Dan Mitrione, o homem que treinava torturadores

Enviado por antonio francisco

Costa-Gravas fez o filme Estado de Sítio, onde o agente da CIA  Dan Mitrione foi vivido por Ives Montand. 

http://pt.wikipedia.org/wiki/Estado_de_S%C3%ADtio_(filme)

Pode-se ver no youtube:

https://www.youtube.com/watch?v=WkHAzHKxKbw

http://cineverdademg.blogspot.com.br/2011/07/estado-de-sitio.html

Este, o Dan Mitrione, a quem vereadores de Belo Horizonte homenagearam com nome de rua. Tanto nos EUA quanto no Brasil os de cima sabiam o que Dan Mitrione veio fazer aqui. 

 Cables Show Nixon Knew about Death Squads, Urged Uruguay to Kill Leftist Prisoners

http://www.constantinereport.com/dan-mitrione-update-nixon-knew-about-de…

O que diz sobre sua carreira a wikipedia:

http://pt.wikipedia.org/wiki/Dan_Mitrione

De 1960 a 1967, Mitrione trabalhou com a Policia Brasileira, primeiro em Belo Horizonte e depois no Rio de Janeiro. Documentos mostram que Mitrione ensinava como usar choques elétricos sem deixar marcas.3 Em suas aulas de treinamento em tortura na polícia de Belo Horizonte, Mitrione dava “demontrações práticas” de tortura utilizando-se de presos, mendigos e indigentes. Mitrione insistia em utilizar-se dos manuais da CIA, os Manuais KUBARK, insistindo que eles refletiam o fato de que tortura eficaz é ciência (nas palavras de Mitrione em inglês: “effective torture was science”). Em 1969 Mitrione foi para o Uruguai onde continuou suas atividades em treinamento de tortura enquanto posava como encarregado de negócios na Embaixada Americana.4 5

A wikipedia conta também que ele foi morto por tupamaros, que abandonaram o corpo num carro. Levado para os EUA, a seu enterro compareceram Eisenhower e William Rogers secretário de Estado de Nixon. Frank Sinatra e Jerry Lewis fizeram um concerto beneficente em prol da família de Mitrione.

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Leia também:  Lançamento: “Vozes do Silêncio contra a Violência de Estado”

8 comentários

  1. Elevado Castelo Branco passa a se chamar Helena Greco

     Elevado Castelo Branco passa a se chamar Helena Greco
    Viaduto estava sem nome desde dezembro de 2012, quando o decreto que o nominava, de 1971, foi revogado

    PUBLICADO EM 30/04/14 – 19p0
    Da redação

    O projeto de lei que batiza como Helena Greco o viaduto que liga a avenida Pedro II à praça Raul Soares, na região Centro-Sul de Belo Horizonte, foi promulgado nesta quarta-feira (30) pelo presidente em exercício da Câmara Municipal de Belo Horizonte, Wellington Magalhães (PTN).
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    Conhecido como Elevado Castelo Branco, o viaduto estava sem nome desde dezembro de 2012, quando o decreto que o nominava, de 1971, foi revogado. Ele foi renomeado em homenagem à ex-vereadora e militante pelos direitos humanos, Helena Greco, que morreu em 2011, vítima de insuficiência cardíaca.

    Entenda

    O projeto que deu origem à lei foi apresentado pelo vereador Tarcísio Caixeta (PT), que considerou sua sanção como símbolo do resgate da história das pessoas, que, como Helena Greco, lutaram pela redemocratização do país. O viaduto que recebeu o seu nome chamava-se, até dezembro de 2012, Castelo Branco, nome dado em 1971 por decreto municipal que homenageou também outro presidente do regime militar, Costa e Silva.

    Em 2012, a Câmara aprovou projeto de Tarcísio Caixeta que renomeava dois viadutos da cidade. Ao viaduto Costa e Silva, ele deu o nome do ex-deputado José Maria Magalhães, pai do ex-vereador José Lincoln Magalhães. O problema se deu na hora de trocar o nome do viaduto Castelo Branco pelo de Helena Greco. A mudança não foi aceita pela Câmara. Com isso, o viaduto ficou, desde dezembro daquele ano, sem nome.

    Quem foi

    Helena Greco nasceu em Abaeté, na região Central do Estado. Formada em farmácia, nunca exerceu a profissão, encontrando na política sua verdadeira vocação. Iniciou a militância aos 61 anos, no momento em que a população brasileira lutava pelo fim da ditadura militar. Talvez pelo momento conturbado, a mineira tenha se interessado pela luta em defesa dos direitos humanos – marca de seus mandatos na Câmara. Ela também foi uma das fundadoras do Partido dos Trabalhores (PT).

