Pra sabadear com a agiotagem, por Rui Daher

 
Do Blog do Rui Daher
 
 
Por Rui Daher
 
Elas estão por aí na forma de Sindicatos, Associações Nacional e Brasileira, como tantas outras atividades de nossa Federação de Corporações. 
 
Não só nas capitais ou grandes cidades. Também em escritórios pertinho de onde você mora. Nas mais chulas de suas expressões, podem atendê-los em balcões de açougues ou na banca de jornal amiga. Como fazem os bicheiros.
 
É também possível encontrá-los em classificados das folhas e telas cotidianas ou cartazes e faixas pendurados em árvores e postes da cidade. Como fazem as videntes que podem até trazer o amor de sua vida. 
 
Há os que habitam escritórios modernos, alguns até luxuosos. Nos medianos, a maioria, sempre haverá uma recepção ocupada por jovem simpática, que parece entender de aflições financeiras, e um bujão de água, para atender prováveis securas e amargores nas bocas dos clientes. 
 
Logo após declinar a forma preferida de constituição associativa, elas entregam a que se prestam, objetivos, fazeres e, para os receptores, um devir, que Karl Marx (1818-1883) não pensava ser por aí. 
 
Fomento comercial, fomento mercantil, compra de direitos creditórios, factoring. 
 
Na forma pejorativa e popular, agiotagem, que o dicionário Aulete, define como “especulação com a finalidade de obter lucro (ger. exorbitante) aproveitando (e às vezes provocando) oscilações de preço de mercadorias, títulos etc., ou de câmbio entre moedas”.
 
Deixemo-los quietos por algumas linhas e pulemos para algumas manchetes recentes nas folhas e telas cotidianas:
 
G1: “Lucro do Itaú em 2013 é o maior da história dos bancos brasileiros”.
 
UOL: “Itaú ganha R$ 7,1 bi no semestre, segundo maior lucro da história dos bancos”.
 
Estadão: “Lucro do Itaú-Unibanco sobe 36,7% em um ano”.
 
Valor Econômico: “De volta à velha forma, Itaú lucra R$ 4,9 bi, entre abril e junho de 2014”.
 
Não seria justo jogar todo esse ouro nas costas de uma só instituição. Não que elas não tenham ombros fortes e quentes para suportá-lo. É que para fora dos Setúbal e Moreira Salles, a bonança não é diferente. Aliás, nunca foi. Ou Neca de ter sido, certo?
 
Sabem disso todos os grandes bancos, públicos e privados, e os atuais donos de bancos de investimentos, pretensos futuros gestores de nossa economia, que aprenderam que a atual espiral inflacionária brasileira – terríveis 0,01% acima do teto da meta – só pode ser combatida com o aumento das taxas de juros.
 
Aliás, vejo-os em todas as listas especulativas de futuras posições em eventuais governos de oposição, louquinhos para reassumirem cargos cujos salários são merrecas perto dos lucros que auferem nas instituições financeiras onde são sócios.
 
Quando não tinham qualquer esperança de voltarem ao governo, viviam de escrever artigos, adicionando à necessidade de aumentar os juros, a promoção de desemprego em busca da produtividade do trabalho, e cortar a gastança pública em projetos de inserção social. Agora, dizem terem sido mal entendidos.
 
Impressionante como esse negócio de servir ao País, seja com chuteiras ou cavalariças na França, mostra o quanto o brasileiro é patriota.
 
Mas, pudores à parte, voltemos aos nossos emprestadores de dinheiro a taxas exorbitantes para enforcados em desespero.
 
Nesta semana, ajudei um cliente, na ponta do lápis e num papel de pão, fugindo de “cabeças de planilha” (apud o amigo Luís Nassif), a comparar o quanto lhe custava, monetariamente e na forma de exigências cadastrais e muxoxos gerenciais, descontar as duplicatas de sua empresa nos bancos contra descontá-las em bem escolhidas factorings.
 
Vocês mesmos podem fazer o exercício. 
 
KKKKKKKKKKKKKKKKKKKK.
 
Como diz outro amigo, não se trata de representação de risos. É que meu dedo paralisou na última letra do termo inglês FUCK!
 

Você pode fazer o Jornal GGN ser cada vez melhor.

Apoie e faça parte desta caminhada para que ele se torne um veículo cada vez mais respeitado e forte.

Apoie agora

3 comentários

Deixe uma mensagem

Por favor digite seu comentário
Por favor digite seu nome