UNICEF pede prioridade às crianças e adolescentes na agenda eleitoral 2020

"Os novos gestores e legisladores municipais, certamente, têm um grande desafio: colocar crianças e adolescentes como prioridade em cada município"

Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Jornal GGN – Crianças e adolescentes são “vítimas ocultas” da Covid-19 e os futuros governos municipais precisam dar conta disso. É o que mostra relatório do Fundo de Emergência Internacional das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado nesta quarta (21).

O documento associa a agenda política dos próximos prefeitos e vereadores aos obstáculos que precisarão enfrentar nas políticas públicas voltadas às crianças e adolescentes, em meio às consequências da epidemia a médio e longo prazos.

“É no município que meninas e meninos vivem, então é lá que se pode impactar diretamente a vida delas e deles. Os novos gestores e legisladores municipais, certamente, têm um grande desafio pela frente, mas estão diante de uma oportunidade única: colocar crianças e adolescentes como prioridade em cada município”, traz o relatório.

E, apesar de não serem necessariamente os maiores afetados, sofrem os efeitos do desemprego e consequente qualidade da alimentação de suas famílias e da educação, diretamente prejudicados pela epidemia.

Segundo a representante do UNICEF no Brasil, Florence Bauer, a crise econômica vem afetando “meninas e meninos de forma mais intensa”. “Suas famílias tiveram as maiores reduções de renda e – consequentemente – uma piora na qualidade da alimentação, em comparação com quem vive em casas sem crianças e adolescentes”, explicou, em apenas um dos exemplos.

De acordo com Bauer, é com base neste cenário que ” fundamental fazer da infância e da adolescência a grande prioridade do orçamento e das políticas públicas municipais, em articulação com os governos estaduais e a União” para os próximos anos, e daí a importância das eleições municipais 2020.

Em outra ponta, famílias que já viviam em situação de vulnerabilidade social sofreram um aumento das desigualdades. Coberturas básicas de água e saneamento, por exemplo, são necessidades para evitar futuros contágios e outras doenças que aumentam os dados de mortalidade infantil.

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“Nas últimas décadas, o Brasil se destacou por reduzir a mortalidade infantil. Investimentos em saúde, imunização e saneamento básico são fundamentais para que crianças não morram por causas evitáveis”, explicou.

No setor de educação, a UNICEF propõe o investimento na aprendizagem, com a reabertura segura de escolas, implementando políticas de garantia ao direito de ensino. “Os governos municipais têm um papel essencial nisso, sendo os responsáveis principais pela educação infantil e pelo ensino fundamental”, lembrou Bauer.

Os dados de violência contra crianças e adolescentes no Brasil também não são encorajadores. Relatório recente divulgado pelo anuário do Fórum Brasileiro de Segurança Pública revela que 10,3% das vítimas de assassinatos no país no último ano foram crianças e adolescentes. A UNICEF propõe criar um “pacto pela proteção” contra a violência letal e outras violências.

Também estão nas propostas do relatório divulgado nesta quarta oferecer aos adolescentes oportunidades reais, investir na primeira infância, e fazer da infância e adolescência “a grande prioridade do orçamento e das políticas públicas municipais”.

Leia a íntegra do documento:

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