Criação da AmBev foi realizada com violações de direitos

Jornal GGN – O Ministério Público Federal recebeu uma denúncia contra a AmBev por violação de direitos humanos e econômicos. Ela foi apresentada pela Ouvidoria Nacional de Direitos Humanos depois que diversos trabalhadores e empresários que trabalhavam para a Brahma e a Antártica relataram abusos na época da fusão que deu origem à AmBev.

“Estamos indagando as redes de proteção do Estado – formadas pelo Judiciário, MPF e órgãos complementares – quanto a indícios dessa violação. Se essas pessoas foram lesadas e prejudicadas em seus direitos e quais os procedimentos que devem ser adotados”, disse a ouvidora, Irina Karla Bacci.

Os distribuidores de bebidas que atendiam as empresas na época disseram que, com a fusão, passaram a ter que cumprir exigências abusivas. Com isso, ficaram sem recursos até para pagar direitos trabalhistas.

“O negócio dos distribuidores foi inviabilizado. Muitos adoeceram, alguns se suicidaram”, lembra a ouvidora. Em sua avaliação, a denúncia traz dois fatos fundamentais, que devem ser apurados: o não cumprimento do acordo firmado pela AmBev com os distribuidores; e as consequências da fusão para os negócios dos distribuidores.

Isso para não falar da demora da Justiça em avaliar o processo, que tramita há mais de dez anos em São Paulo. “Essa demora está fora do que se pode considerar um tempo razoável da tramitação, pode ser entendida como uma violação dos direitos humanos dos trabalhadores e distribuidores. Houve prazo suficiente para a Justiça de São Paulo chegar a uma decisão sobre o caso. Esperamos trazer essas denúncias para dentro do processo”.

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A 3ª Turma do Superior Tribunal de Justiça já condenou a AmBev a pagar uma indenização de R$ 1,7 milhão a uma distribuidora do Rio de Janeiro, por abuso na relação comercial. Os empresários alegavam que a fabricante mantinha contrato com “cláusula draconiana”, que determinava a venda de bebidas a um concorrente maior a “preço vil”.

“As consequências relacionadas à fusão das empresas e criação da AmBev nos parece ter gerado violações de direitos humanos, visto pela perspectiva da vida das pessoas envolvidas, pois interferiu no exercício de sua cidadania, de seu direito à dignidade. O passivo acumulado e as dívidas geraram uma série de sofrimentos. E todo cidadão tem direito a uma vida econômica salutar”, defendeu a ouvidora.

Sua expectativa é que a solução desse caso sirva de experiência para a AmBev em futuras fusões, e que a empresa aprenda a agir com responsabilidade social diante da cadeia de valor. 

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13 comentários

  1. No está aí o maior problema.

    O problema aqui é mesmo o conjunto da obra, onde bebemos para enriquecer um sujeito que se diz brasileiro, que é o maior bilionário daqui, mas que mora na Suíça. Não há nenhum pecado nisso, mas é o que mais dói. O povo molha a sua garganta enquanto seca a garganta do Brasil.

      • Tá difícil?

        Conhece o sentido figurativo das coisas?

        Brasil perde a cada centavo de lucro que esta empresa leva para fora, isso seca ou reduz a nossa riqueza. Que pena, neste blog, ter que responder a coisa tão boba, ou é apenas má fé sua ao perguntar?

        • O país ganha a cada ml de

          O país ganha a cada ml de cerveja e refrigerantes produzidos por essa empresa… e aí? Bota ma fé em não ver isso, né?

        • Além dos impostos gerados,

          Além dos impostos gerados, numa empresa bem gerida, os lucros – sendo remetidos ou não para o exterior – podem ser  reinvestidos na própria organização, que se expande  e gera mais empregos. Outra parte é destinada a dividendos; sendo uma sociedade anônima, remunera seus acionistas, brasileiros, estrangeiros, marcianos; a remuneração entra no ciclo do consumo, que gera impostos, que gera serviços, que gera empregos… na boa, reclamar da pátria de uma empresa é a cois a mais besta que existe. O dinheiro circula globalmente, não pára, entra em círculos de consumo e produção no mundo todo, uma vez que os mais diversos produtos são comprados com  a renda gerada. Quer reclamar de algo? Reclame de uma empresa que não gera lucro, não gera empregos, não gera renda,  não move o ciclo da economia. Não de sua pátria.

          • Explicação

            O André Araújo expõe bem isso acima.

            Entendo a sua visão holística, mas isso não é tão bom para o Brasil como pensa. A Ambev como outras, sublimam o negócio para uma nuvem financeira que não está mais por aqui. 

            Como o Neymar, que diz custar 9 milhões o passe aqui no Brasil, pagando pouco imposto e dando pouca participação aos donos locais do seu passe e ao seu clube (Santos), mas recebendo muito mais afora do Brasil. Ambev finge ser brasileira para a gente beber mas leva os seus lucros fora.

