Filmes sobre a ditadura, incluindo de Dilma, são exibidos em Festival de Paris

Dois filmes dirigidos por mulheres e que tratam da ditadura serão exibidos hoje: Deslembro, de Flávia Castro, e Torre das Donzelas, sobre os relatos de Dilma e de suas companheiras de cela

Jornal GGN – O Festival de Cinema Brasileiro de Paris estreou nesta semana com a inédita presença igual de cineastas mulheres e homens na programação, que teve início no dia 9 de abril e se encerra na próxima terça-feira (16). Entre os destaques, cinco produções que lembram o que foi a ditadura do regime militar no Brasil.

O festival que acontece durante uma semana em Paris traz a cada ano produções do cinema brasileiro. Nesta edição, 50% das diretoras são mulheres, o que foi amplamente repercutido na imprensa internacional. Entre os filmes dessas diretoras estão Todas as Canções de amor, de Joana Mariani; A Última Abolição, de Alice Gomes, e My Name Is Now, Elza Soares, de Elizabeth Martins Campos.

Outros dois filmes são destacados não somente por terem sido dirigidos por mulheres do cinema brasileiro, como também pelo tema que trazem: Deslembro, de Flavia Castro; Todas as Canções de amor, e Torre das Donzelas, de Susanna Lira, falam dos crimes e violações da ditadura brasileira.

O primeiro longa conta a história de Joana, adolescente que mora em Paris com a família, quando a anistia é decretada no Brasil final de 1979. Seu pai, carioca, é um dos desaparecidos políticos nos porões do DOPS, que tem seu passado relembrado quando a família decide voltar ao país de origem.

O segundo, Torre das Donzelas, traz os relatos da ex-presidente Dilma Rousseff e de suas ex-companheiras de cela do Presídio Tiradentes em São Paulo. Presas na década de 70 pelo regime militar, mostra declarações inéditas e surpreendentes de Dilma e de suas companheiras sobre os horrores a que foram vítimas na ditadura.

Os dois filmes serão exibidos hoje no festival: Torre das Donzelas, às 14h, seguido de um debate com a diretora Susanna Lira; e Deslembro, às 18h30, com conversa com a diretora Flávia Castro e o ator Luís Edmundo Moraes.

Leia também:  Chaui: a democracia como luta por direitos, por César Locatelli

Outros dois filmes que também tratam da ditadura do regime militar no Brasil já foram exibidos no Festival de Cinema Brasileiro de Paris: Codinome Clemente, de Isa Albuquerque e Pastor Claudio (Guerra), de Beth Formaggini.

Juntamente com Deslembro, outro filme que trata da ditadura militar em 1969 encerrará a semana do cinema brasileiro em Paris: Marighella, dirigido por Wagner Moura, cinebiografia do ex-deputado, poeta e guerrilheiro brasileiro que foi assassinado pela ditadura militar, adaptado do livro “Marighella – O Guerrilheiro Que Incendiou o Mundo”, de Mário Magalhães.

Confira a programação completa do Festival.

 

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2 comentários

  1. Um banquete para os sentidos – para a presidenta Dilma e para todo/as nós que resistimos sem perder a ternura, jamais!

    França me leva a saborosas sugestões “fora de pauta”:
    1 – Do Le Monde Diplomatique Brasil (quem ainda tiver dinheiro, assine!), uma reportagem (parte de uma série que outros blogues progressistas poderiam reproduzir dadas a qualidade do material e a importância do tema) sobre alimentação, meio ambiente e combate às mudanças climáticas (1) me levou a outra, da qual reproduzirei apenas um trecho e que trata da importância das artes para a educação sensível e social dos seres humanos (2), em especial a literatura.
    2 – Do CD “Pelo sabor do gesto”, da Artista Zelia Duncan, inspirado por um filme francês sobre o amor e a música (Les Chansons d’amour, 2007/ https://www.youtube.com/watch?v=_6rBACTqWFs), a música “Nem tudo”(3). Tenhamos esperança, e sigamos “mesmo no escuro” (4), (Siga mesmo no escuro, Pato Fu).

    (1) Série “Agronegócio e agrotóxicos versus agricultura familiar e alimentos orgânicos”
    “A sociedade brasileira está bombardeada de informações polêmicas e controversas sobre o uso de agrotóxicos e a centralidade do agronegócio no país frente ao consumo de orgânicos e a agricultura familiar.

    Como toda questão socioambiental no Brasil, o debate vem assumindo nuances de uma desgastada dicotomia política que confunde o consumidor de alimentos e inibe ações efetivas para discutir essas temáticas com a complexidade que merecem.

    Proponho neste espaço analisar as dimensões éticas, sociais, econômicas, políticas, ambientais e de saúde implícitas a esses dois sistemas agroalimentares que não encontram sintonia entre si porque têm diferentes objetivos que precisam ser compreendidos. As questões serão analisadas partir de controversas que circulam na mídia recorrentemente.

