O preconceito contra a favela

Moradores do asfalto têm visão preconceituosa de favelas, mostra pesquisa

Por Alana Gandra

Da Agência Brasil

Levantamento mostra que  47% dos cidadãos do asfalto nunca contratariam, para trabalhar em sua casa, uma pessoa que morasse em  favela Tomaz Silva/Agência Brasil

Pesquisa do Instituto Data Popular mostra que ainda é preconceituosa a visão dos moradores do asfalto em relação aos de favelas. A pesquisa consultou 3.050 pessoas em 150 cidades de todo o país entre os dias 15 e 19 de janeiro. De acordo com o levantamento, 47% dos cidadãos do asfalto nunca contratariam, para trabalhar em sua casa, uma pessoa que morasse em  favela.

O presidente do Data Popular, Renato Meirelles, destacou que o Rio de Janeiro é exceção, porque um terço da mão de obra feminina das favelas é formada por empregadas domésticas. “E o Rio de Janeiro tem um fenômeno que não ocorre em outras regiões metropolitanas, que é uma presença maior de favelas nas áreas nobres da cidade”, destacou. Isso explica a maior interação entre moradores do asfalto e de favelas no Rio de Janeiro.

Meirelles chamou a atenção para outro fato significativo nessa relação: “No Rio, encontramos muita gente que não disse explicitamente que morava em favela a seu patrão. É muito comum a gente encontrar casos de pessoas que dão uma enroladinha sobre o local onde realmente moram”.

A pesquisa constata a existência de preconceito relacionado à violência: 69% dos entrevistados  do asfalto disseram que têm medo quando passam em frente a uma favela e 51% afirmaram que as primeiras palavras que lhes vêm à mente quando ouvem falar de favela são droga e violência. “Eles têm medo de que, ao contratar um morador de favela, se tornem mais uma vítima de roubos ou assaltos, como se os moradores de favela fossem efetivamente ladrões quando, na verdade, a gente sabe que a criminalidade é a menor parte da favela”. Ponderou que a violência está presente hoje em dia tanto no asfalto quanto na favela.

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Para Renato Meirelles, criou-se um estigma no país, relacionado à favela, de associar esse território à criminalidade. “[Isso] vem da origem da favela, que foi fruto da ocupação e da ausência do Estado”. A consequência foi o tráfico se colocar como poder paralelo, observou.

Segundo o presidente do Data Popular, a associação da favela com droga e violência é uma visão estereotipada que, muitas vezes, se alimenta de um conjunto de noticiários negativos vinculados às comunidades. Segundo ele, o retrato que os moradores do asfalto têm dos habitantes de favelas mostra um aspecto cultural.

Meirelles comentou, que embora esses dados sejam alarmantes, eles seriam piores há dez anos. “Porque de dez anos para cá, você teve o processo de pacificação das favelas, teve novelas que passaram em favelas ou nas periferias, mostrando outro lado além da violência”. O livro Um País Chamado Favela, lançado no ano passado pelo instituto, colocou a favela no centro do debate eleitoral.

Há hoje uma discussão mais aprofundada sobre a realidade da favela, para Meirelles. “Isso é bom”. O empreendedorismo não para de crescer nas favelas – dois terços dos moradores que há dez anos pertenciam às classes sociais D e E hoje estão na classe C, acompanhando o processo de melhoria da economia, explicou. O preconceito ainda é, entretanto, uma barreira que os moradores da favela encontram para conseguir, na prática, superar dificuldades da ausência do Estado, da falta de acesso à educação nessas localidades.

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Até conseguir um emprego é mais difícil, observou, porque a maioria dos moradores de favelas é negra. Além disso, há participação maior de mulheres como chefes de família e elas ganham menos do que os homens. Outro ponto é que a escolaridade na favela é menor que no asfalto. “Ou seja, na favela tem muito menos oportunidades do que o asfalto para conseguir abrir o seu negócio, para conseguir um emprego de boa qualidade ou melhorar economicamente.”

A pesquisa completa será divulgada no 2º Fórum Nova Favela Brasileira, que ocorrerá no próximo dia 3 de março no Instituto Tomie Ohtake, em São Paulo. Durante o evento, será apresentada a íntegra de outra pesquisa inédita, feita com 2 mil moradores de favelas do Brasil em janeiro deste ano, que retrata a visão deles em relação aos moradores do asfalto, abrangendo ainda aspectos sobre como se divertem, o que consomem e o que compram no interior das favelas, entre outros dados.

