A disputa política na redução das tarifas de energia

Do Estadão

Pimentel ataca tucanos no estilo Collor: ‘bateu, levou’

TÂNIA MONTEIRO, VERA ROSA

Para ministro do Desenvolvimento, petistas estão apenas se defendendo das investidas da oposição

Ministros, governadores e dirigentes do PT culparam ontem o PSDB pela criação de obstáculos aos planos da presidente Dilma Rousseff de reduzir o preço da energia elétrica para a população em 20%. Na avaliação do governo e do PT, a luta é política e assim deve ser tratada.

“Não fomos nós que partimos para cima dos tucanos. Eles é que vieram para cima da gente. Agora é assim: bateu, levou”, disse ao Estado o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, repetindo bordão usado no governo de Fernando Collor, hoje senador pelo PTB . “Como é que um partido experiente como o PSDB resolve ficar com o mico de ser a grande resistência ao plano de redução de tarifas e ainda coloca esse mico no ombro de seu candidato à Presidência?”, ironizou o governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT).

A direção do PT vai iniciar uma campanha para pedir apoio da população à redução da conta de luz e responsabilizar os tucanos pelos problemas que atrapalharam uma diminuição maior na tarifa. Ao mesmo tempo em que Dilma fazia ontem duras críticas às concessionárias de São Paulo, Minas e Paraná – Estados governados pelo PSDB, que se recusam a aderir ao plano do governo -, a corrente majoritária do PT, reunida em Brasília, aprovou a estratégia de politizar a briga.

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Em sintonia com Dilma, que disse não estar fazendo “graça com chapéu alheio”, a cúpula petista vai produzir uma nota jogando no colo dos tucanos o ônus pelo revés sofrido no plano original. O documento será aprovado hoje, na última reunião do ano do Diretório Nacional do PT.

“Vamos pedir o apoio da sociedade, explicar a medida e responsabilizar governadores do PSDB”, afirmou o presidente do PT, deputado Rui Falcão.

No diagnóstico do PT, os tucanos anteciparam a disputa presidencial de 2014, lançando a candidatura do senador Aécio Neves (PSDB-MG) contra Dilma, que deve concorrer à reeleição, e vão fazer de tudo para “criar dificuldades”. Na prática, a tática do governo e do PT consiste em usar o episódio para carimbar o adversário PSDB como um partido que atua contra o crescimento do País.

“Esse foi o grande mote que o PSDB deu para a gente, no fim de um ano com tantos ataques aos petistas”, comemorou o deputado distrital Chico Vigilante (PT), numa referência ao julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Réu no processo, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu estava presente na reunião de ontem e defendeu Dilma em suas intervenções a portas fechadas.

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