A evolução do comércio eletrônico no Brasil

Coluna Ecônomica

O comércio eletrônico tem crescido no Brasil a taxas de dois dígitos – acompanhando o ritmo de crescimento da Internet. Em geral, o segundo semestre costuma ser mais aquecido, devido às vendas de Natal. Mesmo assim, no primeiro semestre deste ano houve crescimento de 20 % em relação ao segundo do ano passado. De 2008 a 2012, um crescimento médio de 28% ao ano.

E ainda há bom espaço para crescimento. O país tem 193,9 milhões de habitantes, dos quais 91,1 milhões (47%) acessam a Internet e 42,2 milhões (22%) já realizaram alguma compra na Internet. O crescimento da venda online é diretamente proporcional ao da banda larga.

No Brasil, as vendas eletrônicas representam 3% do comércio total; nos Estados Unidos, chegam a 10%. Lá, os dispositivos móveis (celular e tablet) respondem por 17% dos acessos à Internet; no Brasil, apenas 7%. Dos 30 maiores sites de comércio eletrônico brasileiros, apenas dez estão adaptados para dispositivos móveis.

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É um mercado que comporta algumas formas variadas de negócio. A mais comum é o da loja offline que vende também pela Internet. É o caso das Americanas e da Submarino. Há os modelos de marketplace – locais que concentram vendedores e compradores,, nos quais a empresa de comércio eletrônico faz apenas a intermediação. Não se envolve com capital de giro, estoques, emissão de notas fiscais. Apenas coloca compradores em contato com vendedores. Entra aí o Mercado Livre.

E há, finalmente, os sites de compras coletivas, como Peixe Urbano e Groupon.

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Em 2012, o e-commerce no Brasil faturou R$ 22,5 bilhões (73,2%), o marktplace R$ 6,6 bi (21,4%) e as compras coletivas R$ 1,6 bi (5,4%).

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Nascido na Argentina, o Mercado Livre é o 10o maior site de e-commerce no mundo, em uma lista liderada pela Amazon e Alibaba. Dos dez maiores, apenas 4 são marketplaces.

Atua essencialmente na América Latina e Portugal, tem 85,7 milhões de usuários cadastrados. Tem ações na Nasdaq (a bolsa de tecnologia dos EUA) e um valor de mercado de US$ 5 bilhões.

Sua trajetória é significativa do desenvolvimento do setor.  Foi lançado em 1999, como uma autêntica startup (empresa iniciante), nascida em Stanford, de uma tese de mestrado do seu fundador, argentino.

Começou como leilão de produtos ofertados por pessoas físicas. Na mesma época, surgiram mais 30 sites de leilão. Ele acabou adquirindo os três maiores concorrentes, Local, iBazar e Arremate.

Em 2002, mudou o modelo de negócio e passou e vender produtos novos, na modalidade de preço fixo – o chamado B2C, venda de empresas para consumidores.

Em 2004 lançou o Mercadopago (sistema de pagamentos) e os Classificados. Em 2010, o Mercadoshops, com lojas virtuais de terceiros. Em 2013, o Mercadoenvio, uma parceria com os Correios para remeter as compras para os consumidores.

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É curiosa a trajetória do site pelos Classificados, tomando dos jornais um território secular. No caso de Veículos, a Mercado Livre é líder de audiência; é a terceira do setor de imóveis. Entre os três primeiros, apenas o Zaz, o site de imóveis criado pelo Globo e Estadão.

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O diretor geral Helisson Lemos nega que Verônica Serra seja sócia do Mercadolivre. Ele representa o fundo Pacific que tem 10% do capital.

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