ONG alemã conclui que Brasil vive crise democrática

Em ranking país figura ao lado de Índia, Indonésia, Moçambique, Haiti e Israel onde liberdades individuais são “limitadas”; Aprofundamento ocorre após impeachment de Dilma 
 
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(Foto Agência Brasil)
 
Jornal GGN – Apenas 2% da população mundial usufrui de toda a liberdade civil e política para criar associações e se manifestar, e ela não está em território brasileiro. Pelo contrário, em termos de liberdade política o Brasil divide colocação ruim em ranking ao lado de 52 países, entre eles Índia, Indonésia, Moçambique, Haiti e Israel – onde a livre expressão de liberdades individuais é “limitada pelos governantes por meio de uma combinação de limitações legais e práticas”.
 
O levantamento está no Atlas das Sociedades Civis, produzido pela ONG alemã Brot für die Welt, ligada à Igreja Evangélica da Alemanha (EKD). Matéria do DW, sobre o relatório, revela que a organização avalia que o Brasil vive uma grave crise democrática. O índice, divulgado nesta quarta-feira (31/01), aponta o país como local onde a atuação da sociedade civil e o exercício das liberdades individuais é “limitado”, em uma escala de cinco níveis que vai de “livre a “fechado”.
 
A organização destaca, ainda, que “desde o controverso processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff, em agosto de 2016, esse país do G20, a nona maior economia do mundo, vive uma grave crise democrática”.
 
Quando fala em liberdade individuais, o Atlas aponta os direitos de se manifestar ou de expressar, sem barreiras, sua opinião em locais públicos, criando associações para obter e difundir informações políticas. 
 
Segundo o relatório, em protestos contra o governo a violência no Brasil é cada vez maior, resultando em pessoas feridas e, até mesmo, mortes.  
 
“Unidades especiais agem com gás lacrimogêneo, granadas de luz e som, balas de borracha e, em parte, munição letal contra os manifestantes” destaca, completando que “a participação ativa na política, por meio de movimentos sociais, dá cada vez mais lugar à criminalização de ativistas. O clima político é cada vez mais determinado por um conservadorismo religioso” que desrespeita os direitos de minorias, como grupos de mulheres e homossexuais, “elevando as tensões e as diferenças sociais”.
 
A Brot für die Welt analisou profundamente cinco países, além do Brasil: Quênia, Chade, Honduras, Filipinas e Azerbaijão. “Todos têm em comum que as sociedades civis são cada vez mais reprimidas”, afirmou a diretora de Direitos Humanos da Brot für die Welt, Julia Duchrow, durante a apresentação do estudo, em Berlim nesta quarta. 
 
São ao todo 22 países onde vivem os 2% da população mundial (148 milhões) com liberdade democrática garantida. Entre eles estão a Alemanha, Portugal, Suíça e as nações escandinavas. Nesses locais as pessoas podem, “sem barreiras legais ou práticas, criar associações, fazer demonstrações em praça pública e obter e difundir informações”.
 
Os autores do trabalho defendem que existe uma relação direta entre liberdades civis e o desenvolvimento social. “Quando se exerce pressão sobre a população surgem conflitos, e isso impede o desenvolvimento”, destacou Duchrow.  
 
No caso dos países mais analisados onde a crise democrática tem se aprofundado, Duchrow destacou como exemplo de repressão o uso desproporcional de violência policial contra manifestantes e a criação de leis que restringem a influência da sociedade civil.
 
O órgão também destaca que o mundo vive hoje uma tendência para o autoritarismo e um exemplo apontado é o das Filipinas, onde o Rodrigo Duterte conta com o apoio de grande parcela da população. “Infelizmente, tendências nacionalistas estão em alta neste momento”, analisa Duchrow.
 
 

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