    Em um espaço eminentemente masculino – já que, em seu primeiro mandato no Legislativo, em 1983, apenas outra mulher também ocupava uma vaga -, ela conseguiu implementar a primeira Comissão Permanente de Direitos Humanos em todo o Brasil, com o objetivo de colocar fim à exploração dos trabalhadores e lutar contra as desigualdades.

    Em seu primeiro mandato como vereadora, Helena foi responsável pela primeira troca de nome de rua por homenagear uma pessoa comprometida com a ditadura. Na época, a rua levava o nome de Dan Mitrione, agente norte-americano que veio à Belo Horizonte e outras capitais brasileiras para treinar os policiais na aplicação de torturas, especialmente, a técnica de torturas com choques sem deixar marcas.

    A rua, localizada no bairro das Indústrias, atualmente leva o nome de José Carlos da Mata Machado, que militou pela Ação Popular (AP) e foi presidente do Diretório Acadêmico da escola de Direito da UFMG, morto após ser preso no DOI-CODI de Recife.

    Helena foi uma das principais responsáveis pelo movimento de anistia no país. Foi presidente e fundadora do Movimento Feminino pela Anistia em Minas Gerais, em 1977, e do Comitê Brasileiro de Anistia, em 1978.

    Ela faleceu em 2011 aos 95 anos, vítima de uma insuficiência cardíaca.
     

  2. O nome da rua mudou.

    Há muito tempo,a rua Dan Mitrione, em Belo Horizonte, teve seu nome trocado para rua José Carlos da Mata Machado, militante de esquerda preso, torturado e assassinado pela repressão da ditadura.

     

  3. Genealogia e atualidades

      Não sei se existe o gene da canalhice, mas: //advanceindiana.blogspot.com/2013/12/indiana-undercover-dan-mitrione-and.html

       USAID/OPS: no site pando.com: the-murderers-history-of-usaid-the-us-governement-agency-behind-cubas-fake-twitter-clone

       ” A raposa pode perder seu pelo, mas sempre mantem suas garras “

  4. A ditadura, a tortura e o sadismo

    Segundo Maria Rita Kehl

    Só a intimidação não basta, é preciso mostrar que o regime também é capaz de matar.

    É como se o superego estivesse dizendo: “você não pode gozar mas tem que continuar tentando”. E se tem um Estado falando “goza, meu filho” para um Sebastião Curió, para um Calhandra, para um Luis Maciel, deu no que deu.

    UOL | MORRIS KACHANI  | 28/03/14

    Para Kehl, ditadura deu vazão a sadismo que as pessoas não se autorizam (foto: divulgação)

    Cinquenta anos depois do golpe, como a sociedade brasileira lida com a memória deste período? Como funciona o subterrâneo psíquico de quem nela atuou, seja como agente repressor ou na luta armada? Qual seria o saldo do inconsciente coletivo?

    A psicanalista Maria Rita Kehl, integrante da Comissão Nacional da Verdade, recebeu a reportagem em seu consultório no bairro de Perdizes, em São Paulo, para uma conversa que teve o tempo de duração de uma sessão de análise – 40 minutos.

    Kehl foi editora do jornal Movimento, um dos mais importantes veículos da imprensa alternativa durante a ditadura. Atende pacientes desde 81, é autora de oito livros, e venceu o prêmio Jabuti de 2010 com “O tempo e o cão”.

    Como lidamos com a memória do período da ditadura?

    Muito mal. A ditadura espalhou uma ideia que até hoje funciona na cabeça dos desinformados, de que era preciso “pôr ordem na bagunça”, ou “acabar com a corrupção”, e de que se houve alguma violência, ela foi pouca e necessária. Então até hoje, para muitos, o golpe está associado a isso, embora a corrupção não tenha acabado, pelo contrário.

    E nem a ‘bagunça’.

    Agora temos os protestos e o governo Dilma, que é inábil. Não digo que não seja uma boa governante mas não tem habilidade para deixar todo mundo contente, como o Lula.

    Voltando à ditadura, há quem se recuse a se referir a ela como tal e afirme que a tortura inexistiu.

