O jovem homem e a cultura do estupro, por Danilo Strano

 
O jovem homem e a cultura do estupro, por Danilo Strano
 
Quando o posicionamento é obrigação
 
Rio de Janeiro, 21 de Maio, uma menina de 16 anos sai para curtir uma festa e acaba sendo estuprada por mais de 30 homens. O fato ganha destaque nas redes sociais e logo vira o assunto mais comentado. A bandeira pelo fim da cultura do estupro é levantada e aparece em grande parte dos perfis femininos. Mas um silêncio, ou até uma culpa velada pairam. Por que poucos homens se manifestaram? Pior, por que os jovens homens que estão nas redes sociais não se posicionaram em massa?
 
O protagonismo da luta pelos direitos da mulher deve ser encabeçado por mulheres, algo diferente disso não faria sentido, como o Partido da Mulher Brasileira, que só tem um deputado, que é homem. Porém, o jovem homem tem obrigações sociais com ações que possibilitem essas conquistas. 
 
O silêncio masculino e as pequenas violências cometidas contra mulheres diariamente é o que da força para casos como o ocorrido no Rio de Janeiro.

 
Em recente palestra, a professora Silvana Nascimento, do Departamento de Antropologia da Universidade de São Paulo, sinaliza para o fato das microviolências servirem como reforço e sustentação para a cultura do estupro.
 
“As microviolências estão conectadas. O assédio [nas ruas] e essa violência física [o estupro], e todos têm a ver com uma visão masculina que tende a ver o corpo da mulher como um objeto de posse. É o que também permite que você fale que ela é gostosa na rua, faça piada depreciativa.”
 
O jovem, independente do gênero, é o construtor e um dos principais pilares de toda forma de cultura, isso é refletido por meio da música, do cinema, do teatro, das ações diárias e etc.
 
Não basta evitar a reprodução de gestos machistas e misóginos. Entre os confrontos do “antigo” e do “novo” os jovens fazem suas escolhas. Para uma cultura mudar, os jovens precisam trazer algo novo, a simples negação não altera o status quo. As jovens mulheres perceberam isso e estão gritando para o mundo contra a cultura do estupro.
 
O jovem homem tem obrigação de se posicionar, qualquer atitude diferente dessa será considerada alienação ou conivência com a cultura do estupro.
 
Danilo Strano – 28 anos, cientista político, especializado em comunicação e redes sociais

8 comentários

  1. Sei que não sou “tão” jovem,

    Sei que não sou “tão” jovem, mas estive no ato contra a cultura do estupro na Alerj. Na minha militância da resistência admito estar indo a reboque da mulherada.

    Mal posso esperar por amanhã quando vai ter o ato “mulheres pela democracia” na Carioca com a presença da Dilma. Mas não será nenhum problema seu eu fizer uns galanteios elegantes para as belas, politizadas e das ruas, certo? É grande a possibildade de eu minha apaixonar por uma delas, já que estou solteiro

    • Mas há problema sim Ouça o q as próprias mulheres dizem

      Galanteio indesejado é agressao. Inclusive houve, ainda recentemente, campanhas femininas a respeito disso. A nao ser que as moças estejam com um cartaz dizendo pode galantear, vc nao sabe se elas querem ou nao. Entao NAO FAÇA.

      • Tá vendo, Juliano!

        Tudo o que não estiver programado é “indesejado”. Nem entar trocar olhares você pode, Juliano!

        Portanto, nada de galanteios! Feministas estão probidas! A não ser que seja uma anti-feminista com um cartaz bem grande pendurado no pescoço: “aceito galanteios”.

    • Cara, você tome cuidado!

      Essas histéricas são ferozes!

      Elas não gostam de homens!

      Não se meta a besta, senão elas vão te capar, e pouco importa se você estiver apaixonado.

  2. “Por que poucos homens se

    “Por que poucos homens se manifestaram? Pior, por que os jovens homens que estão nas redes sociais não se posicionaram em massa?”

    Porque uma turminha forçou a barra.

    É a mesma coisa quando um político é criticado por prometer coisas boas demais. A conotação positiva do tema central se perde em meio à razoabilidade.

  3. A hipótese jamais cogitada

    O “silêncio dos jovens masculinos” pode até ser uma constatação verificável. Em sendo, haveria que buscar os sentidos disso, e não ficar na simples constatação como esfínge social incompreensível ou mero objeto de condenação moralista — que é a saída mais fácil, tal como esse artigo abraça.

    De qualquer modo, uma hipótese para explicar tal “silêncio”, que esse mesmo moralismo talvez jamais seja capaz de cogitar (na argumentação que se segue pode-se entender por quê), talvez seja simplesmente a de que o discurso feminista, tal como está sendo enunciado, não alcança esses homens. E aí a questão passa a ser: e por que isso?

    Aqui surge uma outra hipótese igualmente “inconveniente”: a de que a opção pelo particularismo, que fundamenta o discurso feminista contemporâneo (http://jornalggn.com.br/blog/ricardo-cavalcanti-schiel/sim-o-novo-feminismo-existe-por-ricardo-cavalcanti-schiel), não consegue conquistar corações e mentes, ou seja, não chega a fazer sentido em termos universais, exatamente porque se refugia no particularismo absoluto da afirmatividade identitária (na reificação de uma “identidade feminina”) e ingnora as relações.

    Assim como o racismo (e não a “raça”), o machismo é o fenômeno que escancara a relação. Ao fazer a opção pela afirmação da “raça” em detrimento do anti-racismo, o racialismo contemporâneo refugiou-se no mesmo particularismo afirmativo, reificando a identidade e ignorando as relações (sociais).

    Da mesma forma, o feminismo contemporâneo parece prescindir do anti-machismo para refugiar-se numa espécie de sexismo feminista no qual  só as mulheres seriam reconhecidas como sujeitos de ação política, quando se trata, evidentemente, de relações entre gêneros. Por carregar a “culpa” intrínseca (identitária) do machismo, os “homens” estariam, a priori, excluídos desse lugar discursivo: seu lugar é o silêncio.

    Não sei se alguém se lembra que nos primeiros anos da década de 80 o lema do PT era “trabalhador vota em trabalhador”… No correr daquela década, o PT progressivamente se tornou o lugar de desague e de encontro das inquietações civis que avançaram em montante a partir do movimento das Diretas Já. Ao se tornar o receptáculo de expectativas políticas de grande espectro que respondiam pelo nome de “transformação”, o PT deixou o lugar do particularismo classista expresso pelo seu lema eleitoral para tornar-se, de fato, eleitoralmente viável. Isso culminou em 1989. Foi esse caminho em direção a uma posição mais universalista que o fez “sair do gueto” dos leninismos discursivos das décadas anteriores.

    A opção pelo particularismo faz o caminho contrário.

    No fim das contas — e essa é a grande advertência a ser feita — todo particularismo só pode, politicamente, desaguar no chauvismo. Esse é o risco que corre o “novo feminismo”, que reifica a identidade e despreza as relações.

  4. Nossa!
    Não sabia que era

    Nossa!

    Não sabia que era galanteio ser chamada de gostosa por desconhecidos na rua.

    Nem tinha me dado conta que deveria me sentir grata cada vez que um neandertal faz menções pornográficas a partes específicas da minha anatomia.

    Se você acha que assédio e galanteio é a mesma coisa, é mesmo um idiota e nem vou me dar ao trabalho de tentar explicar a abissal diferença entre um e outro.

    Luciana Mota

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