Marcio de Souza Castilho lança livro sobre jornalismo nos anos de chumbo

Obra chega ao público nesta sexta-feira, 20 de dezembro, às 18h, em encontro na livraria Leonardo da Vinci, no Rio de Janeiro

Jornal GGN – A relação entre  jornalismo e Estado, em um dos períodos mais obscuros da história brasileira, é o tema da nova obra de Marcio de Souza Castilho. “Sob o império do arbítrio: Prêmio Esso, imprensa e ditadura” será lançado nesta sexta-feira, 20 de dezembro, às 18h, na livraria Leonardo da Vinci, centro do Rio de Janeiro. 

Durante os anos de chumbo (1964-1985), a relação entre o campo jornalístico e a política foi marcada por aproximações e distanciamentos. Na obra, que chega ao público pela Alameda Editorial, Castilho joga luz sobre a atividade jornalística exercida neste período por meio da análise de um dos tradicionais meios de reconhecimento do trabalho da imprensa, o Prêmio Esso de Jornalismo.

O título, “império do arbítrio”, foi uma expressão usada em editorial censurado do Jornal do Brasil na noite do Ato Institucional nº 5, em 13 de dezembro de 1968. Cinquenta anos depois, o AI-5 tem sido defendido por integrantes da atual conjuntura política. 

Relatando um passado que se faz tão atual, a análise busca trazer à tona processos encobertos no período marcado por abusos e torturas, em que exercer a atividade jornalística era uma tarefa árdua. 

Em um episódio marcante, Luís Edgar de Andrade venceu o prêmio em 1969 com uma matéria sobre a psicanálise, publicada no jornal Última Hora. A cerimônia da premiação foi palco para denúncia sobre violações de direitos humanos praticadas pelo Estado. Durante seu discurso, Luís Edgar – que ficou preso naquele ano por agentes da polícia – comparou a experiência do cárcere com sua experiência quando era correspondente na Guerra do Vietnã.   

“Certa noite de fevereiro do ano passado, eu estava em Da Nang no Vietnan do Sul. Ia partir na manhã seguinte para a base de Khe Sanh, cercada naquela ocasião pelas forças vietcongs. Um velho correspondente de guerra americano me disse: ‘Meu chapa, ainda que viva cem anos, você não esquecerá o inferno de Khe Sanh. Pois eu digo a vocês: esqueci Khe Sanh. No entanto, ainda que viva cem anos, jamais esquecerei os gritos que ouvi na noite de 14 para 15 de agosto de 1969 na cela de uma prisão brasileira”, disse. 

É por meio deste cenário sob a análise do Prêmio Esso que a obra busca complementar os estudos da relação entre imprensa e Estado autoritário no Brasil. “O livro possui muitos méritos. Enfatizo apenas um. Produzir uma interpretação importante sobre a história da imprensa brasileira, desvendando processos encobertos num período sombrio e de trevas, em que exercer a atividade jornalística era uma tarefa, por vezes, de derrubar muros e muralhas, num país que estava envolto sob o signo da ditadura, sob o império do arbítrio”, escreveu a comunicadora Marialva Barbosa, na orelha da obra.

Serviço

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Lançamento “Sob o império do arbítrio: Prêmio Esso, imprensa e ditadura”, de Marcio de Souza Castilho

Local: Livraria Leonardo da Vinci

Endereço: Marquês do Herval – Av. Rio Branco, 185 – Centro, Rio de Janeiro – RJ, 20040-007

Quando: Sexta-feira, 20 de dezembro, às 18h

 

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