O professor de tortura Dan Mitrione e o chefe de polícia Etchegoyen, por Luiza Villaméa

Da Brasileiros

 
Dan Mitrione, o agente americano que ensinava técnicas de “interrogatório”, também deixou sua marca entre os gaúchos
 
Luiza Villaméa

“A dor exata, no lugar exato, na quantidade exata, para obter o resultado desejado”. Dan Mitrione, o autor da frase, jamais imaginaria, mas a “técnica de interrogatório” e sua assinatura estão inscritas em uma placa instalada há um ano na calçada do Palácio da Polícia, em Porto Alegre. Iniciativa do Projeto Memória, a placa denuncia que brasileiros foram torturados e mortos nas “masmorras” do palácio.

Agente do governo americano na América Latina nos anos de chumbo, Dan Mitrione atuou no Brasil antes, durante e depois do golpe de 1964. No final de junho daquele ano, o instrutor de tortura – especializado na aplicação de choques elétricos – esteve em Porto Alegre. No Palácio da Polícia, ele deu um curso para policiais gaúchos. E posou com seus pares na entrada do prédio, em fase final de construção.

Na fotografia, Dan Mitrione é aquele que usa óculos e sobretudo branco. Na época, o chefe de polícia do Rio Grande do Sul era o major Leo Guedes Etchegoyen, mais tarde general. Integrante de uma família de militares linhas-duras, Leo Etchegoyen é pai do general Sergio Westphalen Etchegoyen, que o presidente interino Michel Temer acaba de nomear como ministro-chefe da Secretaria de Segurança Institucional.

Não por acaso, o recém-nomeado ministro é crítico ferrenho dos trabalhos da Comissão Nacional da Verdade (CNV), que incluiu o general Leo Etchegoyen, já morto, na relação de 377 “autores de graves violações de direitos humanos” durante a ditadura. Junto com a família, ele protestou formalmente. Como resposta, a comissão detalhou a trajetória do militar.

Essa não foi a única citação envolvendo familiares do general em termos de violação aos direitos humanos. Um tio dele, Cyro Guedes Etchegoyen, que também já morreu, foi apontado pelo coronel Paulo Malhães como responsável pelo centro clandestino de tortura conhecido como Casa da Morte, em Petrópolis, Rio de Janeiro.

Dan Mitrione, que chegou a ser nome de rua em Belo Horizonte, teve destino trágico. Depois da temporada no Brasil, ele foi destacado para “assessorar” a polícia do Uruguai, onde foi sequestrado e morto pelos tupamaros, em agosto de 1970.

Três anos depois, o cineasta Costa-Gravas lançou o filme Estado de Sítio, inspirado no professor de tortura, interpretado por Yves Montand. Em uma das cenas do filme, a aula de tortura acontece em um espaço “decorado” com a bandeira do Brasil. No link do filme, abaixo, a cena da aula começa nos 35 minutos e 30 segundos:

Luiza Villaméa
Repórter Especial da Brasileiros, é jornalista e mestre em História pela USP. Ganhou um prêmio Esso por uma série de reportagens sobre o impacto da ditadura na vida de crianças e adolescentes
 
 

5 comentários

  1. Com a indicação desse general

    Com a indicação desse general e do ministro da justiça de Temer não podemos pensar senão que as intenções do caanalha podem ser muito mais tenebrosas do que se imagina. Tenho pensaod muito em que das ideias de Temer esteja a dele permanecer por muitos anos no poder, tornando-se um ditador. Apoios sobram.

  2. Pelo menos

    Este teve o destino que mereceu. Na minha política de olho por olho, dente por dente, espero que tenha sofrido muito antes de morrer. Normamente estse metidos a machões canalhas borram de medo antes da morte. 

  3. Não há como discordar da

    Não há como discordar da história!

    Mas, nas forças armadas UM DOS PILARES É A HIERARQUIA, e vendo um vídeo com o comandante do Exército, ficou bem claro para mim que as práticas de 64 EM PRINCIPIO NÃO RETORNARÃO!

    E vou mais alem, AS FORÇAS ARMADAS GOSTARAM DO RESPEITO QUE GOZARAM DO BRASIL DO PT E NÃO CREIO QUE O PERDERÃO DIANTE DO MUNDO CIVILIZADO PARA ATENDER CAPRICHOS DE UM BANDO DE CORRUPTOS!

    Estão no Haiti fazendo trabalho humanitário e iriam prender, atirar em BRASILEIROS?

    Para proteger corruptos?

    Hoje nossas forças armadas gozam de prestígio e foram chamadas a cooperar em vários lugares do mundo, deverão ficar na geladeira enquanto houver o governo Temer.

    Analiso que PARTIU DAS FORÇAS ARMADAS UMA NOVA ESTRUTURA NO GABINETE DO PRESIDENTE, MAIS PARA PRESERVAR O BRASIL DESTES VENDILHÕES!

    Tanto faz sentido, que nas primeiras horas após essas medidas foi designado o FILHO DE UM EX-DEPUTADO PARA MINISTRO DA DEFESA, DEMONSTRANDO QUE O CARGO ERA MERA FANTASIA PARA OS GOLPISTAS, FATO RECUSADO PELAS FORÇAS ARMADAS!

    Sem freio eles poderão vender tudo!

    Não esquecer que o projeto de nossos submarinos nucleares tem base TAMBÉM na proteção do pré-sal e se o cerra entrar vendendo tudo, perderá a finalidade!

    E esse general está lá por que consegue respirar junto com os golpistas, MAS LEMBRAR QUE NAS FORÇAS ARMADAS HIERARQUIA É FUNDAMENTAL!

    Vi um video dele e ele é capaz de sobreviver em ambientes hostis, de baixa oxigenação mental…

    Repressão vai ficar a cargo das POLICIAS MILITARES E FORÇA NACIONAL!

  4. A face oculta do terror

    A história de Dan Mitrione é contada no livro A face oculta do terror, do jornalista americano A. J. Langguth, publicada pelo Círculo do Livro há muitos anos atrás. Excelente relato dos anos de chumbo. Interessante que o canalha traidor Fernando Gabeira é personagem do livro, escrito no final dos anos 70, quando ele era um ícone da esquerda. A ida de Etchegoyen ao governo golpista é mais que um símbolo, é uma mensagem do que nos espera. Saudaçóes a todos.

  5. A face oculta do terror

    A história de Dan Mitrione é contada no livro A face oculta do terror, do jornalista americano A. J. Langguth, publicada pelo Círculo do Livro há muitos anos atrás. Excelente relato dos anos de chumbo. Interessante que o canalha traidor Fernando Gabeira é personagem do livro, escrito no final dos anos 70, quando ele era um ícone da esquerda. A ida de Etchegoyen ao governo golpista é mais que um símbolo, é uma mensagem do que nos espera. Saudaçóes a todos.

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