Fim das Farmácias Populares preocupa famílias de baixa renda

Moradora de bairro periférico do Rio de Janeiro já relata dificuldade em conseguir medicamentos / Foto: Divulgação

Moradora de bairro periférico do Rio de Janeiro já relata dificuldade em conseguir medicamentos  - Créditos: Foto: Divulgação

do Brasil de Fato

Fim das Farmácias Populares preocupa famílias de baixa renda

Fania Rodrigues

Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ)

A partir de maio, o Ministério da Saúde fechará as portas das 393 farmácias próprias em todo Brasil. A decisão do governo ilegítimo de Michel Temer, anunciada no início de abril, tem preocupado às famílias que dependem desses medicamentos fornecidos de forma gratuita ou com até 90% de desconto.

No bairro carioca de Quintino, na zona norte do Rio, a operadora de caixa, Jaqueline Vieira se uniu aos vizinhos para realizar um abaixo-assinado e tentar impedir o fim desse benefício, implementado pelo governo Lula em 2004. “Pedimos a todas as pessoas para assinar e contribuir com essa campanha, mesmo aquelas que não dependem de remédio, porque a gente nunca sabe o dia de amanhã”, afirma Jaqueline. Ela diz ainda que acompanha de perto o drama de quem depende do programa para sobreviver. “Aqui no nosso bairro tem muitas pessoas carentes que não têm condições de comprar remédios caros. Minha vizinha tem uma criança que é deficiente física e depende dos medicamentos que ela retira na Farmácia Popular do governo. E já tem alguns medicamentos que estão em falta em muitos lugares”, explica.

O programa Farmácia Popular funciona de duas formas. Uma delas é quando o governo financia remédios da rede privada de farmácias. O paciente vai com a receita em qualquer farmácia que participa do convênio com o governo federal e recebe um desconto na hora da compra. Nesse caso são 25 remédios na lista do programa.

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A outra forma é retirando o medicamento em farmácia própria do programa, que é um estabelecimento público gerenciado diretamente pelo Ministério da Saúde. A diferença é que nessas Farmácias Populares do governo lista soma112 medicamentos. Atualmente, o programa atende cerca de 10 milhões de brasileiro todos os meses, segundo dados do governo federal.

Desse modo, com fim da rede própria do programa Farmácia Popular os pacientes deixarão de receber mais de 100 tipos de remédios. Quem mais sofrerá com o desabastecimento serão as famílias pobres do interior dos estados. “Nas grandes cidades existem mais recursos, onde os governos estaduais e municipais também fornecem alguns dos medicamentos. Mas, no interior é diferente, às vezes a Farmácia Popular é a única opção para conseguir alguns remédios caros de uso contínuo”, explica o médico de família Stephan Sperling, da Rede de Médicos e Médicas Populares.

Governo federal agrava crise no Rio

A Defensoria Pública do estado do Rio de Janeiro denunciou essa semana a “omissão do governo federal” na compra e distribuição de dois medicamentos de alto custo. A falta dos remédios, que deveriam ser enviados pelo Ministério da Saúde, tem obrigado o governo do estado a pagar pelo tratamento de pacientes renais crônicos, que não respondem à terapia convencional. Entre 2011 e 2015 foram gastos R$ 18,7 milhões para atender as 2 mil pessoas cadastradas como dependentes das duas substâncias.

Diante dessa situação e da crise econômica do estado, nove defensores públicos estaduais e federais entraram com uma ação na Justiça pedindo que em 15 dias o Ministério da Saúde repasse doses suficientes para 90 dias de tratamento desses pacientes e mantenha o abastecimento regular do estado.

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“Isso demonstra que a judicialização da saúde é, muitas vezes, a única forma de os cidadãos terem acesso aos medicamentos e serviços de que necessitam e terem garantido seu direito à saúde”, explica a coordenadora de Saúde e Tutela Coletiva da Defensoria do Rio de Janeiro, Thaísa Guerreiro, uma das autoras da ação.

O governo Temer tem até o dia 2 de maio para dar uma resposta oficial à ação judicial, protocolada pela Defensoria Pública do Rio.

Edição: Juliana Gonçalves

 

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12 comentários

  1. Dias atrás meu coração cortou

    Dias atrás meu coração cortou quando vi uma senhora sexagenária, negra, andando com dificuldade, à procura de remedios que faziam  parte do programa Farmácia Popular. e era informada de que o programa não existia mais, ai ela saia e se dirigia à outra Farmácia para ter a mesma resposta. 

    Se  o povo de uma certa forma tinha acesso à riqueza e ao dinheiro publico em forma de financiamentos e acessos a beneficios, de um ano para cá a troupe golpista está acabando com tudo porque a grana tem que ser destinada a quadrilha que tomou de assalto o cofre da republica e a panelinha que deu apoio o golpe: a Glbo e cia…

  2. O programa terá seu nome

    O programa terá seu nome trocado para BOTICA DA GALERA e será instalada em diretórios regionais de partidos políticos. Com a exceção, claro, do fomentador do programa original, que ninguem bota azeitona na empada de ninguem.