    O autor judeu italiano Primo Levi, que sobreviveu aos campos de concentração na Segunda Guerra, escreveu que seu maior pesadelo era imaginar que ao contar sua história as pessoas não iriam acreditar. E é isso que acontece. Elas estão tão reprimidas no seu imaginário que não têm coragem de fantasiar situações desta natureza.

    Existe algo de tipicamente brasileiro nesta relação?

    O ponto central é a Lei da Anistia, especificamente no tópico que determina que ninguém seja julgado. Isso cria uma equivalência entre os que arriscaram a própria vida com os que exerceram a tirania. Existe um ‘jeitinho brasileiro’ na maneira como esse pacto foi costurado e na rápida reacomodação da sociedade, com ninguém tendo sido punido. Arnaldo Jabor fala sobre isso em “Tudo Bem”. E é o que Sérgio Buarque de Holanda chama de ‘homem cordial’. Este homem pode ser brutal no trato com empregados por exemplo, mas depois deixa barato pra dizer que ‘todo mundo se ama’. E assim a dominância de classes se perpetua.

    Após a escravidão houve também uma reacomodação rápida da sociedade, não?

    Sim, e a um preço horroroso, com hordas de escravos tendo sido jogados na rua. Nos Estados Unidos foi diferente, cada um ganhou um palmo de terra para trabalhar. Foi por isso que o cineasta Spike Lee chamou sua produtora de 40 Acres and a Mule.

    Em alguns países a revisão da ditadura é tratada de forma diferente.

    Veja o caso da Argentina. É claro que muito mais gente morreu por lá, mas isso não é parâmetro. O fato é que até os presidentes foram julgados e encarcerados.

    Como uma pessoa comum se torna torturadora?

    Instaurou-se um regime político autoritário sem uma oposição consentida. Só aí já temos uma ditadura. E se criou um mecanismo semi-secreto de abusos cuja prática dependia dos traços pessoais de cada agente do Estado. Assim a tortura se institucionaliza, mas nunca no papel. Não foi um desvio patológico. Virou um mecanismo de controle e repressão. Diria até que com a tortura o principal objetivo era criar um clima de terror. Só a intimidação não basta, é preciso mostrar que o regime também é capaz de matar.

    E a tortura enquanto método de investigação?

    Fica claro que a tortura não era utilizada para obter informação. Não é um mecanismo científico. Em geral tem uma hora que o torturado diz qualquer coisa, diante de tanto horror.

    Como funciona a estrutura psíquica do torturador?

    Ele sabe que está fazendo algo que não pode, tanto que até hoje pouca gente admite que a praticou. Raros são os depoimentos como o do coronel Paulo Malhães, em que assume que torturou, matou e ocultou cadáveres. O torturador sabe que se trata de um ato de exceção, escondido – mas o pratica porque está podendo. Tem um jogo sádico aí. Isso não quer dizer que todo torturador é um perverso em sua estrutura psíquica.

    É o que, então?

    Dizia Lacan que o superego não é uma instância ética. Seu funcionamento é muito paradoxal. No sentido de que o superego não é apenas um interditor, ele também nos encoraja a buscar o caminho mais fácil para exercer o narcisismo infantil. É como se ele estivesse dizendo: “você não pode gozar mas tem que continuar tentando”. E se tem um Estado falando “goza, meu filho” para um Sebastião Curió, para um Calhandra, para um Luis Maciel, deu no que deu.

    Em outras palavras, a prerrogativa para ficar fora da lei é permanente, mas desde que seja sem um sentimento de culpa. Esse é um traço do neurótico. E se o Estado o autoriza, o perigo é imenso. Isso explica como os alemães abraçaram o nazismo. O povo alemão não ficou perverso de uma hora para outra. Foi o Estado que deu vazão ao instinto e ao sadismo que as pessoas não se autorizam por causa própria.

    O filósofo Slavoj Zizek resumiu muito bem o papel do superego: se você pode, você deve.

    http://blogdomorris.blogfolha.uol.com.br/2014/03/28/a-ditadura-e-o-jeitinho-brasileiro-segundo-maria-rita-kehl/

  5. dan mitrione

    Eu era ainda adolescente, mas já trabalhava e militava no PC do B em porto alegre, quando tive informações sobre Mitrioni no Brasil e que ele passaria por porto alegre com destino a Monte Video. Bem, fizemos o acompanhamento do canalha e los hermanos tupas o julgaram e executaram a sentença. Quando se anuncia bruta, mas que depressa a mão cega executa, senão o coração perdoa! Viva os tupac amarus !

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