Comandos Militares preparam comemorações ao golpe da ditadura como “fato histórico”

Quartel-General da Amazônia fala em "solenidade alusiva aos 55 anos da Revolução Democrática de 31 de março de 1964" no convite

Foto: AFP

Jornal GGN – Os quartéis generais já estão se organizando para comemorar o golpe que implementou a ditadura do regime militar em 1964, no dia 31 de março, desde que Jair Bolsonaro orientou para a celebração. Diferentemente do que ocorria até o ano passado, os generais preparam as solenidades e evitam falar em “comemoração”, substituindo por “lembrança de um fato histórico”.

O evento que deve ser concretizado pelos comandos generais das capitais do país chegou a ser confirmado pelo Centro de Comunicação Social do Exército, ao Uol, e por diversos generais ao Globo. O comandante do Exército, General Edson Leal Pujol, já divulgou em sua agenda oficial a participação da solenidade no Comando Militar do Planalto, em Brasília, nesta sexta-feira (29), a partir das 8h.

O Quartel-General Integrado do Comando Militar do Norte, na Amazônia, também confirmou que fará o evento. No convite, o golpe que instalou a ditadura no país foi descrito como “Revolução Democrática”. Está escrito: “o Comandante Militar do Norte, General de Exército Paulo Sérgio Nogueira de Oliveira, tem a honra de convidar V Exa / V Sa para a solenidade alusiva aos 55 anos da Revolução Democrática de 31 de março de 1964”.

E as manifestações não ocorrem somente a nível local. O próprio Ministério da Defesa se prepara para ler um texto que será lido na ordem do dia, que falará em tom “conciliatório” sobre “fatos históricos”, na visão destes militares que acreditam que a ditadura foi um período de “combate a uma tentativa de implantação do comunismo”.

Um dos chefes de um comando afirmou à reportagem de O Globo que “gostem ou não”, o “fato histórico” será “relembrado” e que as celebrações devem ocorrer nos maiores comandos do país, além de Brasília e Amazônia, já confirmados, também Rio de Janeiro e São Paulo.

De acordo com os relatos, as cerimônias contarão com a apresentação da tropa à autoridade militar mais antiga, o aviso do mestre de cerimônia de que é para “relembrar um fato histórico ocorrido em março de 64”, a execução do hino nacional, a leitura do texto do ministro da Defesa e um desfile de encerramento do evento.

Enquanto deputado federal, durante a sua campanha eleitoral e após vencer a disputa para Presidência da República, Jair Bolsonaro nunca deixou de exaltar a sua admiração pelas ditaduras, as quais sempre descreveu como governos militares, além do Brasil, também dos generais Alfredo Stroessner, do Paraguai, e Augusto Pinochet, do Chile. Neste domingo, o golpe completa 55 anos e o mandatário determinou a comemoração da data, o que no governo da ex-presidente Dilma Rousseff era negado.

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