    O paciente deverá se dirigir a sede do diretório regiona e apresentar a receita. Tomará conhecimento que a retirada somente em dia de falta de assunto nos telejornais das Organizações Marinho.

    Quando, aí, sim, assinará autorização para veiculação de sua imagem, deverá estar chorando, recebendo do cacique do diretório uma caixa para 27 dias do referido remédio.

     

  3. Olha, quer saber?
    Problema
    Olha, quer saber?
    Problema dessas famílias.
    Tô de saco cheio.
    Precisamos deixar de paternalismos.
    Já são bem crescidinhos e sabem muito bem o que fazem.
    Se a periferia vota em Dória, Crivella e afins, achando que rico vai resolver problema de pobre, tem mais é que se f. mesmo.
    Basta ver o resultado das últimas eleições para prefeito.
    Se não têm noção de quem os representa, problema deles.
    Talvez o calvário seja educativo e colabore na formação de senso crítico.
    Já passou da hora de saber quem está do lado dos mais necessitados e quem sempre governou para as elites.
    Paciência tem limites.

      • Meu caro Peregrino,
        O voto,

        Meu caro Peregrino,

        O voto, infelizmente, nem sempre expressa a vontade do eleitor.

        Pode seguir “outros caminhos” na apuração.  

        Esse importante instrunento da cidadania não está imune a “interferências”.

        Sem contar, claro, a lobotomização dos meios de comunicação. 

    • Horrível cara

      Isso q vc escreveu é coisa de vingança, e só isso. Não era contra o golpe, então q se f….  LAMENTÁVEL

    • Conheço alguns

      Conheço alguns nessa situação que vociferaram com ódio extremo, e não somente em redes sociais, em coversas cara a cara também. Agora terão que abrir mão dos confortos e muito provavelmente até itens de primeira necessidade se quiserem… (me desculpem se compartilho da frieza de nosso colega peregrino) se quiserem se manter vivos. Mantenho apenas um mínimo de compaixão nesses casos porque a ignorância de tais pessoas ultrapassa o limiar da loucura. Obeceram a globo como reles vassalos e se engajarem no golpe com fervor, foram ingratos com o governo que criou o Farmácia Popular. Como pode tal nível de irresponsabilidade com a própria vida? É impressionante como não enxergaram o óbvio.

      O problema maior problema, acredito eu, é a ignorância extrema, não no sentido de baixa instrução, pois gente de todas as classes apoiaram o golpe em maior ou menor grau, mas no sentido de não se ter nenhum discernimento.

      Estão colhendo o que ajudaram a plantar, até mesmo os “donos do pato”.

      Enquanto for regra essa “cultura” de não assumir a responsabilidade pelo que faz, esse país não vai melhorar. E isso é coisa que pode levar gerações para se consertar.

  4. Essas farmácias distribuem

    Essas farmácias distribuem apenas medicamentos genéricos. Provávelmente os laboratórios gigantes, multinacionais donos das marcas tradicionais, devem estar por tras dessa jogada. São laboratórios golpistas acertando as contas com os seus seus governantes. Os governantes golpistas, para retribuirem os serviços prestados ao golpe pelo bradesco, itaú, santander e mais alguns bancos, estão adotando a mesma prática das farmácias, com fechamentos de agências do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal…

  5. Do governo do diminuto sempre se pode esperar mais ….M

    Era claro q esse governo golpista ia ferrar os que menos têm, mas ele está sempre a se superar. Só ferra quem não tem, com grande voracidade, e agracia com mimos de todos os tipos os que muito têm.

    Acho uma lástima que tenha alguns que pensam: não foram contra o golpe, então que se fodam. Visão punitivista, como a direita está mais que acostumada, e zero solidariedade, que deveria ser um valor sempre presente para os que desejam um país mais justo.

  6. Se a indústria farmacêutica

    Se a indústria farmacêutica faz o que bem entende no mundo inteiro, parece ter um poder talvez um pouquinho abaixo de Deus. Creio que o setor farmacêutico criou um sistema melhor do que o dos bancos, pelo menos durante o período entre 2012 e 2016. Porque ela oferece promoções baseadas em tabelas em que o preço dos remédios pode variar de 1 a 5 ou 6 opções de preços como por exemplo um remédio para diabetes pode custar para o consumidor entre 68 a 210 Reais, vamos supor. Quando vem   e o aumento, ele aumenta pelo preço máximo, o lucro está sempre garantido. Além do fechamento das farmácias populares, alguns convênios com os distribuidores de determinada marca de remédio estão sendo extintos. A vida, dádiva divina ou, no plano terreno e laico, uma conquista e  garantia dos governos comprometidos com as questões sociais, vira um nada para o mercado farmacêutico. A vida que não é descartável é aquela que paga por ela, que tem planos de saúde e mecanismos abundantes de prevenção de doenças. O poder de excluir agora nem disfarça o desprezo pelos mais pobres, pelos aposentados e por aqueles que nem emprego tem mais, muito menos previdência social no horizonte, já que também está sendo destruída pelo programadores da pinguela para o futuro. Ninguém aguenta mais Temer, Moreira, Meirelles e Globogolpe e comparsas.Começa pelos pobres e vai engolir a classe média inteira.

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