    *Elaine de Azevedo é nutricionista e doutora em Sociologia Política pela Universidade Federal de Santa Catarina, professora do Departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal do Espírito Santo e pesquisadora em Sociologias da Saúde, Ambiental e da Alimentação.

    Confira os artigos da série

    1 A agricultura orgânica e sua capacidade de produzir comida para alimentar a população mundial (JÁ DISPONÍVEL – info minha).
    2 “Agrotóxico não faz mal. A agricultura convencional é a responsável pelo aumento da longevidade e diminuição da fome no mundo” (no ar a partir de 19 de abril de 2019)
    3 “Alimento orgânico é uma questão de esquerda e é inacessível para a maior parte da população” (no ar a partir de 26 de abril de 2019)
    4 “O agronegócio é que produz comida” (no ar a partir de 3 de maio de 2019)
    5 Venenos na agricultura: quem ganha com isso e como diminuir? (no ar a partir de 10 de maio de 2019)
    6 “A qualidade do alimento orgânico é igual ao alimento convencional” (no ar a partir de 17 de maio de 2019)” (https://diplomatique.org.br/abertura-uma-dicotomia-e-muitas-controversias/)

    (2) Especial Literatura Infantil e Democracia (parte 1)
    “Em resposta à indagação sobre as razões para pensar as relações entre literatura infantil e democracia, proponho organizar nossas ideias em torno de três eixos:

    I. a relação entre a apropriação da linguagem (de suas formas mais simples às mais elaboradas) e a humanização;
    II. o perigo que movimentos conservadores e obscurantistas representam para a educação literária (e, assim, para o pleno desenvolvimento humano); e
    III. a necessidade de, na produção de uma sociedade democrática, assegurarmos a plena formação humana e, assim, o acesso, a apropriação e objetivação das linguagens, dos textos, das obras, dos livros, dos temas, dos recursos artísticos, dos posicionamentos que, historicamente, têm sido relevantes para que cada ser humano e o conjunto da humanidade se pense no mundo e se posicione no tocante às responsabilidades inerentes à vida-em-comum.

    A linguagem e a formação humana
    A primeira razão para estudar relações entre literatura infantil e democracia é porque defendemos que o desenvolvimento da e pela linguagem – e tomamos aqui a produção literária infantil como linguagem verbal e visual em uma de suas formas elaboradas (a saber, a artística) – é chave para a compreensão do processo de formação humana. Isso porque conforme Voloshínov (2017): a) o signo é social e material, sendo, portanto, ideológico; b) não existe consciência humana que prescinda da realidade sígnica; e c) o signo par excellence é a palavra.

    Em cada um dos seres humanos a humanidade é socialmente produzida, em um movimento dinâmico do interpsíquico em direção ao intrapsíquico (MARTINS, 2013), sob a mediação da linguagem. Discutindo mais particularmente a questão artística/estética, Namura (2018, s.p.), comentando o pensamento de Vigotski, afirma haver, em seus textos: “[…] inúmeras referências a poetas e obras literárias para mostrar que a reação estética suscitada pela arte é imprescindível para a psicologia […], e que o sentido […] é a categoria mais importante da consciência”.

    O próprio Vigotski, em A psicologia da arte, explica que: “[na arte] o sentimento não se torna social, mas, ao contrário, torna-se pessoal, quando cada um de nós vivencia uma obra de arte, converte-se em pessoal sem com isto deixar de continuar social” (VIGOTSKI, 1998, p.315). Desse modo, as questões linguístico-literárias assumiriam papel fundamental para se compreender a realidade, a sociedade e o psiquismo humano – em síntese, a passagem da condição de hominizado à de humanizado.” (https://diplomatique.org.br/literatura-infantil-e-democracia-parte-1/)

    (3) Zelia Duncan – Nem tudo
    (porque já ensinaram “Os Titãs” em “Comida”: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte/ a gente não quer só comida, a gente quer saída para qualquer parte / a gente não quer só comida / a gente quer bebida, diversão, balé, a gente não quer só comida, a gente quer a vida como a vida quer”).

    https://www.youtube.com/watch?v=y-5FypXXIIk

    (4) Pato Fu (porque o mundo é mesmo pequeno e precisa de afinação coletiva das afinidades eletivas, John produziu e Fernanda Takai cantou no CD da Duncan, no item anterior) – Siga mesmo no escuro
    https://www.youtube.com/watch?v=C2in8hHvzMo

    Sampa/SP, 13/04/2019 – 19:54

    • ERRATA: no item (4), desconsidere o trecho “no item anterior”, incorreto.
      John Ulhoa e Beto Villares produziram o CD “Pelo sabor do gesto”, e Fernanda Takai cantou na faixa “Boas razões”, versão em português do tema original em francês do filme mencionado.

      Sampa/SP, 13/04/2019 – 22:18

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