Testemunha já fez vaquinha para PMs que executaram jovens rendidos

Jornal GGN – Na última quinta-feira (2), a Polícia Militar do Estado de São Paulo assassinou com um tiro na cabeça um jovem de dez anos que furtou um automóvel de dentro de um condomínio na região do Morumbi, área nobre de São Paulo. Desde então, o Comando-Geral da PM tenta convencer a população de que o menino Ítalo Ferreira de Jesus Siqueira atirou primeiro.

A construção da narrativa de legítima defesa começou com um vídeo, feito pelos próprios policiais, no qual um garoto de 11 anos, identificado apenas como Júnior, narra os acontecimentos que levaram à morte do amigo Ítalo. “Ele me chamou para roubar um prédio”, diz o menino, claramente assustado, com a voz embargada. “Ele viu o vidro do carro aberto, aí ele pegou e dirigiu, aí o porteiro abriu a porta pra ele, aí ele atirou nos polícia, ele deu três tiro”.

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O interrogatório informal revoltou o Conselho Estadual dos Direitos da Pessoa Humana de São Paulo (Condepe-SP), que denunciou os policiais para a Secretaria da Segurança Pública e o Ministério Público do Estado de São Paulo por crime de submeter criança ou adolescente a vexame ou constrangimento. “Claramente vemos no vídeo uma criança induzida, pressionada e coagida pelos policiais”, disse o advogado Ariel de Castro Alves, conselheiro do Condepe.

“Parece ser espontâneo”, disse o governador Geraldo Alckmin ao assistir as imagens. Desde que o vídeo foi gravado, Júnior já mudou duas vezes sua versão para os acontecimentos. No último depoimento, dado para a Corregedoria da PM com o acompanhamento da mãe e de uma psicóloga do Estado, o garoto afirmou que o colega estava desarmado e foi executado pelos policiais.

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Com o vídeo colocado em dúvida, outras testemunhas surgiram para endossar a versão da PM. O advogado Marco Gomes estava na rua quando o crime aconteceu e disse ter ouvido um disparo de arma de fogo do carro dos garotos contra a viatura da polícia. “Foi tão próximo de onde eu estava que até abaixei”, relatou. “Não estou defendendo ninguém. Estou dizendo o que eu vi. Sou advogado e sei das implicações do meu testemunho”, afirmou.

Além dele, Celso Cavallini também se colocou à disposição dos policiais. Ele é presidente do Conselho de Segurança do Portal do Morumbi e afirma ter presenciado quando o vídeo com Júnior foi gravado. “Se pegar esse menino de novo, ele vai dar outra versão. Vai contar quatro, cinco versões. Eu posso dizer uma coisa: aquela primeira foi espontânea”.

Em 2015, Cavallini organizou, em sua página pessoal no Facebook, uma vaquinha para ajudar um grupo de 11 policiais militares presos administrativamente por executar dois homens rendidos. Um deles foi dominado no telhado de uma casa, levado até à beira, jogado de uma altura de nove metros e alvejado duas vezes.

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“Aos que sempre citam nas redes sociais que ‘bandido bom é bandido morto’, agora é a hora de saberem o quanto de dificuldade e de sofrimento que estão passando estes policiais”, disse Cavallini na publicação.

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9 comentários

  1. Um pequeno reparo: não é um

    Um pequeno reparo: não é um jovem de 10 ano que foi executado. Foi uma criança de 10 anos. 

    Esses malditos fascistas ao invés de se perguntar como o Estado deixa em completo abandono uma criança de 10 anos, cujo pai esta preso e a mãe é ex-presidiária, vão fazer campanha para pagar advogado para policial despreparado. 

    Se ao menos o dinheiro fosse endereçado para a profissionalização e humanização da polícia.

    Pra que servem as assistentes sociais pagas pelos governos federal, estadual e municipal que não conseguem “encontrar” essas crianças abandonadas?

    • Mas o ECA está aí para ajudar

      Esse abandono de uma criança de 10 anos é totalmente amparado pelo ECA, que não permite nenhuma medida sócio-educativa para menores de 12 anos. Isso mesmo: nenhuma! Se o menino desse seis tiros com o revólver (se é que estava mesmo armado) e matasse seis pessoas em volta, tudo o que a polícia poderia fazer seria entregá-lo a sua mãe, ex-presidiária. Viva o ECA!

      É possível que os dois meninos só tenham tido coragem de roubar o carro porque sabiam de antemão que não poderiam ser apreendidos, certamente por já terem visto muitos outros meninos de sua favela cometerem crimes e serem entregues em seguida de volta a suas casas.

      • Bem vindo ao século XIII!

        O ECA, criado  pela Lei 8.069, data de de 13 de julho de 1990, em pleno reinado de Dom Fernando Collor de Melo, o único, mas tem gente que jura de que se trata de um projeto do Foro de São Paulo, implantado por um governo bolivariano.

        Você está a um passo de gritar: “Viva a indigência intelecto e moral! Bolsomito presidente”. Está a altura do seu caráter.

  2.  – “A gente não vai estorar

     – “A gente não vai estorar tua cabeça não viu!?

    Agora você esta seguro

    Fica com deus”

  3. Mais uma execução covarde da

    Mais uma execução covarde da PM, e dessa vez ultracovarde execução de uma criança de 10 anos que dirigia e atirava ao mesmo tempo, segundo a versão dos assassinos, que ainda coagiram o outro menino. Contem outra! 

    E que vergonha dessa classe mérdia tradicional e fascista. Grandes merdas seus automóveis…

  4. Meu caro Pedro Mundim,
     
    Tudo

    Meu caro Pedro Mundim,

     

    Tudo isso é resultado de uma interpretação edivocada do ECA, lei que reproduz o princípio constitucional da proteção integral à criança, ao adolescente e, a partir de 2010, ao jovem. 

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