  2. A ficha caiu muito tarde. O

    A ficha caiu muito tarde. O Nassif escreveu em suas colunas sobre os problemas da fusão Antartica e Brahma, de como a Fundação Zerrener vendeu o controle da Antarctica por R$200 milhões, foi ai o começo do começo da AMBEV, quando de forma absolutamente discutivel o CADE aprovou essa fusão, a AMBEV se enrolou na bandeira brasileira e disse que o Brasil iria só ganhar, na calada da noite o controle da AMBEV escapou do Brasil e foi parar na Belgica, portanto nem podemos dizer aos estrangeiros “esta é uma empresa brasileira”, a fusão só trouxe prejuizos ao Brasil, a rede de distribuidores que empregava 100 mil pessoas foi extinta,  o Brasil não ganhou nada e o CADE foi desmoralizado para sempre com essa fusão sem merito algum para o Pais, hoje a AMBEV é uma empresa apátrida, um zumbi global.

  3. E que tal fazer a análise sob

    E que tal fazer a análise sob a perspectiva correta, de ser uma empresa rentável, que gera lucros, que paga impostos astronômicos, que abre fábricas a torto e a direito no país, que emprega milhares de trabalhadores? Hoje mesmo, o Safatle, na Folha, tá falando sobre a ilusão dos estados-nação. Capital não tem pátria; mas a pátria tem um sem número de pessoas que moram nela e que necessitam de emprego. Essa questão de ser de capital nacional ou multinacional é de uma besteira só… quem tá com o seu emprego lá, com os seus direitos garantidos e sendo pagos religiosamente, tá pouco se lixando se que o emprega é um braileiro quemora na Suíça ou um suíço que mora na Rússia.

  4. Se tivesse um Juiz,com peito

    Se tivesse um Juiz,com peito pra investigar,como surgiu essa anbev,garanto que vai surgir muito escanda-lo.Pra começar,o cade jamais poderia aprovar essa fusão,onde uma empresa domina 70% do mercado.Tudo feito com recursos de bnds.Não é a toa que a filha do serra é socia do dono da anbev.Com certeza, um agrado,pelos serviços prestados pelo js,ou tarja negra!

  5. Ambev

    Todo mundo sabe do crime da fusão que muita gente encheu as burras. A empresa não nacional leva seus luccros para fora, burla o fisco, burla leis trabalhistas, quando não compra leis para se beneficiar. Capital tem pátria sim e quando. Qual a razão dos americanos não venderem suas reservas de petróleo à China?

  6. Chorem na cama

        Distribuidores que não tinham capital para segurar seus contratos, nem deveriam te-los assinado, e feito como muitos outros “pequennos”, que venderam suas operações, seus “territórios” para os que tinham “bala na agulha”, quer como associados ou participantes; mas não quiseram exercer esta opção, preferiram continuar com seus “territórios” e perderam, faliram, e ficam choramingando pela burrice cometida.

         Na area dos distribuidores de automoveis/maquinas ocorreu a mesma necessidade de concentração, visando elevar a escala e rotatividade dos negócios, e muitas empresas do ramo, antigas, tradicionais do ramo, tambem não quiseram ver, nem com as consultorias externas contratadas avisando, que seu modelo de negócios era ultrapassado, caro, burocratizado, paternalista e ineficiente, o que ocorreu :  algumas foram vendidas, outras associaram-se a montadoras/importadores, os “resistentes” : faliram ou desapareceram.

         A AB InBev tem processos deste tipo em varios paises, até na Bélgica, e quando da incorporação nos Estados Unidos da Anheuser – Busch ( Budwiser ), o Brito utilizou-se da mesmissima tática, renegociando todos os contratos de fornecedores e distribuidores “para baixo”, varios deles entraram com processos, tem um que fornecia lupulo para a Budwiser desde a fundação desta e faliu, processa a AB InBev na justiça americana há mais de 4 anos, ainda não deu em nada.

          Aquisições e fusões globalizadas, sempre geram estes problemas – o próximo da AB InBev será na Colombia – mas tais ações judiciais futuras já são contabilizadas como custo possivel quando da aquisição/fusão, um tipo de “compliance reversa” ( André Araujo vai gostar ) na qual grupos de contadores, advogados e bancos (sistematizadores da operação ), estabelecem os provaveis custos futuros e montam estratégias de contingencia-los ao minimo.

           O pessoal, distribuidores e funcionários da BR Distribuidora que se preparem, poderá ocorrer o mesmo com eles.

    • Ambev

      Falando bobagem amigo.O processo de concentração/fusão foi forçado pela Ambev de forma criminosa. Os distribuidores que resistiam, independente de seus erros de gestão, eram inviabilizados de forma ostensiva. Foi um crime de abuso de poder economico sem igual.

  7. + comentários

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