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9 comentários

  1. Não só moradores do asfato

    Não só moradores do asfato tem preconceito contra favela.

    Os próprios moradores tem preconceito do lugar onde moram.

    Se for feita uma pesquisa, creio que 90% das pessoas que covivem nesses locais, se tivessem condição não morariam.

    Favela é horrível.

    Sem saneamento básico, luz precaria através de gatos, sem aguá, becos e vielas estreitos, “casas” muitas feitas de madeira sem privacidade entre os moradores.

    Há casos em que os casais, bêbados, mantém relação sexual na presença dos filhos, pois só existem um cômodo  no barraco.

    Conheço morros e favelas do RJ em função da comunidade que participo, Igreja Batista, pois fazemos visitas à esse lugares.

    Quem gosta de favela é politico, que em época de campanha chega nesses lugares prometendo mundos e fundos, iludindo essas pessoas dizendo que irão tira-las desses ligares em troca de votos.

    Na boa, favela é horrível !!!!

  2. Entao ha muita demagogia no

    Entao ha muita demagogia no texto.

    Pré conceito é quando voce julga algo que nao conheçe ou quando o que é atribuido a esse ” algo ” nao condiz com a realidade dos fatos.

    Na verdade favela é sinonimo ( nao deveria ja que pobreza é apenas condiçao social ) de local onde há prolifferaçao de marginais, onde há conivencia com os tais ( por necessidade ou nao é um fato ) é sinonimo de degradaçao ambiental pois o acumulo de lixo no espaço publico bem como a desvalizaçao dos imoveis que lhe são vizinhos,.

    e por fim as pessoas nao gostam de favelas porque elas são sim algo DEGRADANTE QUE NAO DEVERIAM EXISTIR

    o caso do Rio de Janeiro exemplifica o quanto um politico pode ser SEM VERGONHA eles convenceram que ser favelado é uma identidade CULTURAL que uma FAVELA é uma ” comunidade ” que como tal nao deve deixar de existir.

    entao aquele ” cancer imobiliario ” fica legitimado, um local onde devido a completa desorganização inerente ao formato dele torna o policialmento ineficaz pois viaturas nao tem acesso rapido e os marginais possuem milhares de becos para escapar a hora que achar que devam

    Favela BOA e a que DEIXA DE EXISTIR

    Se houvesse governo com vergonha na cara ja tinha tratado de tirar aquele povo do morro , derrubar tudo e onde fosse possivel reconstruir todas as habitaçoes mas dessa vez de forma organizada

    mas a falta de pudor é tao grande que hoje existe ate turismo para que os turistas de naçoes estrangeiras possam visitar e ver como vivem o ” homem faveladus ” em seu habitad de origem.

    A desavergonhada defesa desses favelados e suas condiçooes rotulando isso como respeito ao pobre é um dos maiores equivocos dos ditos progressistas… 

    • asfalto, condomínio e bandidagem

      Eu diria o mesmo que Leônidas em relação aos condomínios de luxo, que é onde moram os chefes de quadrilhas, donos das indústrias químicas que fabricam ingredientes para a fabricação de cocaína (a coca é só um dos ingredientes), e também os responsáveis por lavagem de dinheiro, por remessas ilegais de dinheiro ao exterior, e por aí vai. Acho que é o suficiente.

  3. É, favela é horrível. Mas

    É, favela é horrível. Mas fica a quinze minutos do seu local de trabalho. As “moradias dignas”, além de não serem muito menos horríveis, ficam a três, quatro horas do seu local de trabalho, o que obriga você a dormir na rua durante a semana, ou a repartir seu tempo dessa forma maravilhosa: nove horas de jornada (incluindo aí o almoço), seis horas de ônibus e trem, e nove horas pra jantar e desmaiar, até o dia seguinte, quando começa tudo de novo.

  4. Estatísticas…

    O Brasil está mesmo dividido em dois. Os da torre Eifel, e os das palmeiras. Gosto de fazer parte dos que gostam de ver palmeiras fora da janela.

  5. É até um alívio quando se

    É até um alívio quando se olha para uma favela, pois nisso não se enxerta quem possa ter afanado até bilhões do povo. Já olhando para o outro lado….

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