Certidão de óbito do embaixador José Jobim é retificada

Emissário que escrevia livro sobre desvios da Usina de Itaipu foi torturado e morto na ditadura militar, novo atestado revela morte violenta no contexto da perseguição
 
Reprodução
 
Jornal GGN – A Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP) concordou com o pedido da filha do embaixador José Jobim, Lygia Maria Collor Jobim, para retificar os termos escritos no assento de óbito de seu pai. Com isso, a 5ª Circunscrição de Registro Civil das Pessoas Naturais do Rio de Janeiro (RJ) expediu, a última sexta-feira (21), uma nova certidão de óbito retificando a causa de morte.
 
O documento que fundamentou o novo registro foi o atestado de óbito assinado pela procuradora regional da República e presidente da CEMDP, Eugênia Augusta Gonzaga. 
 
Quando foi encontrado morto, em 24 de março de 1979, na cidade do Rio de Janeiro, Jobim era aposentado como embaixador e escrevia um livro sobre os desvios cometidos durante a construção da Usina de Itaipu. O emissário foi sequestrado dia 22 de março, mantido em cativeiro por dois dias e meio e interrogado sob tortura, segundo relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV).
 
Na época em que seu corpo foi encontrado, o laudo pericial, “repleto de vícios”, sugeriu morte por suicídio, mas o certificado de óbito foi editada como causa de morte indefinida, a depender “dos resultados dos exames complementares solicitados”.
 
Em nota, a assessoria de Comunicação da Procuradoria Regional da República da 3ª Região destaca que, com base nesse relatório da CNV, “foi expedido pela CEMDP um atestado de óbito no qual consta que José Jobim, conforme reconhecido no Relatório Final da Comissão Nacional da Verdade, instituída pela Lei 12.528, de 18 de novembro de 2011, faleceu por volta do dia 24 de março de 1979, na cidade do Rio de Janeiro/RJ, em razão de morte não natural, violenta, causada pelo Estado brasileiro, no contexto da perseguição sistemática e generalizada à população identificada como opositora política ao regime ditatorial de 1964 a 1985”.
 

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3 comentários

  1. Caso nebuloso. Cadê o livro?

    O assunto é tão sério e doloroso que fica muito difícil questionar um lado ou outro. Mas uma dúvida me vem à cabeça desde que li aqui no blog o primeiro post sobre o assunto. Quais seriam essas denúncias? Esse tal livro deve existir. Porque não se divulga? Pelo que se sabe não foi “requisitado” pelo poder de plantão. Como eventuais prejudicados pela denúncia tinham conhecimento e pessoas do circulo social e familiar desconheciam detalhes? Longe de mim defender a suposta violência, mas fica no ar um cheiro estranho, de vitimismo talvez. Enfim, é uma notícia que contempla apenas um lado. Lamento.

    • Triste é a ignorância e a desinformação

      Paulo, você precisa se informar, estudar antes de escrever bobagens…  Os escritos do embaixador foram confiscados pelos militares porque nada, absolutamente contra os militares podia aparecer naquela época, afinal é para isso que um Estado ditador serve – para fazer o que bem entende e calar o contraditório! . Mas um dia a coisa explode, e explodiu com provas em auditoria realizada pela  CPI da Dívida Pública realizada em 2009 2010 no Congresso Nacional. Essa auditoria preliminar era o instrumento jurídico que ia ensejar o pedido para a realização da definitiva auditoria pública do Estado Brasileiro –  que são os contratos por ele realizados(internos e externos), o que inclui todo o empréstimo em dinheiro estrangeiro destinado a obras e políticas públicas no Brasil.  Aliás, a nossa dívida pública começou no regime militar, mais precisamente na década de 70, sabia? Dentre os contratos de empréstimo para obras públicas brasileiras, e a usina de Itaipú foi uma grande obra realizada, a conta nunca fechou!  O embaixador foi sequentrado, interrogado sob tornura e morreu – foi assassinado pelo Estado Brasileiro –  porque sabia demais!!  Quer saber detalhes da corrupção da dívida pública do Estado Brasileiro desde os governos militares? Eis o link aonde voce pode se informar, ver os documentos e assistir os vídeos explicativos – https://auditoriacidada.org.br/ 

  2. AH SE FOZ DO IGUAÇU FALASSE…

    Para quem, como eu, viveu por algum tempo na cidade paranaense de Foz do Iguaçu e se interessa pelas coisas do Brasil – no campo político, principalmente, tem naquele município campo fértil à pesquisas.

    As histórias e estórias brotam em cada canto, de cada cidadão que lá estava na “época de ouro” da construção de Itaipú.

    Vocês não tem ideia do que ouvi. Assassinatos, pequenas e grandes falcatruas envolvendo todo tipo de gente – e muita “gente de bem” se envolveu em sujeiras mil até o talo, viu? – corrupção às escancaras, etc.

    Dava um filme de espionagem e ação. E que filme! 

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