Seminário com Baltasar Garzón lança núcleo para monitorar governo brasileiro sobre a Comissão da Verdade

O projeto inédito de monitoramento e advocacy das recomendações do CNV será lançado com o juiz espanhol que prendeu Pinochet, investigou crimes da ditadora Franco e torturas de Guantánamo como convidado especial

Jornal GGN – Cinco anos após as recomendações da Comissão Nacional da Verdade (CNV) sobre os crimes e violações da ditadura do regime militar no Brasil (1964-1985), um grupo será criado para cobrar e monitorar do governo federal o cumprimento do relatório. O “Núcleo Monitora” será lançado na próxima quarta-feira (25), em um seminário que contará com a presença do juiz espanhol Baltasar Garzón, o grupo de trabalho sobre Desaparecimentos Forçados da ONU, pesquisadores e representantes do Instituto Vladimir Herzog, da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), entre outros.

O projeto inédito de monitoramento e advocacy das recomendações do CNV será lançado em uma programação completa: o Seminário Internacional “Violência de Estado e Impunidade: recomendações da CNV 5 anos depois”. Trata-se da primeira iniciativa da sociedade civil para cobrar do governo de Jair Bolsonaro o cumprimento das recomendações.

E é neste cenário que foi feito o convite para Garzón participar do seminário: o espanhol foi o responsável pela ordem de prisão do ditador chileno Augusto Pinochet, em 1998, e hoje é um dos mais renomados advogados pelos direitos humanos no mundo. Além do caso de Pinochet, ditador do qual Bolsonaro faz questão de defender em todos as suas manifestações sobre o país vizinho Chile, o juiz também atuou na investigação de assassinatos por forças leais ao ditador espanhol Francisco Franco, além da abertura de um inquérito detalhado sobre as torturas na prisão norte-americana de Guantánamo.

O evento contará com a presença de Luciano Hazan, das Nações Unidas, no grupo sobre Desaparecimentos Forçados da ONU. Também é esperada para a ocasião a reabertura do debate sobre a Lei de Anistia no Supremo Tribunal Federal (STF) e a violência de Estado sistematizada, desde a ditadura até os tempos atuais. Além de completar 5 anos do relatório da CNV, é o 40º aniversário da Lei de Anistia.

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Confira a programação:

“Violência de Estado e Impunidade: recomendações da CNV 5 anos depois”

8h30 – 9h30
Coffee-break

9h30
Instituto Vladimir Herzog lança o Núcleo Monitora – Monitoramento e Advocacy das recomendações da Comissão Nacional da Verdade.

10h – 12h
Workshop – Sistema de Perícia no Brasil Hoje

Paulo Saldiva, Professor Titular do Departamento de Patologia da Faculdade de Medicina da USP e Diretor do Instituto de Estudos Avançados da USP

Flavia Medeiros, Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia (UINCT) e Instituto de Estudos Comparados em Administração de Conflitos (InEAC)

Eduardo Cardoso, Perito Criminal Federal

13h30h -15h30
Workshop – Anistia, desaparecimentos forçados e impunidade.

Luciano Hazan, Membro do Grupo de Trabalho sobre Desaparecimentos Forçados ou Involuntários das Nações Unidas

Glenda Mezarobba, Cientista Política e Integrante do Conselho Deliberativo do Instituto Vladimir Herzog.

16h – 18h
Conferência Magna: Violência de Estado e Impunidade.

Apresentação e mediação: Paulo Vannuchi.

Convidado especial: Baltasar Garzón.

Debate com integrantes e representantes do Instituto Vladimir Herzog, Ordem dos Advogados do Brasil, Fundação Friedrich Ebert, Fórum Brasileiro de Segurança Pública, Grupo de Estudos sobre a Violência e Administração de Conflitos (GEVAC) e Núcleo de Direitos Humanos da PUC-RJ.

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