111 presos na atual realidade brasileira, se insere num contexto em que o “fascismo cresce no corpo social e tem expressão nas ruas e nas redes sociais”. “Um fascismo eivado de fundamentalismo religioso promovido por igrejas cristãs neopentecostais que elegem parlamentares que, depois de eleitos conspiram contra a laicidade do Estado e direitos das minorias”, disse o deputado em vídeo.

Jean Wyllys lembrou aos participantes do evento que, embora o laudo técnico tenha apontado que os mortos foram executados sumariamente, o desembargador entendeu que foi legítima defesa. Segundo ele, Ivan Sartori é “aquele que manda prender quem rouba salame, mas trata execuções sumárias praticadas por policiais como legítima defesa”.

Leia também:  Denúncia contra o presidente genocida no STF, por Fábio de Oliveira Ribeiro

O parlamentar do Psol recorda que o Brasil é signatário do Estatuto de Roma e de quase todos os tratados internacionais sobre direitos humanos e que a Constituição do país é uma das mais modernas, progressistas e humanitárias, tendo sido promulgada promulgada após duas décadas de ditadura civil-militar. “Mas a comunidade de parlamentares, em sua maioria, sempre ofereceu resistência a incorporar os termos dos tratados internacionais de direitos humanos na legislação infraconstitucional e  nas políticas públicas”, explicou, no fórum.

“As instituições do Estado funcionam para garantir os privilégios. Há no Brasil uma relação promíscua entre o crime organizado e as forças repressivas do Estado. A tortura ainda é uma prática nas cadeias e prisões brasileiras. As vítimas são os negros pobres, em particular, os moradores das periferias urbanas, os povos indígenas e membros da comunidade LGBT.”

Wyllys conclui dizendo que hoje é difícil falar na incorporação do Estatuto de Roma, “quando em nosso país o terreno está  infértil à promoção dos direitos humanos”.

Após palestra proferida dia 30 de setembro, em evento em São Paulo, o ministro da Justiça, Alexandre de Moraes, questionado sobre a anulação do julgamento pelo TJ-SP, não quis comentar o assunto. “Sou da área jurídica e temos uma máxima na área jurídica. Decisão não se discute, se cumpre. Eu não conheço o processo, então, não posso opinar sobre a decisão do TJ”, disse.

 

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5 comentários

  1. Esse moço pode fazer o que

    Esse moço pode fazer o que for mas temos memória e não esquecemos de sua defesa do sionismo e de sua má educação no face book quando contestado chegando ao ponto de bloquear comentário de quem o criticou como este que vos escreve.

  2. Matança do Carandiru e Teoria do Domínio do Fato

    A aplicação da Teoria do Domínio do Fato no caso da matança do Carandiru tem sustentação jurisprudencial, pois foi usada na AP 470 pelo STF. Os advogados das vítimas deveriam usá-la para guerrear a decisão do desembargador em apelação. Se houver um mínimo de consistência técnica no judiciário brasileiro, a decisão será revertida, ao menos em parte, condenando TODA a cadeia de comando, incluído nela o governador de SP.

  3. Fundamentalismo

    Seitas que colocam a riqueza como qualidade moral positiva podem ser qualquer coisa, menos cristãs. A vida de Cristo (mitológica ou não) é exemplar: tolerância, despojamento, humildade e condenação à riqueza – e o Deus do novo Testamento é a Boa Nova que veio do deserto. Um Deus leve, que é amor. Talvez porque a própria vida de Cristo seja tão veemente neste sentido de humildade, tolerância, despojamento e opção pelos pobres, é que a maioria destas seitas valorizem tanto o torá, o velho testamento, com seu deus intolerante, vingativo, sexista e cruel.

  4. Sem sombra de dúvida o Jean

    Sem sombra de dúvida o Jean Wyllys é um dos mais lúcidos e combativos parlamentares deste país. Houvesse mais como ele certamente nosso Parlamento seria no mínimo digno de respeito.

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